BA28 - Agriterra

ENTREVISTA 16 A gestão ativa da floresta e do território ganhou uma importância acrescida, nomeadamente perante o risco de incêndio, os efeitos de fenómenos meteorológicos extremos e a necessidade de valorizar os recursos florestais. De que forma a FIMAP 2026 responde a estes desafios e que papel poderão ter a mecanização, a tecnologia florestal e a valorização da biomassa na resposta do setor? Esta é talvez uma das questões mais importantes que hoje se colocam à fileira florestal portuguesa. Não podemos falar de floresta apenas em termos ambientais ou económicos. Temos de falar também de gestão, prevenção, capacidade de intervenção e criação de valor. Os efeitos da tempestade Kristin tornaram essa realidade ainda mais evidente. Os ventos extremos provocaram a queda massiva de árvores e uma enorme acumulação de combustível lenhoso, com consequências em matéria de risco de incêndio e problemas fitossanitários. A recuperação de uma situação desta dimensão não é imediata e estima-se que possa exigir dois a três anos. É aqui que a mecanização e a tecnologia podem fazer uma diferença muito concreta. Uma floresta que se pretende resiliente precisa de ser conhecida, monitorizada, gerida e intervencionada. Precisa de meios para limpar, cortar, transportar, transformar e valorizar aquilo que a floresta produz, incluindo aquilo que resulta da sua gestão. E a biomassa tem neste contexto uma importância particular. Em Portugal representa já cerca de 8% a 10% da produção elétrica verde nacional e permite transformar resíduos florestais e industriais num recurso energético, contribuindo simultaneamente para a limpeza das florestas, para a prevenção de incêndios e para a redução da dependência de combustíveis fósseis. A FIMAP não pretende dar respostas políticas a estes problemas. O seu papel é outro, mas é muito importante: colocar à disposição dos profissionais as máquinas, as tecnologias e o conhecimento que lhes permitem responder melhor a esses desafios. As FIMAP Talks assumem nesta edição um papel reforçado, com um programa que inclui temas como a gestão florestal; tecnologia e internacionalização da indústria da madeira; descarbonização e eficiência energética através da biomassa; construção em madeira; digitalização de processos e ligação entre projeto e CNC; e as novas obrigações decorrentes do EUDR. O que pretende a organização acrescentar ao tradicional conceito de feira através deste espaço de debate e partilha de conhecimento? Uma feira profissional contemporânea não pode limitar- -se a mostrar produtos. Tem de ajudar os profissionais a compreender aquilo que está a mudar no seu setor e a tomar melhores decisões. É esse o objetivo das FIMAP Talks. Queremos que a feira seja simultaneamente um espaço de demonstração, de negócio e de conhecimento. Por isso, o programa aborda questões muito concretas que já estão a influenciar as empresas: internacionalização, digitalização, eficiência energética, biomassa, construção em madeira, segurança e produtividade, ligação entre projeto e CNC [Computer Numerical Control, na sigla em inglês] e as novas exigências decorrentes do regulamento europeu da desflorestação e da degradação florestal (EUDR). Há aqui uma preocupação muito clara de aproximar o debate da realidade das empresas. Não queremos criar uma conferência desligada da feira. Pelo contrário: queremos que aquilo que se discute nas Talks possa ser encontrado, no próprio recinto, nas tecnologias e soluções apresentadas pelos expositores. É essa ligação entre conhecimento e aplicação prática que nos parece particularmente importante. A FIMAP deve ser um lugar onde se aprende, se compara e, no final, se decide. A Agriterra, enquanto media partner da FIMAP, vai promover, no dia 22 de outubro, a mesa-redonda ‘A Floresta que queremos: entre a resiliência e a competitividade’. Que importância atribuem a este debate e quais são, na sua perspetiva, as principais questões que o setor agrícola e florestal deve discutir hoje quando fala de resiliência, competitividade e gestão ativa da floresta? Considero este debate particularmente oportuno porque toca numa questão que não pode continuar a ser adiada: que floresta queremos e que modelo de gestão estamos dispostos a construir para a tornar simultaneamente mais resiliente e mais competitiva? A resiliência não pode significar apenas a capacidade de a floresta resistir a incêndios, tempestades ou outros fenómenos extremos. Tem também de significar capacidade económica, capacidade de regeneração, capacidade de gestão e capacidade de gerar rendimento para quem dela depende. "Nesta feira a tecnologia não está apenas exposta; está ali para ser vista, comparada e avaliada por quem trabalha no terreno"

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