47 MERCADO HORTOFRUTÍCOLA mais célere, capaz de responder aos investimentos do setor. E também a políticas que garantam habitação, saúde, educação e a integração das pessoas que escolhem Portugal para viver e trabalhar. Recordando os resultados do estudo apresentado na Feira Nacional de Agricultura pela EY-Parthenon sobre o impacto económico da fileira, destacou que, em 2025, os pequenos frutos geraram 1.037 milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto, 398 milhões de euros em exportações, mais de 34 mil postos de trabalho e 276 milhões de euros em receita fiscal: “na Lusomorango acreditamos profundamente que é possível produzir mais e melhor – com menos recursos, com mais conhecimento, e com maior respeito pelo ambiente”. PLANO DE GESTÃO AMBIENTAL PRETENDE POSICIONAR LUSOMORANGO COMO REFERÊNCIA EUROPEIA EM SUSTENTABILIDADE O momento central do VIII Colóquio Hortofrutícola foi a apresentação do Plano de Gestão Ambiental da Lusomorango, um projeto estruturante desenvolvido no âmbito do Programa Operacional 2026-2028, que pretende apoiar os produtores associados na adaptação às crescentes exigências ambientais, regulamentares e de mercado. O plano surge como resposta aos principais desafios que hoje se colocam ao setor dos pequenos frutos, entre os quais a escassez de água, as alterações climáticas, a redução do uso de fitofármacos, a economia circular, a redução das emissões de gases com efeito de estufa e a necessidade de responder às exigências de clientes, consumidores e regulamentação europeia. Na apresentação do Plano, Bruno Caldeira, diretor de Desenvolvimento de Negócio da Consulai, explicou que o objetivo passa por disponibilizar aos produtores ferramentas que lhes permitam medir, conhecer e melhorar continuamente o seu desempenho ambiental: “o plano nasce para ajudar os produtores a prepararem-se para uma realidade em que há mais conhecimento e mais medição daquilo que é produzido, mas também para identificar oportunidades de melhoria e de transformação”. O projeto prevê a avaliação integrada da pegada de carbono (ISO 14067), da pegada hídrica (ISO 14046) e da pegada ecológica, permitindo construir uma visão abrangente do desempenho ambiental das produções agrícolas. Entre os objetivos definidos encontram-se a redução das emissões associadas à produção e logística, a melhoria da eficiência hídrica, a redução da utilização de fitofármacos e fertilizantes, o reforço da resiliência das culturas às alterações climáticas, a promoção da biodiversidade, o incentivo à economia circular e a preparação da Lusomorango para alcançar certificações ambientais internacionalmente reconhecidas. O plano prevê ainda a criação de um Índice de Sustentabilidade, que permitirá consolidar indicadores ambientais, sociais e económicos, funcionando como instrumento de acompanhamento e melhoria contínua. Bruno Caldeira sublinhou a dimensão coletiva da iniciativa: ”muitos associados sabem o que é um plano de gestão, pois têm um. Aqui, o desafio é ser conjunto", acrescentando que a grande quantidade de informação produzida será trabalhada e partilhada com produtores e outras entidades que necessitam dela, criando uma importante economia de escala. CONHECIMENTO, FINANCIAMENTO E MERCADO CAMINHAM JUNTOS A apresentação do Plano de Gestão Ambiental foi seguida de uma mesa- -redonda que trouxe a debate Filipa Saldanha, diretora do Departamento de Sustentabilidade da Caixa Crédito Agrícola, e Eduardo Bremm, diretor de Operações Ibéria da Driscoll's. Filipa Saldanha explicou que o financiamento sustentável permite responder simultaneamente à redução do risco, à transição para modelos produtivos mais inovadores e à criação de novas oportunidades de financiamento. Eduardo Bremm recordou que as exigências dos consumidores e dos retalhistas são hoje significativamente superiores, tornando a sustentabilidade um fator de competitividade: “os consumidores estão mais exigentes e os retalhistas enfrentam metas apertadas de redução da pegada ecológica”. E deixou Bruno Caldeira, diretor de Desenvolvimento de Negócio da Consulai.
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