BA28 - Agriterra

ENTREVISTA 39 os recursos, qual é a pegada ambiental, como é garantida a rastreabilidade e de que forma se responde às exigências dos clientes e dos consumidores. É precisamente neste contexto que se enquadra o Plano de Gestão Ambiental da Lusomorango. A avaliação das pegadas de carbono, hídrica e ecológica, a promoção da biodiversidade, a redução do uso de fitofármacos e fertilizantes, a economia circular e a criação de um Índice de Sustentabilidade são ferramentas para responder a uma realidade de mercado que está a mudar. Também aqui a organização da produção é importante. Uma organização de produtores permite reunir conhecimento, desenvolver estudos, prestar assistência técnica e partilhar boas práticas, criando condições para que os produtores possam responder de forma mais eficiente às exigências dos mercados. A sustentabilidade é, portanto, simultaneamente uma responsabilidade e um fator de competitividade. Com o aumento dos custos de produção, a escassez de água, as dificuldades no acesso à mão de obra e a crescente pressão regulatória, como podem os produtores manter a competitividade face à concorrência internacional sem comprometer a sustentabilidade económica das explorações? Não podemos pedir aos produtores que sejam simultaneamente mais competitivos, mais sustentáveis, mais eficientes e que cumpram cada vez mais requisitos, sem garantir condições para que isso seja economicamente viável. A resposta passa, desde logo, por produzir mais valor e não simplesmente mais volume. Portugal não tem escala para competir diretamente com os maiores produtores mundiais, como o México ou os Estados Unidos. O caminho que temos seguido é diferente: apostar em culturas de maior valor, qualidade, diferenciação e capacidade de resposta aos mercados. Os resultados referidos mostram que esse caminho tem funcionado. Mas competitividade exige também investimento em água, tecnologia, conhecimento, inovação, infraestruturas e organização da produção. É igualmente fundamental que exista previsibilidade regulatória. Os produtores precisam de saber quais são as regras e de ter condições para se adaptar a elas. A sustentabilidade não deve ser encarada apenas como um custo adicional: deve também ser integrada numa estratégia de eficiência, inovação e gestão do risco. O Plano de Gestão Ambiental da Lusomorango vai precisamente nesse sentido: medir, identificar oportunidades de melhoria e transformar informação em decisões. E é importante sublinhar que sustentabilidade económica, ambiental e social não são objetivos concorrentes. O desafio é construir um modelo em que estejam ligados. Uma produção agrícola que não seja economicamente viável não é sustentável; mas também não podemos pensar num modelo económico sustentável se ignorarmos os recursos naturais de que a agricultura depende.

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