ENTREVISTA 38 A Lusomorango tem vindo a implementar um Plano de Gestão Ambiental. Quais são as principais medidas em curso e de que forma contribuem para responder a desafios como a escassez de água, as alterações climáticas, a redução da pegada ambiental e a eficiência na utilização dos recursos? O Plano de Gestão Ambiental (PGA) 2026-2028 é um projeto estruturante da Lusomorango, desenvolvido no âmbito do Programa Operacional 2026-2028, que pretende apoiar os produtores associados na resposta às crescentes exigências ambientais, regulamentares e de mercado. Um dos princípios fundamentais do PGA é medir para conhecer e conhecer para melhorar. O projeto prevê uma avaliação integrada da pegada de carbono, de acordo com a pegada carbónica (ISO 14067), a pegada hídrica (ISO 14046) e a pegada ecológica. Esta abordagem permitirá construir uma visão mais abrangente do desempenho ambiental das produções agrícolas. Entre os objetivos estão a redução das emissões associadas à produção e à logística, a melhoria da eficiência hídrica, a redução da utilização de fitofármacos e fertilizantes, o reforço da resiliência das culturas às alterações climáticas, a promoção da biodiversidade e o incentivo à economia circular. O PGA prevê ainda a criação de um Índice de Sustentabilidade, que permitirá consolidar indicadores ambientais, sociais e económicos e acompanhar a evolução ao longo do tempo. Há uma dimensão que considero particularmente importante: este não é um plano pensado apenas para cada produtor individualmente. É um projeto conjunto. A Lusomorango tem a capacidade de reunir informação, conhecimento e recursos e de criar uma verdadeira economia de escala, partilhando esse conhecimento com os produtores associados e com outras entidades que dele necessitem. A sustentabilidade tem de deixar de ser apenas uma intenção e passar a ser cada vez mais uma realidade medida, acompanhada e melhorada. A disponibilidade de mão de obra continua a ser uma das maiores preocupações dos produtores. Como está a evoluir esta realidade e que soluções considera essenciais para garantir a competitividade e o crescimento da produção em Portugal? A mão de obra continua a ser uma questão central para toda a economia nacional e, naturalmente, também para a agricultura portuguesa e, em particular, para territórios onde a produção agrícola tem uma forte necessidade de trabalhadores. O tema não pode ser analisado apenas numa perspetiva de disponibilidade de pessoas para trabalhar. É necessário olhar para as condições que permitem atrair, fixar e integrar trabalhadores, sobretudo num território como Odemira. Isso significa falar de habitação, saúde, educação, mobilidade, serviços públicos e integração, além das próprias condições de trabalho. É uma questão que ultrapassa claramente a capacidade individual dos produtores. Precisamos de uma resposta coordenada entre empresas, autarquias e administração central, porque estamos a falar de infraestruturas e serviços que ultrapassam a capacidade de resposta individual de cada produtor, e que são essenciais não apenas para a agricultura, mas para a sustentabilidade económica e social dos territórios. A Lusomorango tem defendido precisamente essa abordagem. O crescimento da produção agrícola deve ser acompanhado por uma visão territorial, capaz de responder às necessidades das pessoas que vivem e trabalham nestas regiões. E há uma questão adicional: a competitividade não pode assentar na redução de custos laborais. Tem de assentar em produtividade, organização, conhecimento, tecnologia e capacidade de criar valor. Os mercados e os consumidores exigem cada vez mais produtos sustentáveis, rastreáveis e produzidos de forma responsável. Como é que estas exigências estão a transformar a forma de produzir pequenos frutos e que impacto têm na estratégia da Lusomorango? Estas exigências já fazem parte da realidade dos mercados para os quais trabalhamos. A Lusomorango tem mais de 95% da sua produção destinada à exportação e coloca os seus pequenos frutos em mercados altamente exigentes, como a Alemanha, o Reino Unido e os países nórdicos. A qualidade é, por isso, um fator essencial de diferenciação. Mas qualidade, hoje, não significa apenas o produto final. Significa também como é produzido, como são utilizados É fundamental concretizar os investimentos previstos para a modernização do Perímetro de Rega do Mira
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