VITIVINICULTURA 74 Lisboa e Setúbal, verificou-se que a adesão a programas de certificação não é uniforme. A complexidade das normas impostas pelos programas e a necessidade de recursos adicionais (financeiros e humanos) para recolha e organização de dados, os custos com consultoria externa (que variam com o tamanho da operação) e os custos do programa adotado podem dissuadir as empresas (Correia, 2024; Leitão 2026). Além disso, as prioridades de cada agente económico dependem da sua equipa de gestão, formação dos quadros e objetivos em termos de adoção de boas práticas. Todavia, para microempresas de nicho, a certificação pode ser menos relevante, pois a venda/valor do vinho depende da história, do terroir e da empresa (Correia, 2024). CONCLUSÕES A certificação para a sustentabilidade tem um papel estratégico no futuro do setor vitivinícola, cada vez mais competitivo e com desafios que requerem soluções adequadas a diferentes níveis (Quadro 1). A certificação das empresas vitivinícolas portuguesas enfrenta desafios, sobretudo devido à sua pequena dimensão e a limitações na organização interna (falta de inventários, ausência de sistemas informatizados de rastreabilidade) que limitam a gestão eficiente de recursos e transparência dos processos e a proteção ambiental. O setor nacional tem também falta de dados técnicos e financeiros detalhados que apoiem decisões de investimento, por exemplo, na certificação e em soluções técnicas para maior sustentabilidade. O futuro deverá passar pela disponibilização de ferramentas de gestão mais simples que apoiem as micro e pequenas explorações na gestão de recursos como água e energia. Os programas de sustentabilidade existentes são muito importantes, mas faltam ainda indicadores operacionais para a vitivinicultura de pequena/média dimensão. A proteção da paisagem deverá ser garantida atendendo à sua importância para o enoturismo, o qual tem contribuído cada vez mais para a rentabilidade da atividade (Quadro 1). As referências deste artigo estão disponíveis para consulta online aqui: www.interempresas.net/a663265 Figura 3. Boas práticas na vinha e na adega relacionadas com o uso mais eficiente e sustentável de água e de energia (caudelímetros, painéis fotovoltaicos na cobertura da adega) (em cima); ações de demonstração em campo sobre boas práticas na gestão do solo e água e sensorização (Projeto EU-NEFERTITI) e jornadas técnicas sobre sustentabilidade e tecnologias na OlitécnicaEnotécnica -Exponor (em baixo). A digitalização é uma realidade na fileira e favorecerá a competitividade do setor (OIV, 2021). Todavia a investigação e o conhecimento agronómico e enológico e das respetivas tecnologias é crucial para melhorar a gestão de recursos na vinha e na adega (Quadro 1; Figura 3). A formação de quadros das empresas agrícolas e a transferência de conhecimento são objetivos da UE para aumentar a competitividade da agricultura europeia e tal importa reforçar no setor vitivinícola nacional (Costa et al., 2020b; AICEP, 2026). Deverão ser promovidas as oportunidades de transferência/ aprendizagem entre pares, com visitas técnicas a vinhas e adegas e a feiras tecnológicas profissionais, nacionais e internacionais (Figura 3). Tal poderia ser dinamizado pelas CVRS e associações e/ou pela indústria auxiliar e prestadores de serviços (por exemplo, instalação de painéis solares, ETAR), atendendo ao desconhecimento de soluções práticas, em especial pelos agentes económicos mais pequenos. n C M Y CM MY CY CMY K
RkJQdWJsaXNoZXIy Njg1MjYx