ENTREVISTA 60 O passaporte digital do produto pode ajudar a diferenciar claramente esses materiais nos fluxos de fim de vida? O passaporte digital do produto irá reunir informações verificáveis sobre a composição, a origem das matérias- -primas, as certificações ambientais e as instruções de fim de vida de cada material. Graças a dados padronizados e interoperáveis, será possível identificar a biodegradabilidade certificada dos materiais e o seu tratamento adequado nos sistemas de gestão de resíduos. Este nível de transparência deverá aumentar a competitividade dos materiais com melhor desempenho ambiental, bem como a pressão sobre os polímeros fósseis com maior impacto. Além disso, o sistema irá incentivar o ecodesign e favorecer decisões de compra mais responsáveis por parte dos consumidores e da distribuição. Também irá melhorar a eficiência da reciclagem e da compostagem, reduzindo a contaminação nos fluxos de resíduos. Nesse cenário, é previsível que as empresas centradas na circularidade se destaquem em relação às demais. Nos próximos cinco ou dez anos, que tendências serão mais determinantes para a consolidação dos biopolímeros? Nos próximos cinco ou dez anos, vários fatores irão convergir para favorecer a consolidação dos biopolímeros na agricultura e em outras indústrias. O mercado de acolchoamento biodegradável deverá crescer aproximadamente 10% entre 2025 e 2029, impulsionado pela inovação, regulamentação e procura por soluções com menor impacto ambiental. A visibilidade dos custos reais da reciclagem de plásticos agrícolas, o maior controlo sobre a qualidade do solo e as políticas de economia circular na Europa deverão acelerar a substituição de materiais convencionais. Na agricultura, os filmes de cobertura biodegradáveis, os grampos e as estacas compostáveis permitirão evitar a poluição plástica e melhorar a eficiência produtiva. O seu desempenho no campo e a sua conformidade regulamentar serão fatores-chave. Ao mesmo tempo, a pressão para reduzir as emissões e demonstrar a rastreabilidade impulsionará materiais compostáveis certificados como ecovio em aplicações onde a reciclagem mecânica não é viável. A evolução normativa, uma maior disponibilidade de infraestruturas de compostagem e ferramentas como o passaporte digital do produto facilitarão a sua adoção. Por fim, a coordenação de toda a cadeia de valor será essencial para permitir uma implantação em grande escala. Para terminarmos, que mensagem gostaria de deixar aos industriais ibéricos que estão a considerar integrar estes materiais nas suas cadeias de valor? Os plásticos biodegradáveis-compostáveis, ou BioComs, e a sua ampla gama de aplicações representam uma oportunidade de crescimento económico numa região tão dinâmica como a Península Ibérica, fortemente ligada ao mercado internacional através das exportações. Os biopolímeros e os materiais biodegradáveis-compostáveis não são apenas uma alternativa sustentável. Representam também uma oportunidade para se diferenciar, antecipar a regulamentação e aportar um valor acrescentado real. Com as soluções adequadas, é possível combinar desempenho técnico, eficiência económica e sustentabilidade. A chave reside na adoção de uma abordagem colaborativa entre fabricantes, transformadores, marcas, agricultores e gestores de resíduos. n Ecovio e ecoflex são marcas registadas, propriedade da BASF. Esta entrevista foi realizada no âmbito do IX Seminário Internacional sobre Biopolímeros e Compósitos Sustentáveis, organizado pelo centro tecnológico Aimplas, que teve lugar nos dias 4 e 5 de março de 2026, em Valência, Espanha.
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