52 PEGADA E CRÉDITOS DE CARBONO Do custo do carbono ao ativo agrícola: está Portugal preparado? Durante décadas, a discussão sobre o carbono na agricultura esteve sobretudo centrada nas emissões. Agora, a questão começa a ser outra: quanto vale o carbono que uma exploração consegue reduzir ou armazenar? Medir a pegada carbónica pode deixar de ser apenas uma exigência ambiental e passar a ter consequências comerciais e económicas. Marta Clemente A mudança já se sente em algumas fileiras e explorações mais profissionalizadas, sobretudo ligadas à exportação e a grandes cadeias de valor. Mas noutras faltam dados e capacidade de monitorização, deixando por responder uma questão central: quanto custa reduzir o carbono e quem fica com o valor criado? A agricultura está no centro desta discussão. Emite gases com efeito de estufa através da fertilização, gestão de efluentes, combustíveis e energia, mas pode também remover e armazenar carbono nos solos, culturas permanentes, pastagens e sistemas agroflorestais. É neste contexto que a Comissão Europeia tem promovido o carbon farming e, em julho de 2026, adotou as primeiras metodologias europeias específicas para estas atividades, abrangendo a agricultura e agrofloresta em solos minerais, a recuperação de turfeiras e outros solos orgânicos e a aforestação. Vista de satélite de campo agrícola com NDVI. Foto: Agroinsider. DA PEGADA AO SOLO Calcular a pegada de carbono significa quantificar as emissões de gases com efeito de estufa associadas a uma atividade ou sistema produtivo, começando pela identificação das diferentes fontes de emissão. Numa exploração agrícola devem ser consideradas as emissões diretamente geradas pela atividade – como a combustão de combustível, determinadas emissões associadas à fertilização e à gestão dos solos ou a atividade pecuária –, mas também as emissões indiretas associadas à energia adquirida e a outras etapas da cadeia de valor. É esta a lógica dos Scopes do GHG Protocol (Greenhouse Gas Protocol): o Scope 1 corresponde às emissões diretas de fontes que a exploração possui ou controla; o Scope 2 às emissões indiretas associadas à produção da energia adquirida, como a eletricidade; e o Scope 3 às restantes emissões indiretas que ocorrem na cadeia de valor, tanto a montante como a jusante. Na prática, a quantificação da pegada de carbono de uma exploração pode exigir informação sobre fertilizantes e outros fatores de produção, combustíveis, eletricidade, rega, operações
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