ENTREVISTA 15 A FIMAP 2026 apresenta-se com uma dimensão reforçada, mais expositores, maior área e um dia adicional de feira. Que expectativas têm para esta edição em termos de participação de empresas e de visitantes profissionais? E que importância atribuem à presença internacional, nomeadamente de empresas oriundas de Espanha, Áustria, Itália, Suíça, Alemanha, França e Taiwan? A expectativa é muito positiva. A FIMAP 2026 chega a esta 23.ª edição com uma dimensão reforçada, quer em número de expositores quer em área ocupada, e com uma alteração particularmente significativa: passamos de três para quatro dias de feira, acrescentando um dia dedicado a mais oportunidades de negócio e networking. Há um dado que considero particularmente revelador da confiança que o mercado deposita na FIMAP: praticamente todas as empresas que estiveram presentes na última edição renovaram a sua participação. Ao mesmo tempo, fomos registando a entrada de novos expositores e um crescimento da área ocupada, ao ponto de o espaço desenhado em planta estar praticamente esgotado. As informações que temos relativamente à procura por parte dos visitantes profissionais apontam também para um crescimento significativo, tendo em conta o volume de convites já solicitado. Mas não queremos medir o sucesso da FIMAP apenas pelo número de empresas ou de visitantes. O que nos interessa é a qualidade das relações que se estabelecem e a capacidade de gerar negócio. Em 2024, tivemos mais de 70 expositores e mais de seis mil visitantes. E os indicadores dessa edição são muito expressivos: 73% dos expositores geraram oportunidades de negócio durante a feira e 49% dos visitantes procuravam novos fornecedores ou soluções técnicas. A dimensão internacional é, por isso, estratégica. Ter empresas de Espanha, Áustria, Itália, Suíça, Alemanha, França e Taiwan significa trazer para a EXPONOR tecnologia, equipamentos, conhecimento e marcas de referência mundial. Mas, significa também criar uma ponte entre as empresas portuguesas e mercados externos. A fileira da madeira e do mobiliário tem um forte perfil exportador e a internacionalização continua a ser uma das suas grandes prioridades. A FIMAP deve ser precisamente isso: uma plataforma onde a indústria portuguesa encontra tecnologia, fornecedores e parceiros para crescer em Portugal e competir melhor no exterior. A FIMAP reúne num mesmo espaço diferentes elos da cadeia de valor, desde a exploração florestal e silvicultura à transformação da madeira, biomassa e mobiliário. Para os profissionais do setor agrícola e florestal, quais são as principais áreas da feira que considera que merecem uma visita mais atenta? E que soluções ou tecnologias espera que despertem maior interesse nesta edição? Uma das grandes vantagens da FIMAP é precisamente permitir olhar para a fileira como um todo. Não estamos perante uma feira exclusivamente de máquinas para trabalhar madeira. Temos tecnologia florestal e silvicultura, máquinas e equipamentos para a produção florestal, equipamentos para corte e transformação, soluções para resíduos florestais, ferramentas, serviços especializados e, naturalmente, toda a componente ligada à transformação da madeira e ao mobiliário. Para um profissional agrícola ou florestal, eu diria que vale particularmente a pena prestar atenção às soluções de mecanização e eficiência da exploração, às tecnologias que permitem melhorar a gestão e o acompanhamento da floresta e às soluções de valorização dos resíduos e da biomassa. Estamos também perante uma transformação tecnológica muito importante. Automação, digitalização, sensores, drones, inteligência artificial e sistemas de monitorização estão a alterar a forma como se gere o território e como se organiza a produção. Nas FIMAP Talks vamos precisamente abordar algumas destas tendências, designadamente a utilização de drones e satélites na gestão florestal e as aplicações da inteligência artificial na otimização de processos e recursos. E há uma característica da FIMAP que considero essencial: a tecnologia não está apenas exposta; está ali para ser vista, comparada e avaliada por quem trabalha no terreno. O visitante pode conhecer equipamentos, comparar soluções e perceber de que forma determinada tecnologia pode responder a um problema concreto da sua atividade. Em 2024, o tempo médio de permanência na feira foi de quatro horas, o que demonstra esse envolvimento efetivo dos profissionais com a oferta apresentada. "O debate da Agriterra é particularmente oportuno porque toca numa questão que não pode continuar a ser adiada: que modelo de gestão estamos dispostos a construir para tornar a floresta simultaneamente mais resiliente e mais competitiva?"
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