OPINIÃO | FRUTOS SECOS 76 Frutos secos: a nova força estratégica da agricultura portuguesa Nuno Russo, diretor executivo da Portugal Nuts Durante demasiado tempo, os frutos secos foram uma presença discreta na agricultura portuguesa. Hoje, essa realidade mudou de forma irreversível. O setor - em particular amêndoa e noz - tornou-se um dos pilares mais dinâmicos, modernos e estratégicos do nosso sistema agroalimentar, refletindo a transformação profunda que a agricultura nacional viveu na última década. Portugal está a emergir como um dos principais produtores de frutos secos da Europa e do mundo, especialmente de amêndoas e nozes. O setor de frutos secos em Portugal passou por um caminho notável de transformação, e esta evolução faz parte de um movimento mais amplo que modernizou a agricultura portuguesa. Os frutos secos beneficiaram desta mudança estrutural, com investimentos também no setor industrial, surgindo unidades de processamento modernas, com unidades de descasque, pelagem, secagem e embalagem, marcas nacionais direcionadas para mercados de valor e uma presença crescente em feiras internacionais. O setor está a mostrar um crescimento sólido, com um impacto direto na economia, na balança comercial e na reputação global dos produtos agroalimentares portugueses. Esta afirmação não é retórica: é sustentada por números, investimentos, tecnologia e resultados concretos. Portugal é hoje o segundo maior produtor de amêndoa da Europa e já se posiciona entre os cinco maiores produtores e exportadores mundiais. No caso da noz, o país é o quinto maior produtor de noz da Europa, e estamos no top 15 dos maiores do mundo. O crescimento da área de produção é revelador: • 73.774 hectares de amendoal, mais do dobro de há dez anos; • 5.720 hectares de nogueiras, quase duplicou em relação a 2014; • 132.500 hectares de frutos de casca rija, um aumento de 90% na última década. Segundo os dados do INE, em 2024 Portugal exportou mais de 130 milhões de euros em frutos secos, com as amêndoas a liderar, alcançando 100,24 milhões de euros - um aumento de 68,6% em comparação a 2023. As nozes também registaram uma subida significativa, atingindo 2,2 milhões de euros, um crescimento de 27,8% face ao ano anterior. Com uma taxa de autossuficiência de cerca de 140% e uma balança comercial positiva de 76,4 milhões de euros, os frutos secos portugueses passaram a ser sinónimo de qualidade, sustentabilidade e inovação. Este dinamismo traduz-se diretamente na economia nacional, e já em 2025, Portugal exportou mais de 156 milhões de euros em frutos secos, um novo máximo histórico, dos quais 115,45 milhões em amêndoa (+15% face a 2024) e 3,3 milhões em noz (+50% do que em 2024), representando 6% do total das exportações dos produtos vegetais nacionais.
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