VITIVINICULTURA 72 Alentejana (PSVA, 2026). O PSVA integra 725 membros, 28 dos quais certificados e 15.000 ha de vinha (cerca de 56% da área de vinha do Alentejo). Em 2023, surge o Referencial Nacional de Certificação de Sustentabilidade do Setor Vitivinícola (RNCSSV), da iniciativa conjunta do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) e da ViniPortugal, para harmonizar princípios e critérios de sustentabilidade a nível nacional (ViniPortugal, 2025). O programa conta com 75 empresas certificadas (ViniPortugal, 2026), estando outras em fase de preparação e auditoria. O Referencial permitiu alargar a certificação ao país e deverá beneficiar a imagem dos vinhos portugueses em mercados internacionais. Também a nível nacional, a região dos Vinhos Verdes tem desenvolvido as bases de um programa de sustentabilidade através do chamado Coletivo de Sustentabilidade da Região dos Vinhos Verdes para unir a fileira regional e promover a transição ambiental e digital do setor (AGROTEC, 2026). Para além dos referenciais nacionais, as empresas portuguesas mais exportadoras estão certificadas por programas internacionais (por exemplo, Fair’n Green, B Lab, NP EN ISO 14001:2006) (Figura 1). No caso do ISO 14001, a nova versão de 2026 reforça temas como alterações climáticas, biodiversidade, gestão de riscos ambientais e sustentabilidade na cadeia de fornecimento (KPMG, 2026). 4. GESTÃO DE ÁGUA/ÁGUAS RESIDUAIS, ENERGIA E EMISSÕES DE CO2 A par da gestão energética e das emissões de gases de efeito de estufa, a gestão eficiente de água/ águas residuais é uma componente básica da sustentabilidade das empresas vitivinícolas (Costa et al., 2020a; Oliveira et al., 2022; Matos et al. 2025; Pires 2026). A gestão/monitorização do uso da água/águas residuais deve ser feita na vinha, na adega e na linha de engarrafamento. Considerando um sistema vinha-adega, com produção de uva em sequeiro, a vinificação e o engarrafamento surgem como os processos com maiores consumos de água e volumes de águas residuais gerados (Pires, 2026) (Figura 2), ao contrário de um sistema vinhas regadas, onde a pegada hídrica depende em 80% da rega (Matos et al., 2025). Contudo, há ainda limitações na monitorização e nas métricas dos gastos de água na vinha e adega (OIV, 2025) e na quantificação das águas residuais geradas que importa otimizar (Costa et al., 2020a; Pires, 2026) (Figura 2). Cerca de 70 % das empresas agrícolas em Portugal não dispunha de caudalímetros (FCG, 2020) e as que dispõem, têm um número limitado (por exemplo, um caudalímetro como contador geral), impedindo a deteção de pontos críticos de consumo e ineficiências (fugas). Além disso, a inventariação dos gastos de água, águas residuais produzidas e energia gasta é baseada em dados de faturação, o que condiciona a aferição de gastos pontuais (por exemplo, por equipamento) (Leitão et al., 2026; Vela et al., 2017), faltando históricos e auditorias energéticas (Ferreira, 2017). Estudos prévios mostraram que mais de 90% da energia consumida está associada à vinificação (Matos et al., 2025). 5. QUESTÕES DE SUSTENTABILIDADE: ÁGUA/ ÁGUAS RESIDUAIS E ENERGIA EM EMPRESAS DA REGIÃO DE LISBOA E SETÚBAL Nos estudos desenvolvidos no ISA em colaboração com micro, pequenas e médias empresas da região de e, energia gasta é baseada em dados de faturação o que condiciona a aferição de gastos pontuais (ex. por equipamento) (Leitão et al., 2026; Vela et al., 2017) faltando históricos e auditorias energéticas (Ferreira, 2017). Estudos prévios mostraram que mais de 90% da energia consumida está associada à vinificação (Matos et al., 2025). Figura 2. Modelo conceptual de um sistema integrado vinha-adega para aferir inputs e outputs relacionados com a gestão de água e de águas residuais na vinha e na adega (Baseado em Pires 2026) Figura 2. Modelo concetual de um sistema integrado vinha-adega para aferir inputs e outputs relacionados com a gestão de água e de águas residuais na vinha e na adega (Baseado em Pires 2026).
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