OPINIÃO | FRUTOS SECOS 77 Em termos globais, a área plantada registou um crescimento consistente, a produção aumentou de forma significativa, as exportações aceleraram de modo expressivo e o saldo comercial do setor permanece amplamente positivo. Este crescimento não é obra do acaso: resulta de investimento dos nossos associados, e de outros produtores de frutos secos, mas também da visão do setor e da capacidade de adaptação das empresas às condições existentes. O investimento estratégico na produção, resultante do compromisso com a tecnologia e inovação no setor, combinado com a gestão eficiente de recursos e fatores de produção, aumentou a produtividade e reforçou a competitividade internacional. Paralelamente a este crescimento, surgiram novos investimentos, tanto domésticos como estrangeiros, nas áreas de produção e processamento, o que explica a tendência de crescimento na indústria e, consequentemente, nas quantidades de frutos secos processados. Contudo, há necessidade de apoio ao investimento associada ao cluster dos frutos secos em Portugal, criando uma cadeia de abastecimento mais 'verticalizada' que permita uma maior criação de valor para a produção nacional, para que possa ser colocada no mercado internacional. Ainda assim, há sinais claros de evolução. Pela primeira vez, a exportação de amêndoas sem casca ultrapassou as amêndoas com casca, representando agora 65% do valor exportado, um indicador de maior valorização e sofisticação do produto português. O setor enfrenta, naturalmente, pressões crescentes, à semelhança dos restantes setores agrícolas: aumento dos custos de produção e energia, retirada e suspensão de substâncias ativas na proteção de culturas, política e regulação da água mais exigentes, volatilidade internacional dos preços e instabilidade do mercado. Ultrapassar estes desafios exige uma gestão prudente e estratégias de diferenciação baseadas na qualidade, origem e certificação. E a resposta está a ser construída: mais organização, mais escala, mais inovação, mais processamento nacional, mais certificação e diferenciação pela qualidade e origem. É necessário continuar a crescer, com sustentabilidade económica das operações, reduzindo custos, fortalecendo a cooperação entre produtores, investindo em inovação e transformação nacional, criando escala e focando em marcas próprias, para que o valor acrescentado permaneça no país. Mas a inovação tecnológica é essencial - o uso de sensores, drones, modelos preditivos e gestão integrada de explorações, pesquisa aplicada em variedades, nutrição e proteção de culturas -, garantindo o avanço contínuo do conhecimento e da produtividade. O potencial de crescimento continua enorme. A consolidação das áreas já plantadas, o investimento industrial e a diversificação de culturas, como pistácios ou avelãs, reforçarão a resiliência e rentabilidade do setor. A procura global por frutos secos continua a crescer, e o mercado mundial continua a expandir-se, impulsionados por novas tendências em alimentação saudável, dietas equilibradas e uma preferência por alimentos naturais de fontes sustentáveis. A Portugal Nuts – Associação de Promoção de Frutos Secos tem desempenhado, e continuará a desempenhar, um papel fundamental nesta evolução, posicionando o país como um player competitivo, tanto nos mercados europeus como nos globais, através de ações promocionais, estudos técnicos, eventos e projetos de investimento e investigação, contribuindo para reforçar a imagem e o conhecimento dos frutos secos nacionais, garantindo um futuro promissor para a fileira. Os frutos secos deixaram de ser apenas uma oportunidade: são hoje um exemplo de agricultura moderna e sustentável, e com visão de futuro. O setor está bem posicionado para continuar a crescer, a exportar valor e a afirmar-se como uma referência em qualidade e competitividade. Portugal tem condições únicas — clima, conhecimento técnico, capacidade de inovação e produtores altamente profissionais — para se destacar como referência europeia e mundial na produção de frutos secos de elevada qualidade, sustentáveis e competitivos. Há pouco mais de uma década, os frutos secos eram uma cultura marginal. Hoje, são uma das maiores histórias de sucesso da agricultura portuguesa. O futuro não é apenas promissor: é uma oportunidade estratégica que o país não pode desperdiçar. n
RkJQdWJsaXNoZXIy Njg1MjYx