VITIVINICULTURA 71 1. O SETOR VITIVINÍCOLA PORTUGUÊS: SINOPSE Portugal é um dos maiores produtores de vinho a nível europeu e mundial, com cerca de 6,9 milhões de hL produzidos anualmente e uma área cultivada de 169,000 ha, 66% da qual localizada nas regiões do Douro, Alentejo, Vinhos Verdes, e Lisboa (IVV, 2026). Em 2025, as exportações de vinho atingiram os 341 milhões de litros e 953,5 milhões de euros, com um preço médio de 2,80 €/litro (ViniPortugal, 2026). O contexto atual do setor caracteriza-se por uma diminuição e/ou estagnação do consumo de vinho (OIV, 2025, BMO 2026), resultado da alteração de hábitos de consumo (maior consumo de outras bebidas entre os mais jovens, vinhos com menos/sem álcool) em paralelo com campanhas antiálcool. O cenário geopolítico impõe também incertezas no comércio externo. A ‘nova’ relação UE-EUA prejudica a entrada de vinho europeu no mercado americano, e há uma ‘nova’ dinâmica comercial entre BRICS (ex. África do Sul - China). As alterações climáticas acarretam também problemas com secas mais severas e prolongadas, ondas de calor mais frequentes, maior variabilidade climática (intra e inter anual) que aumentam riscos e perdas de rendimento (IPCC, 2023; Costa et al., 2020a). Os preços baixos da uva, o aumento de custos de produção e a importação de vinho estrangeiro completam o panorama nacional (IVV, 2026). 2. SUSTENTABILIDADE VS TIPOLOGIA DAS EMPRESAS NO SETOR DO VINHO O tópico sustentabilidade não é novo, mas continua atual (Costa e Catarino, 2024). Os primeiros programas de sustentabilidade para o setor surgem em 1995 e 1998 na Nova Zelândia e França, respetivamente, estendendo-se depois a outros países (Flores, 2018). A sustentabilidade tornou-se parte integrante da estratégia de competitividade e resiliência empresarial, contribuindo para ganhos de eficiência no uso de recursos (mão- -de-obra, água, energia, fitofármacos, produtos enológicos). Os mercados internacionais impõem mais exigências e países como a Suécia, a Noruega, a Finlândia, o Canadá e mesmo os EUA, onde o Estado é o único comprador e retalhista autorizado, exigem cada vez mais certificações. Os programas de certificação para a sustentabilidade facilitam a organização interna das empresas, promovendo a organização de inventários e auditorias internas e têm como objetivo a melhoria contínua. Podem também favorecer a diferenciação e permitir a entrada em mercados mais maturos e ajudam a projetar a região/ país no mercado externo (PSVA, 2026). O setor do vinho na UE é largamente dominado por micro e pequenas empresas, muitas com gestão familiar (CEEV, 2024). Em Portugal as micro e pequenas empresas representam mais de 95% da estrutura empresarial (Fontes e Bianchi de Aguiar, 2023; BP, 2024). A relevância socioeconómica destas empresas vitivinícolas torna crítico maior atenção a este segmento por parte do Estado e o desenvolvimento de ferramentas e métricas simples para apoio à gestão, nomeadamente para aspetos relacionados com a sustentabilidade na vinha e na adega (ex. uso de água, energia, gestão de águas residuais e emissões de CO2) (Pires, 2026; Saraiva et al., 2026; Karalis e Kanakoudis, 2023). 3. PROGRAMAS DE CERTIFICAÇÃO E SUSTENTABILIDADE EM PORTUGAL Em 2013, a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana lançou o Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo (PSVA), pioneiro a nível nacional na certificação da sustentabilidade das empresas vitivinícolas. O PSVA integra critérios ambientais, económicos e sociais, promovendo a melhoria contínua adaptada à realidade regional Figura 1. Exemplos de selos de sustentabilidade referentes aos dois programas de cariz nacional (PSVA e Referencial Nacional) (topo) e a programas /certificações de cariz internacional (Fair’Green, B Corp e ISO 14001) adotadas por empresas tipicamente exportadoras. Figura 1. Exemplos de selos de sustentabilidade referentes aos dois programas de cariz nacional (PSVA e Referencial Nacional)(topo) e a programas /certificações de cariz internacional (Fair’Green, B Corp e ISO 14001) adoptadas por empresas tipicamente exportadoras. 3. Gestão de água/águas residuais, energia e emissões de CO2 A gestão eficiente de água/ águas residuais, a par da gestão energética e das emissões de gases
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