2026/4 28 Seis motivos para utilizar soluções de aluguer Daikin 1. Daikin on Site, uma solução para as necessidades específicas dos clientes 2. Soluções para emergências de arrefecimento 3. Arrefecimento de apoio para aplicações e processos críticos 4. Eventos especiais 5. Soluções para variações na carga de arrefecimento 6. Arrefecimento durante os encerramentos e cortes de produção planeados Saiba mais em daikin.pt Contactos: aluguer@daikin.pt | Tel. 214 268 700 Com a crescente procura do mercado, e com uma estratégia fortemente focada no fornecimento de um serviço de excelência aos nossos clientes, adicionámos ao nosso portefólio novos serviços que respondam às necessidades atuais. Temos ao seu dispor um serviço de aluguer de soluções de arrefecimento e aquecimento, a curto e longo prazo, independentemente do tipo de aplicações (indústria, alimentar, farmacêutica, pistas de gelo, centro de dados, adegas, entre outros). Dispomos de uma vasta gama de chillers, bombas de calor, unidades de tratamento de ar e contentores refrigerados. Saiba mais sobre os nossos serviços de aluguer e usufrua de um serviço completo: desde transporte, instalação, comissionamentos, sem precisar de se preocupar com nada! Vasta gama de capacidades bombas de calor chillers 50 kW 50 kW 600 kW 800 kW Soluções de 10kW a 10MW Redução dos custos de funcionamento Flexibilidade de aplicação Fiabilidade Conforto acústico Rapidez de intervenção Serviços de aluguer Unidades chiller, bombas de calor e UTA Onde, quando e como precisar. SERVIÇOS E SOLUÇÕES INTEGRADOS PEÇAS E REPARAÇÕES ALUGUER SUBSTITUIÇÃO MODERNIZAÇÃO OTIMIZAÇÃO LIGAÇÃO E MANUTENÇÃO Preço:11 € | Periodicidade: 5 edições por ano Setembro 2026
SUMÁRIO Edição, Redação e Propriedade INDUGLOBAL, UNIPESSOAL, LDA. Avenida Defensores de Chaves, 15, 3.º F 1000-109 Lisboa (Portugal) Telefone (+351) 215 935 154 E-mail: geral@interempresas.net NIF PT503623768 Gerente Aleix Torné Detentora do capital da empresa Grupo Interempresas Media, S.L. (100%) Diretora Gabriela Costa Equipa Editorial Gabriela Costa, Ángel Pérez, Alejandro de Vega, Nina Jareño Marketing e Publicidade Frederico Mascarenhas redacao_agriterra@interempresas.net www.agriterra.pt Preço de cada exemplar 11 € (IVA incl.) Assinatura anual 55 € (IVA incl.) Registo da Editora 219962 Registo na ERC 127451 Depósito Legal 471809/20 Distribuição total +5.300 envios Distribuição digital a +4.200 profissionais. Tiragem +1.100 cópias em papel Edição Número 28 – Setembro de 2026 Estatuto Editorial disponível em www.agriterra.pt/EstatutoEditorial.asp Impressão e acabamento Lidergraf Rua do Galhano, n.º 15 4480-089 Vila do Conde, Portugal www.lidergraf.eu Media Partners: Os trabalhos assinados são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. É proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos editoriais desta revista sem a prévia autorização do editor. A redação da Agriterra adotou as regras do Novo Acordo Ortográfico. ATUALIDADE 4 EDITORIAL 5 360 Tech Industry estreia-se em Lisboa com foco na tecnologia industrial 10 EIMA International reúne profissionais de 120 países e reforça aposta nos mercados internacionais 11 Circularidade na agroindústria: quem ganha? 50 Do custo do carbono ao ativo agrícola: está Portugal preparado? 52 Entrevista com Antonella Pizzolante, diretora de marketing global de Agro Solution Biopolymers na BASF 56 Não basta ser biológico. É preciso ser eficaz 62 Megafol: a resposta eficaz para culturas sob stress 66 AGRIPRO destaca selo GENEX e tecnologia Bioforce em webinar 68 Sustentabilidade no setor vitivinícola: certificação e desafios para as empresas 70 Frutos secos: a nova força estratégica da agricultura portuguesa 76 “Assistimos a uma procura crescente de tecnologias avançadas de pneus” 78 Tecnologia da BKT acelera transição ecológica 82 Experiência com pneus Alliance Agri Star II leva agricultora a ponderar segunda aquisição 84 John Deere abre plataforma de visão artificial a fabricantes de maquinaria 86 Crédito Agrícola subscreve Carta às Empresas do Futuro 88 Mercado de máquinas e reboques agrícolas em Portugal 89 O futuro da floresta debate-se na FIMAP 2026 12 Entrevista com Paulo Vaz, administrador da Exponor – Feira Internacional do Porto 14 Entrevista a Luís Mira, secretário-geral da CAP 18 Clube Navigator acelera modernização florestal 20 Centro Pinus divulga 11.ª edição dos Indicadores da Fileira do Pinho 21 BioRootGuard desenvolve película biodegradável para proteger as raízes das árvores 22 Galucho leva novidades ao campo e coloca novo reboque NK à prova 24 Entrevista com Nuno Gama Lobo, CEO da Galucho 28 Ascendum assume distribuição exclusiva da Fendt em Portugal 30 FIRA USA 2026 leva automação agrícola até Yakima 32 Como a pesagem automatiza a operação agroindustrial 34 Entrevista com Joel Vasconcelos, CEO da Lusomorango 36 41 THE VERY BEST: os melhores produtos, equipamentos e soluções
4 ATUALIDADE MAIS NOTÍCIAS DO SETOR EM: WWW.AGRITERRA.PT • SUBSCREVA A NOSSA NEWSLETTER Novos apoios aliviam pressão sobre viticultores O Governo criou uma nova linha de crédito de 110 milhões de euros para apoiar a tesouraria dos produtores de vinho e alterou as regras do apoio excecional destinado aos viticultores da Região Demarcada do Douro (RDD). As duas medidas foram publicadas em Diário da República, através das Portarias 433/2026/1, de 21 de setembro, e 436/2026/1, de 23 de setembro. A nova linha de crédito pretende dar resposta ao abrandamento do consumo de vinho em Portugal e nos mercados internacionais, disponibilizando financiamento aos produtores de vinho, para que possam fazer face aos pagamentos aos viticultores relativos às campanhas de 2025 e 2026. O financiamento pode também ser utilizado para liquidar ou reestruturar o capital ainda em dívida de créditos obtidos através da anterior linha de tesouraria, criada em 2024. Uma segunda portaria diz respeito diretamente aos viticultores da Região Demarcada do Douro, alterando as regras do apoio excecional ao rendimento criado para os produtores que, devido às atuais condições de mercado, não tenham possibilidade de escoar a produção da campanha 2026-2027. Primeira previsão nacional de produção de amêndoa A Portugal Nuts – Associação Promoção Frutos Secos e a Demeter, especialista internacional em dados sobre cadeias de valor agrícolas e publicação de índices, divulgam a previsão da produção nacional de amêndoa para a campanha de 2026, estabelecendo um novo patamar de informação técnica para o setor dos frutos secos em Portugal. A produção nacional de amêndoa para 2026 é estimada em 114.900 toneladas com casca, equivalente a 34.470 toneladas de amêndoa em miolo, representando um aumento de 39% em comparação com a campanha anterior. O intervalo esperado é de 31.000 a 38.000 toneladas de miolo de amêndoa. Esta evolução reflete a maturidade contínua do setor, o aumento da produção das áreas de pomares e as condições favoráveis observadas ao longo da campanha. Com esta publicação, Portugal junta-se ao grupo de países com sistemas avançados de previsão da produção de amêndoa, ao lado das previsões já consolidadas da Demeter para a Califórnia e Espanha. Em conjunto, estes três mercados representam mais de 85% da produção mundial de amêndoa, reforçando a relevância estratégica da informação disponibilizada.
5 CAP exige 140 milhões de euros em apoios aos agricultores Na sequência da reunião extraordinária do seu Conselho de Presidentes, a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) deliberou, por unanimidade, exigir ao Governo a disponibilização urgente e imediata de um pacote de 140 milhões de euros em medidas de apoio aos agricultores. Considerando insuficientes os apoios já anunciados e apontando para a diferença face a Espanha, a CAP defende que esta resposta é indispensável para compensar o agravamento dos custos de produção e atenuar a competitividade perdida. Face às medidas de apoio concedidas por outros governos, nomeadamente pelo espanhol, que ascendem a 1100 milhões de euros, o valor total de 200 milhões de euros (60 milhões já concedidos + 140 milhões a conceder) é o mínimo indispensável para mitigar o fosso de competitividade que existe atualmente e que é, segundo a Confederação, prejudicial para a produção nacional e para a economia portuguesa. A CAP reclama, assim, um pacote de apoios diretos aos agricultores, sublinhando que não é admissível confundir estes apoios extraordinários com os relativos às catástrofes climáticas que afetaram vários setores de atividade e, menos ainda, com pagamentos correntes da PAC. Através de uma delegação composta por dirigentes associativos e representantes de todos os setores produtivos, a CAP entregará estas reivindicações em mão no dia 12 de outubro, no Parlamento e na residência oficial do primeiro-ministro. EDITORIAL Há momentos em que o setor agrícola e florestal precisa, mais do que nunca, de juntar conhecimento, experiência e capacidade de inovação. Esta edição especial da Agriterra, que acompanha a presença da revista na FIMAP 2026 e na EIMA International, é precisamente um convite a esse diálogo. Na FIMAP, no Porto, promovemos uma mesa redonda dedicada ao futuro da gestão florestal em Portugal, juntando diferentes visões sobre o futuro da floresta portuguesa. Um tema que aprofundamos em dossier, com entrevistas a Pedro Serra Ramos, presidente da ANEFA e a Luís Mira, secretário-geral da CAP, numa reflexão sobre prevenção de incêndios, ordenamento, produtividade e competitividade. No dossier Agritech, fomos ao terreno com a Galucho, no seu Dia de Campo, para conhecer novos equipamentos, assistir a demonstrações e ouvir o CEO, Nuno Gama Lobo, sobre investimento, inovação e proximidade ao utilizador. A tecnologia está a transformar máquinas, processos e decisões, mas esta é também uma edição para descobrir protagonistas, tendências e soluções que estão a moldar o futuro do setor: a terceira edição da rubrica The Very Best reúne uma seleção de equipamentos e produtos que estão a marcar o mercado nacional; com os contributos do INAV, da Consulai e da AgroInsider, analisamos o estado-da-arte dos créditos e da pegada de carbono na agricultura; e, no dossier Biosoluções, entrevistamos Antonella Pizzolante, da BASF. Fechamos com um olhar sobre as tendências no mercado de pneus agrícolas, enunciadas pela a S. José Pneus e a BKT. Num número alargado que se destaca pela diversidade de conteúdos, antecipamos cenários para ajudar quem trabalha no setor a encontrar novas oportunidades de negócio. Boa leitura. Uma floresta mais resiliente, um setor mais competitivo
6 ATUALIDADE MAIS NOTÍCIAS DO SETOR EM: WWW.AGRITERRA.PT • SUBSCREVA A NOSSA NEWSLETTER BIOsCherry: produção mais sustentável O Centro de Investigação e de Tecnologias Agroambientais e Biológicas da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro está a desenvolver novos bioestimulantes naturais destinados a aumentar a sustentabilidade, a produtividade e a qualidade da produção de cereja. A investigação é realizada no âmbito do projeto BIOsCherry – Inovação e Sustentabilidade na Produção de Cereja com Bioestimulantes Naturais. Pretende-se chegar a linhas de produtos-protótipo de valor acrescentado e com uma identidade distintiva: ‘BIOsCherry’. Estes novos produtos serão concebidos para ajudar as cerejeiras a responder melhor a condições ambientais adversas, aumentando a sua tolerância a diferentes stresses, contribuindo para melhorar a produtividade e a qualidade dos frutos. Os bioestimulantes mais promissores serão testados em cerejais de Trás-osMontes e do Fundão, onde será avaliado o seu impacto na fisiologia das árvores, na adaptação às condições ambientais e na produtividade e qualidade das cerejas. Embora desenvolvidos sobretudo para a cultura da cerejeira, estes bioestimulantes apresentam também potencial de aplicação futura noutras fruteiras, como a macieira, a pereira e o pessegueiro. Olivum prevê aumento de 10% na produção de azeite na campanha 2026/2027 A Olivum – Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal apresentou as perspetivas para a Campanha Oleícola 2026/2027. Com base na previsão relativa à colheita dos seus associados, a associação estima um aumento de produção na ordem dos 10% face à campanha anterior, aproximando o país dos valores de referência registados na campanha 2024/2025. Após uma campanha anterior que totalizou 160 mil toneladas de azeite a nível nacional, as previsões para este ano apontam para uma recuperação do setor. Com este desempenho, a Olivum consolida a sua liderança setorial, mantendo uma representatividade na ordem dos 70% da produção nacional. A propósito da próxima campanha, Gonçalo Moreira, gestor da Olivum, afirma: “as temperaturas elevadas poderão favorecer uma antecipação da maturação da azeitona, variável consoante as regiões e as variedades. Esta evolução poderá levar alguns olivicultores a iniciar a colheita mais cedo, com a correspondente entrada em funcionamento dos lagares” O responsável sublinha que “é ainda prematuro tirar conclusões sobre a campanha, mantendo-se o compromisso do setor com a qualidade de excelência do azeite português, reforçando o posicionamento de Portugal no topo dos grandes produtores mundiais”. Paralelamente às boas perspetivas de colheita, a Olivum acompanha com atenção a evolução dos custos de produção, nomeadamente os associados aos combustíveis, indicando que, em Portugal continental, o preço médio do gasóleo agrícola registou uma subida de cerca de 60% e o gasóleo rodoviário aumentou 40%, quando comparado com o período homólogo da campanha. Este encarecimento dos combustíveis constitui um desafio adicional que o setor enfrenta na gestão da presente campanha.
7 ATUALIDADE MAIS NOTÍCIAS DO SETOR EM: WWW.AGRITERRA.PT • SUBSCREVA A NOSSA NEWSLETTER Setor de frutas e legumes confia na recuperação A Associação para a Promoção das Frutas, Legumes e Flores de Portugal anunciou que as exportações portuguesas de frutas, legumes, plantas ornamentais e flores recuaram 3,5% em valor, e 5,9% em quantidade no primeiro semestre de 2026, face ao período homólogo. As importações aumentaram 4,2% em valor e 2,8% em quantidade, agravando o défice comercial do setor. Apesar do recuo, a Portugal Fresh prevê recuperação até ao final do ano. De acordo com dados do INE compilados pela Portugal Fresh, as vendas para os mercados externos somaram 1226 milhões de euros entre janeiro e junho de 2026. O volume de exportações totalizou 747.000 toneladas. A balança comercial do setor das frutas, legumes e flores (FLF) agravou-se, ultrapassando os 300 milhões de euros de défice. O motivo deste decréscimo está relacionado com os graves prejuízos causados pela sequência de tempestades que assolaram o país. Este é um ano muito desafiante para os produtores e exportadores, também devido à falta de apoio, sobretudo, quando comparado com o principal mercado concorrente – Espanha - que recebeu apoios aos fertilizantes e gasóleo agrícola. Apesar do recuo registado, a Portugal Fresh acredita que a produção nacional pode retomar o seu ritmo e que as exportações têm margem para recuperar até ao final do ano. Inscrições abertas para 25°Congresso ANTRAM O Congresso terá lugar nos dias 13 e 14 de novembro de 2026, no Epic Sana Algarve, e contará com painéis dedicados à análise atualizada dos transportes de mercadorias e aos principais desafios estratégicos que se avizinham, num espaço privilegiado de networking entre os profissionais e entidades que moldam diariamente o setor. Incontornável para o setor, o 25°Congresso ANTRAM reunirá transportadores, dirigentes, especialistas e parceiros para dois dias de reflexão, debate e partilha sobre o presente e o futuro do transporte rodoviário de mercadorias em Portugal. Assegure o seu lugar no maior evento nacional do setor, inscrevendo-se no website da ANTRAM. Programa de Mecanização para a Gestão de Combustível cede 150 tratores aos municípios Já arrancou a entrega de maquinaria no âmbito do Programa de Mecanização para a Gestão de Combustível. No total, a nível nacional, o ICNF vai entregar 150 tratores a municípios, num investimento de cerca de 27,5 milhões de euros. Financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), a entrega de maquinaria no âmbito do Programa de Mecanização para a Gestão de Combustível reforça a capacidade para a realização de operações de gestão de combustível e prevenção de incêndios rurais. A cedência de maquinaria aos municípios executada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) visa empoderar os agentes do território.
A INOVAÇÃO QUE CULTIVA O FUTURO
10 EVENTOS 360 Tech Industry estreia-se em Lisboa com foco na tecnologia industrial A 360 Tech Industry realiza-se pela primeira vez em Lisboa, nos dias 26 e 27 de novembro de 2026, no Pavilhão Carlos Lopes, onde vai reunir fornecedores de tecnologia, empresas industriais e profissionais da produção, engenharia e manutenção. A feira, organizada pela Exponor Exhibitions, apresenta soluções de automação, robótica, inteligência artificial, impressão 3D e digitalização industrial, entre outras áreas. O evento pretende aproximar a oferta tecnológica das necessidades da indústria, com demonstrações de equipamentos, apresentações técnicas e oportunidades de contacto entre empresas e profissionais. A programação aborda temas relacionados com a Indústria 4.0 e a Indústria 5.0, incluindo sustentabilidade, cibersegurança, inteligência artificial e manutenção preditiva. TECNOLOGIA APLICADA À PRODUÇÃO A 360 Tech Industry reúne fabricantes e distribuidores de tecnologia industrial, fornecedores de automação, robótica, sensores e soluções de manutenção, empresas de software, startups, centros de investigação e desenvolvimento (I&D), universidades e entidades formativas. Entre os visitantes previstos encontram-se engenheiros de produção, manutenção e automação, técnicos industriais, gestores de operações, responsáveis de inovação, qualidade e energia, compradores e decisores de investimento tecnológico, além de integradores de sistemas e consultores técnicos. A feira dirige-se a vários setores industriais, nomeadamente metalomecânica, eletrónica, energia, construção, indústria alimentar, farmacêutica e automóvel. HUBTECH PROCURA STARTUPS INDUSTRIAIS A edição de Lisboa inclui o HubTech by 360 Tech Industry, concurso destinado a startups tecnológicas com soluções aplicadas à indústria. A iniciativa vai selecionar três empresas, que têm participação gratuita no espaço HubTech durante os dois dias do evento. As candidaturas devem ser submetidas até 25 de setembro de 2026. O processo exige o envio do regulamento assinado e de um documento em formato PDF, com um máximo de três páginas, contendo a apresentação da startup, a descrição da solução tecnológica e os respetivos benefícios e impacto no mercado. Os resultados vão ser divulgados a 23 de outubro. Como referido, as empresas selecionadas terão acesso a um espaço de exposição, contacto com profissionais e decisores industriais e divulgação nos canais oficiais da feira. ACESSO À FEIRA O certame decorre das 10h00 às 18h00. O acesso geral é gratuito para profissionais mediante registo até 25 de novembro. Nos dias do evento, o bilhete custa sete euros quando adquirido online ou 15 euros no local. As visitas de estudo têm um custo de quatro euros por aluno e devem ser solicitadas online. Crianças e jovens até aos 15 anos podem entrar gratuitamente, desde que acompanhados por um adulto. n As revistas InterMetal, InterPlast, iAlimentar, Agriterra, NovoPerfil e O Instalador são media partner da 360 Tech Industry.
11 EVENTOS EIMA International reúne profissionais de 120 países e reforça aposta nos mercados internacionais A 47.ª edição da EIMA International, que tem lugar de 10 a 14 de novembro no recinto de feiras de Bolonha, em Itália, apresenta uma forte orientação internacional e um programa dedicado à promoção das relações comerciais entre fabricantes e operadores de diferentes mercados. A EIMA 2026, organizada pela FederUnacoma, vai contar com 1.800 empresas expositoras já confirmadas, das quais 650 são estrangeiras, provenientes de 45 países. A organização prevê também aumentar a presença de visitantes internacionais face à edição de 2024, que registou mais de 63 mil participantes provenientes de 150 países, num total de 350 mil visitantes. Um dos principais instrumentos para reforçar esta dimensão internacional vai ser o programa de encontros empresariais promovido pela Agência ICE e pela FederUnacoma. Nesta edição, vão participar 830 operadores profissionais provenientes de 120 países, contra os 450 representantes de 85 países que participaram no programa em 2024. Durante os três primeiros dias da feira, estão previstos 14 mil encontros entre empresas (B2B), previamente organizados de acordo com os interesses dos participantes e as diferentes categorias de maquinaria. Os operadores vão ter à disposição um pavilhão específico, equipado com serviços de interpretação e assistência em questões contratuais. Paralelamente, a FederUnacoma lançou o programa ‘Special Guest’, dirigido a cerca de mil profissionais do setor que não integram as delegações oficiais. A internacionalização vai ter também um lugar de destaque no programa de conferências. O espaço Extend acolhe instituições públicas, associações profissionais e organizações ligadas às cadeias agroalimentares e agroindustriais. Entre as sessões previstas, destaca-se uma dedicada aos custos económicos e sociais da seca na agricultura africana, bem como o ‘Italian-Indian Day’, centrado nos mercados de maquinaria agrícola da Europa e da Índia, no âmbito do acordo de comércio livre. Vão ser igualmente abordadas as oportunidades do mercado latino- -americano no âmbito do acordo UE-Mercosul, bem como as perspetivas de acesso aos diferentes países da região. Por seu lado, o 35.º Encontro do Clube de Bolonha vai analisar a mecanização em África, as tecnologias para a agricultura de conservação e os sistemas de gestão otimizada dos recursos hídricos. O programa vai ser completado com sessões dedicadas à agenda agrícola europeia, incluindo a nova Política Agrícola Comum (PAC) e as relações entre o sistema agrícola europeu e outras economias mundiais. Vai ser também apresentado um estudo sobre as oportunidades e os desafios associados à utilização de maquinaria pelas mulheres agricultoras. n Acesso principal à BolognaFiere.
12 FIMAP 2026 | MESA REDONDA AGRITERRA A Mesa Redonda da Agriterra na FIMAP 2026 é dinamizada no âmbito dos Encontros Profissionais B2B da Induglobal, do Grupo Interempresas, com o suporte técnico da Fakoy. O futuro da floresta debate-se na FIMAP 2026 A Agriterra promove a 22 de outubro, na FIMAP 2026, uma mesa redonda sobre o futuro da gestão florestal em Portugal, reunindo Luís Mira, secretário-geral da CAP, e Pedro Serra Ramos, presidente da ANEFA, com especialistas de empresas e meio académico. Gabriela Costa Sob o mote ‘A Floresta que queremos: entre a resiliência e a competitividade’, o encontro, agendado para o dia 22 de outubro, das 11h00 às 12h30, na Exponor (Porto), promove um debate aberto e pragmático sobre o que é necessário mudar na forma como se gere e ordena o território florestal português para alcançar uma floresta simultaneamente mais resiliente, produtiva, sustentável e rentável. Um desafio que exige aproximar diferentes visões e competências e colocar em diálogo quem produz e gere, quem representa o setor, quem investiga e desenvolve conhecimento e quem fornece máquinas, equipamentos e soluções tecnológicas. Entre os participantes já confirmados está Luís Mira, secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP). A sua presença permitirá trazer ao debate a perspetiva dos agricultores e da principal organização de representação do setor agrícola, num momento em que a gestão ativa do território e a viabilidade económica das atividades rurais assumem particular relevância. Luís Mira tem também acompanhado o debate europeu sobre a gestão integrada dos riscos de incêndios florestais, defendendo uma abordagem centrada na prevenção e na gestão ativa do território. A ANEFA – Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente faz-se representar na mesa redonda organizada pela Agriterra pelo seu presidente, Pedro Serra Ramos. A participação da associação, que é parceira institucional da iniciativa, garante a perspetiva das empresas que asseguram as operações e serviços necessários à gestão da floresta. A modernização, a mecanização, a eficiência operacional e a adoção de tecnologia serão, por isso, dimensões incontornáveis de uma discussão sobre a competitividade da fileira. A sessão contará ainda com outros especialistas, a confirmar, de empresas de produção, gestão e serviços florestais e de universidades ou instituições de I&D+I. A diversidade de participantes pretende cruzar conhecimento científico e técnico com experiência empresarial e associativa, contribuindo para uma leitura mais abrangente dos desafios que se colocam à floresta portuguesa. A TerraGes e o Grupo EFCIS são, à data, os patrocinadores confirmados da mesa redonda ‘A floresta que queremos: entre a resiliência e a competitividade’. A iniciativa realiza-se no âmbito da FIMAP 2026, que decorre na Exponor, em Matosinhos, entre 21 e 24 de outubro, e integra a programação das FIMAP Talks. COMO PARTICIPAR Para assistir à Mesa Redonda, é necessária a inscrição na FIMAP 2026, que pode ser efetuada online. O registo é dirigido a profissionais do setor e é gratuito até ao dia 20 de outubro, dando acesso às FIMAP Talks. n Mais informações e inscrição: https://encontrosprofissionais.induglobal.pt/Fimap2026/
ENTREVISTA 14 PAULO VAZ, ADMINISTRADOR DA EXPONOR – FEIRA INTERNACIONAL DO PORTO “Queremos que a FIMAP seja simultaneamente um espaço de demonstração, de negócio e de conhecimento” Gabriela Costa A FIMAP 2026 afirma-se como “uma plataforma onde a indústria portuguesa encontra tecnologia, fornecedores e parceiros para crescer em Portugal e competir melhor no exterior”. Na sua 23.ª edição, o maior certame nacional de máquinas, acessórios e serviços para a indústria da madeira, silvicultura, exploração florestal e biomassa alarga a sua programação a mais um dia de feira, isto é, a mais oportunidades de negócio e networking. O evento realiza-se entre 21 e 24 de outubro, na Exponor (Porto), “com uma dimensão reforçada, quer em número de expositores quer em área ocupada”, como sublinha, em entrevista, Paulo Vaz, administrador da Exponor.
ENTREVISTA 15 A FIMAP 2026 apresenta-se com uma dimensão reforçada, mais expositores, maior área e um dia adicional de feira. Que expectativas têm para esta edição em termos de participação de empresas e de visitantes profissionais? E que importância atribuem à presença internacional, nomeadamente de empresas oriundas de Espanha, Áustria, Itália, Suíça, Alemanha, França e Taiwan? A expectativa é muito positiva. A FIMAP 2026 chega a esta 23.ª edição com uma dimensão reforçada, quer em número de expositores quer em área ocupada, e com uma alteração particularmente significativa: passamos de três para quatro dias de feira, acrescentando um dia dedicado a mais oportunidades de negócio e networking. Há um dado que considero particularmente revelador da confiança que o mercado deposita na FIMAP: praticamente todas as empresas que estiveram presentes na última edição renovaram a sua participação. Ao mesmo tempo, fomos registando a entrada de novos expositores e um crescimento da área ocupada, ao ponto de o espaço desenhado em planta estar praticamente esgotado. As informações que temos relativamente à procura por parte dos visitantes profissionais apontam também para um crescimento significativo, tendo em conta o volume de convites já solicitado. Mas não queremos medir o sucesso da FIMAP apenas pelo número de empresas ou de visitantes. O que nos interessa é a qualidade das relações que se estabelecem e a capacidade de gerar negócio. Em 2024, tivemos mais de 70 expositores e mais de seis mil visitantes. E os indicadores dessa edição são muito expressivos: 73% dos expositores geraram oportunidades de negócio durante a feira e 49% dos visitantes procuravam novos fornecedores ou soluções técnicas. A dimensão internacional é, por isso, estratégica. Ter empresas de Espanha, Áustria, Itália, Suíça, Alemanha, França e Taiwan significa trazer para a EXPONOR tecnologia, equipamentos, conhecimento e marcas de referência mundial. Mas, significa também criar uma ponte entre as empresas portuguesas e mercados externos. A fileira da madeira e do mobiliário tem um forte perfil exportador e a internacionalização continua a ser uma das suas grandes prioridades. A FIMAP deve ser precisamente isso: uma plataforma onde a indústria portuguesa encontra tecnologia, fornecedores e parceiros para crescer em Portugal e competir melhor no exterior. A FIMAP reúne num mesmo espaço diferentes elos da cadeia de valor, desde a exploração florestal e silvicultura à transformação da madeira, biomassa e mobiliário. Para os profissionais do setor agrícola e florestal, quais são as principais áreas da feira que considera que merecem uma visita mais atenta? E que soluções ou tecnologias espera que despertem maior interesse nesta edição? Uma das grandes vantagens da FIMAP é precisamente permitir olhar para a fileira como um todo. Não estamos perante uma feira exclusivamente de máquinas para trabalhar madeira. Temos tecnologia florestal e silvicultura, máquinas e equipamentos para a produção florestal, equipamentos para corte e transformação, soluções para resíduos florestais, ferramentas, serviços especializados e, naturalmente, toda a componente ligada à transformação da madeira e ao mobiliário. Para um profissional agrícola ou florestal, eu diria que vale particularmente a pena prestar atenção às soluções de mecanização e eficiência da exploração, às tecnologias que permitem melhorar a gestão e o acompanhamento da floresta e às soluções de valorização dos resíduos e da biomassa. Estamos também perante uma transformação tecnológica muito importante. Automação, digitalização, sensores, drones, inteligência artificial e sistemas de monitorização estão a alterar a forma como se gere o território e como se organiza a produção. Nas FIMAP Talks vamos precisamente abordar algumas destas tendências, designadamente a utilização de drones e satélites na gestão florestal e as aplicações da inteligência artificial na otimização de processos e recursos. E há uma característica da FIMAP que considero essencial: a tecnologia não está apenas exposta; está ali para ser vista, comparada e avaliada por quem trabalha no terreno. O visitante pode conhecer equipamentos, comparar soluções e perceber de que forma determinada tecnologia pode responder a um problema concreto da sua atividade. Em 2024, o tempo médio de permanência na feira foi de quatro horas, o que demonstra esse envolvimento efetivo dos profissionais com a oferta apresentada. "O debate da Agriterra é particularmente oportuno porque toca numa questão que não pode continuar a ser adiada: que modelo de gestão estamos dispostos a construir para tornar a floresta simultaneamente mais resiliente e mais competitiva?"
ENTREVISTA 16 A gestão ativa da floresta e do território ganhou uma importância acrescida, nomeadamente perante o risco de incêndio, os efeitos de fenómenos meteorológicos extremos e a necessidade de valorizar os recursos florestais. De que forma a FIMAP 2026 responde a estes desafios e que papel poderão ter a mecanização, a tecnologia florestal e a valorização da biomassa na resposta do setor? Esta é talvez uma das questões mais importantes que hoje se colocam à fileira florestal portuguesa. Não podemos falar de floresta apenas em termos ambientais ou económicos. Temos de falar também de gestão, prevenção, capacidade de intervenção e criação de valor. Os efeitos da tempestade Kristin tornaram essa realidade ainda mais evidente. Os ventos extremos provocaram a queda massiva de árvores e uma enorme acumulação de combustível lenhoso, com consequências em matéria de risco de incêndio e problemas fitossanitários. A recuperação de uma situação desta dimensão não é imediata e estima-se que possa exigir dois a três anos. É aqui que a mecanização e a tecnologia podem fazer uma diferença muito concreta. Uma floresta que se pretende resiliente precisa de ser conhecida, monitorizada, gerida e intervencionada. Precisa de meios para limpar, cortar, transportar, transformar e valorizar aquilo que a floresta produz, incluindo aquilo que resulta da sua gestão. E a biomassa tem neste contexto uma importância particular. Em Portugal representa já cerca de 8% a 10% da produção elétrica verde nacional e permite transformar resíduos florestais e industriais num recurso energético, contribuindo simultaneamente para a limpeza das florestas, para a prevenção de incêndios e para a redução da dependência de combustíveis fósseis. A FIMAP não pretende dar respostas políticas a estes problemas. O seu papel é outro, mas é muito importante: colocar à disposição dos profissionais as máquinas, as tecnologias e o conhecimento que lhes permitem responder melhor a esses desafios. As FIMAP Talks assumem nesta edição um papel reforçado, com um programa que inclui temas como a gestão florestal; tecnologia e internacionalização da indústria da madeira; descarbonização e eficiência energética através da biomassa; construção em madeira; digitalização de processos e ligação entre projeto e CNC; e as novas obrigações decorrentes do EUDR. O que pretende a organização acrescentar ao tradicional conceito de feira através deste espaço de debate e partilha de conhecimento? Uma feira profissional contemporânea não pode limitar- -se a mostrar produtos. Tem de ajudar os profissionais a compreender aquilo que está a mudar no seu setor e a tomar melhores decisões. É esse o objetivo das FIMAP Talks. Queremos que a feira seja simultaneamente um espaço de demonstração, de negócio e de conhecimento. Por isso, o programa aborda questões muito concretas que já estão a influenciar as empresas: internacionalização, digitalização, eficiência energética, biomassa, construção em madeira, segurança e produtividade, ligação entre projeto e CNC [Computer Numerical Control, na sigla em inglês] e as novas exigências decorrentes do regulamento europeu da desflorestação e da degradação florestal (EUDR). Há aqui uma preocupação muito clara de aproximar o debate da realidade das empresas. Não queremos criar uma conferência desligada da feira. Pelo contrário: queremos que aquilo que se discute nas Talks possa ser encontrado, no próprio recinto, nas tecnologias e soluções apresentadas pelos expositores. É essa ligação entre conhecimento e aplicação prática que nos parece particularmente importante. A FIMAP deve ser um lugar onde se aprende, se compara e, no final, se decide. A Agriterra, enquanto media partner da FIMAP, vai promover, no dia 22 de outubro, a mesa-redonda ‘A Floresta que queremos: entre a resiliência e a competitividade’. Que importância atribuem a este debate e quais são, na sua perspetiva, as principais questões que o setor agrícola e florestal deve discutir hoje quando fala de resiliência, competitividade e gestão ativa da floresta? Considero este debate particularmente oportuno porque toca numa questão que não pode continuar a ser adiada: que floresta queremos e que modelo de gestão estamos dispostos a construir para a tornar simultaneamente mais resiliente e mais competitiva? A resiliência não pode significar apenas a capacidade de a floresta resistir a incêndios, tempestades ou outros fenómenos extremos. Tem também de significar capacidade económica, capacidade de regeneração, capacidade de gestão e capacidade de gerar rendimento para quem dela depende. "Nesta feira a tecnologia não está apenas exposta; está ali para ser vista, comparada e avaliada por quem trabalha no terreno"
ENTREVISTA 17 E competitividade não deve ser entendida como uma oposição à sustentabilidade. Pelo contrário. Uma floresta economicamente valorizada é uma floresta que tem maiores possibilidades de ser cuidada, gerida e renovada. A questão fundamental é encontrarmos um equilíbrio entre proteção, produção e valorização económica. O setor precisa, por isso, de discutir gestão ativa, dimensão e estrutura da propriedade, mecanização, prevenção de incêndios, ordenamento, valorização dos resíduos, biomassa, inovação tecnológica e capacidade de resposta a fenómenos climáticos extremos. Mas precisa também de discutir conhecimento e cooperação. Nenhum destes problemas se resolve isoladamente. É necessária uma articulação entre produtores, empresas, associações, academia, administração pública e municípios. É por isso que valorizamos particularmente a presença da Agriterra neste debate. A FIMAP quer ser um espaço onde diferentes perspetivas da fileira possam encontrar- -se e discutir soluções concretas. A mesa-redonda do dia 22 enquadra-se perfeitamente nessa filosofia. Se tivesse de apontar três razões para um agricultor, produtor florestal, empresário ou técnico do setor visitar a FIMAP 2026, quais seriam? O que espera que um profissional leve consigo da feira no final dos quatro dias — em termos de conhecimento, contactos, soluções ou oportunidades de negócio? Diria, no essencial, três palavras: tecnologia, conhecimento e negócio. Primeiro, tecnologia, porque a FIMAP permite ao profissional ver aquilo que está disponível no mercado, comparar máquinas e soluções e perceber como pode aumentar eficiência, produtividade e capacidade de resposta. Segundo, conhecimento, porque a feira não é apenas uma exposição. As FIMAP Talks permitem acompanhar tendências e discutir problemas concretos que estão a transformar a fileira, da gestão florestal à biomassa, da digitalização à internacionalização. E terceiro, negócio. A FIMAP é uma feira profissional e tem uma vocação muito clara para criar contactos entre quem procura soluções e quem as fornece. Em 2024, 73% dos expositores afirmaram ter gerado oportunidades de negócio durante o evento e quase metade dos visitantes procurava especificamente novos fornecedores ou soluções técnicas. E acrescentaria ainda uma quarta palavra: visão. Porque aquilo que esperamos é que ninguém saia da FIMAP exatamente como entrou. Que saia com um novo contacto, uma nova solução, uma ideia para melhorar a sua atividade, uma tecnologia que desconhecia, uma oportunidade de negócio ou simplesmente uma compreensão mais clara de para onde está a caminhar a fileira. A FIMAP reúne, num único espaço, todos os elos dessa cadeia — desde a exploração florestal até à transformação da madeira, ao mobiliário e à valorização dos resíduos. Mais do que visitar uma feira, queremos que os profissionais venham à FIMAP para preparar o futuro das suas empresas e do próprio setor. n As revistas Agriterra, NovoPerfil e InterMetal são media partners da FIMAP - Feira de maquinaria industrial, biomassa, tecnologia florestal, automação, transformação de madeira e serviços especializados.
GESTÃO FLORESTAL | ENTREVISTA 18 LUÍS MIRA, SECRETÁRIO-GERAL DA CAP “Propomos a criação de um fundo europeu próprio para a prevenção dos incêndios rurais” Gabriela Costa A propósito do parecer do Comité Económico e Social Europeu (CESE) sobre a gestão dos riscos de incêndios florestais, que apresentou no início de setembro no Parlamento Europeu, o secretário-geral da CAP defende uma Europa que encare os incêndios rurais “como uma emergência permanente de segurança civil e uma questão de soberania territorial”, assumindo uma “estratégia integrada, permanente e prioritariamente preventiva”. Em entrevista à Agriterra, Luís Mira garante que “a agricultura e a floresta bem geridas são parte central da solução”, pois “quando a atividade produtiva se mantém, o risco diminui”.
GESTÃO FLORESTAL | ENTREVISTA 19 Em que medida a apresentação do parecer da CESE no Parlamento Europeu constitui um primeiro passo para mudar a abordagem europeia aos incêndios? A questão dos incêndios florestais constitui um desafio complexo para a nossa sociedade, que tem vindo a agravar-se e a estender-se a cada vez mais países, numa conjuntura climática progressivamente mais difícil. O parecer, do qual tenho a honra de ser o relator oficial, constitui um passo decisivo e estrutural sobre esta matéria, tendo sido aprovado por larga maioria no plenário do CESE. O documento foi levado à Comissão da Agricultura e do Desenvolvimento Rural do Parlamento Europeu (COMAGRI), que tem responsabilidade política sobre o futuro das zonas rurais europeias. A mensagem central que transmitimos é clara: os incêndios rurais já não podem ser tratados como um fenómeno sazonal, circunscrito ao sul da Europa ou resolvido apenas com reforço de meios de combate. Têm de ser encarados como uma emergência permanente de segurança civil e como uma questão de soberania territorial. O parecer propõe uma rutura com o modelo atual, excessivamente centrado na resposta reativa, e defende uma estratégia integrada, permanente e prioritariamente preventiva. Ao colocar este diagnóstico e estas propostas no centro do debate parlamentar europeu, abrimos caminho para que a Comissão Europeia e o próprio Parlamento incorporem estas orientações nas futuras políticas e no próximo Quadro Financeiro Plurianual. Defendem que a prevenção tem de passar a ser uma prioridade e ter financiamento próprio. Como? Existe hoje um desequilíbrio estrutural entre prevenção e combate. O parecer do CESE é inequívoco: a prevenção tem de ser a prioridade e precisa de financiamento específico. Propomos a criação, no próximo Quadro Financeiro Plurianual, de um fundo europeu próprio para a prevenção dos incêndios rurais. Este fundo não deve competir com os recursos destinados à atividade agrícola. Só assim se garante que o investimento na gestão do território, na redução de combustível vegetal e na manutenção de paisagens resilientes seja estável, previsível e de longo prazo. Além disso, é essencial adaptar regras de gestão florestal que hoje, em muitas regiões de elevado risco, dificultam as intervenções preventivas. A coordenação com o Mecanismo de Proteção Civil da UE deve ser reforçada, mas a base tem de ser a prevenção contínua e não a mobilização apenas quando o fogo já está ativo. De que modo são a agricultura e a floresta parte efetiva da solução para os incêndios e a gestão do território rural? A agricultura e a floresta bem geridas são parte central da solução, não o problema. A manutenção da atividade agrícola e pecuária e a gestão ativa da floresta são instrumentos de prevenção. Evitam o abandono rural, reduzem a acumulação de biomassa combustível e criam mosaicos de paisagem mais resilientes ao fogo. Os agricultores e os produtores florestais são os verdadeiros gestores do território. Quando a atividade produtiva se mantém, o risco diminui. Por isso o parecer defende o reconhecimento formal deste papel e o apoio a práticas que contribuam para a resiliência dos territórios: agricultura extensiva, gestão florestal ativa, diversificação de usos e recuperação de áreas abandonadas, promoção de medidas de autoproteção. Sem gente no território e sem atividade económica que o valorize, qualquer estratégia de prevenção fica incompleta. A CAP tem defendido consistentemente esta abordagem: a prevenção começa no campo, com quem lá vive e trabalha. O parecer do CESE traduz exatamente esta visão e coloca-a no centro do debate europeu. n “A base tem de ser a prevenção contínua e não a mobilização apenas quando o fogo já está ativo”
20 GESTÃO FLORESTAL Clube Navigator acelera modernização florestal O Clube Produtores Florestais Navigator alia-se à John Deere, Hitachi, Komatsu e Vicort para acelerar a modernização florestal. O reforço da rede de parcerias garante benefícios alargados e vantagens exclusivas em equipamentos e assistência técnica. O Clube Produtores Florestais Navigator reforçou a sua rede de parcerias, estabelecendo acordos com a Cimertex, a Moviter, e a Vicort, com o objetivo de disponibilizar aos seus membros condições mais vantajosas no acesso a equipamentos essenciais à atividade florestal. Estas parcerias enquadram-se no compromisso do Clube em apoiar os agentes da fileira, promovendo o acesso a soluções que contribuam para a modernização, eficiência e sustentabilidade das operações no terreno. Num setor em que a utilização de equipamentos de elevado desempenho é determinante para garantir a produtividade, a segurança e a continuidade das operações, estes protocolos facilitam o acesso a equipamento adequado e a serviços de assistência especializados, respondendo às diferentes necessidades da atividade florestal, defende a empresa, em comunicado. Ao abrigo dos protocolos com a Cimertex, representante oficial da Komatsu em Portugal, a Moviter, representante de marcas líderes mundiais, nomeadamente a John Deere, a Waratah, a Doppstadt e a Hitachi, entre outras, e a Vicort, os membros do Clube passam a beneficiar de um conjunto de vantagens na aquisição e manutenção de equipamentos, incluindo condições comerciais mais competitivas, bonificação na extensão de garantias, descontos em contratos de manutenção e na compra de peças. O protocolo assegura ainda o acesso a apoio técnico qualificado, com cobertura a nível nacional, contribuindo para uma maior fiabilidade dos equipamentos e para a continuidade das operações no terreno. Estas parcerias integram-se no conjunto de iniciativas que o Clube Produtores Florestais Navigator tem vindo a desenvolver para apoiar de forma concreta a atividade dos seus membros. Desde a sua criação, em 2023, o Clube tem promovido o acesso a financiamento, a soluções operacionais e a benefícios de escala, contribuindo para a capacitação das empresas e para o reforço da sua competitividade. Entre as iniciativas já implementadas destacam-se protocolos que proporcionam melhores condições de acesso a financiamento (Crédito Agrícola), o acesso a uma equipa especializada para a gestão e mitigação de riscos (Empremédia), benefícios nas áreas da energia e mobilidade (Galp, Moeve e OZ), ferramentas de apoio à empregabilidade (Clube de Emprego) e, mais recentemente, a criação de uma central de compras, o Clube de Compras, que já disponibiliza equipamentos de proteção individual e cuja oferta será alargada em breve a novas categorias de produtos. Estas novas parcerias “alargam o conjunto de soluções e condições diferenciadas disponíveis aos nossos parceiros e mostram como a colaboração facilita e acelera o investimento, a modernização das operações e reforça a competitividade de toda a fileira florestal”, sublinha Paulo Santos, do Clube Produtores Florestais Navigator. O Clube disponibiliza já apoio a mais de 1.000 parceiros associados. n
21 GESTÃO FLORESTAL Centro Pinus divulga 11.ª edição dos Indicadores da Fileira do Pinho O Centro Pinus publicou a 11.ª edição dos ‘Indicadores da Fileira do Pinho’, uma publicação anual que reúne e sistematiza os principais dados florestais, industriais, económicos e sociais do setor em Portugal, apresentando o retrato da fileira em 2025. Entre os indicadores florestais, destaca-se a certificação de 6,5 milhões de plantas de pinheiro-bravo na campanha de 2024/2025, menos 40% do que na campanha anterior. Esta quantidade corresponde a uma área potencial de plantação de 5206 hectares na época de 2025/2026. O número de agrupamentos de baldios aumentou de 19 para 48 em 2025, o que representa um crescimento de 153%. A área abrangida por estas estruturas aumentou 58%, para 186 218 hectares, um valor que reforça a organização e a gestão conjunta destes territórios comunitários, nos quais o pinhal-bravo tem uma presença relevante. O ano ficou também marcado por uma época de incêndios particularmente severa. Em Portugal continental arderam 270.695 hectares, dos quais 22% correspondiam a áreas de pinheiro-bravo. CONSUMO DE MADEIRA DIMINUIU 5% A indústria consumiu 3,27 milhões de metros cúbicos de madeira de pinho sem casca em 2025, menos 5% do que no ano anterior. A produção industrial de madeira serrada diminuiu igualmente 5%, enquanto a produção de aglomerado de partículas aumentou 2%. O Valor Acrescentado Bruto (VAB) da fileira do pinho alcançou 1.890 milhões de euros, o equivalente a um crescimento de 2% face ao ano anterior. Este indicador refere-se a dados económicos de 2024, os mais recentes disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), e representa 60% do VAB das indústrias florestais. A nova edição dos ‘Indicadores da Fileira do Pinho’ reúne mais de 22 indicadores e constitui uma ferramenta de referência para acompanhar a evolução do setor, apoiando empresas, proprietários, investigadores e decisores públicos na compreensão das principais tendências da atividade. A publicação permite ainda conhecer indicadores como o preço médio da aquisição de madeira em pé nas hastas públicas do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e o preço médio da resina nacional à entrada da fábrica. n
22 GESTÃO FLORESTAL BioRootGuard desenvolve película biodegradável para proteger as raízes das árvores O projeto de investigação BioRootGuard está a desenvolver uma película plástica biodegradável destinada a proteger as raízes das árvores durante a fase de instalação, reduzindo as perdas causadas pelas larvas do escaravelho-de-maio e pelo escaravelhojaponês, duas pragas que representam uma ameaça crescente para as ações de reflorestação em grande escala. Para além dos fatores de stress relacionados com as alterações climáticas, os danos causados pela alimentação das larvas do escaravelho-de-maio e, cada vez mais, pelo invasivo escaravelho-japonês representam uma ameaça significativa para o sucesso das ações de reflorestação em grande escala. O projeto de investigação BioRootGuard tem, por isso, como objetivo desenvolver uma película plástica biodegradável capaz de proteger as raízes das árvores durante a fase de instalação, reduzindo as perdas, por vezes significativas, provocadas por estas pragas e evitando, simultaneamente, impactos ambientais. Para alcançar este objetivo, um consórcio constituído por parceiros da indústria e da investigação, liderado pela FKuR Kunststoff, reúne competências especializadas nas áreas do desenvolvimento de materiais, das
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