48 MERCADO HORTOFRUTÍCOLA uma mensagem clara: “sem certificações simplesmente não é possível”. GOVERNO REFORÇA COMPROMISSO COM ÁGUA, SUSTENTABILIDADE E COMPETITIVIDADE Na mensagem por vídeo dirigida ao Colóquio, o ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, destacou a evolução da fileira dos pequenos frutos na última década, recordando que a produção nacional triplicou entre 2015 e 2025, atingindo 91,4 mil toneladas. O ministro referiu que o setor gerou, em 2025, mais de mil milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto, sustenta mais de 34 mil empregos e representa quase 400 milhões de euros de exportações, prevendo-se que o impacto económico ultrapasse os 1.400 mihões de euros em 2026: “o futuro da nossa agricultura passa, precisamente, por fileiras de elevado valor acrescentado, como a dos pequenos frutos, capazes de conciliar competitividade económica, responsabilidade ambiental e desenvolvimento regional”. Destacou ainda a Estratégia Nacional ‘Água que Une’, a modernização dos aproveitamentos hidroagrícolas, a gestão sustentável da água no Mira e os apoios disponibilizados para responder aos prejuízos provocados pelos fenómenos meteorológicos extremos. Já a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, também por vídeo, enalteceu o percurso da fileira dos pequenos frutos, salientando que o crescimento deve ser acompanhado por uma crescente preocupação com a sustentabilidade. A governante destacou os avanços alcançados ao nível da eficiência hídrica e referiu que a Estratégia Nacional 'Água que Une' assenta em três princípios fundamentais: reduzir, reutilizar e combater o desperdício de água. Recordou ainda que o Centro de Investigação para a Sustentabilidade, em Odemira, criado em 2023 numa parceria entre a Lusomorango, o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), a Driscoll’s e a Maravilha Farms, tem produzido resultados promissores na eficiência hídrica da cultura da framboesa, defendendo que o desenvolvimento do setor deve assentar na conjugação entre crescimento económico e sustentabilidade ambiental. ÁGUA, TERRITÓRIO E POLÍTICAS PÚBLICAS MARCARAM OS DEBATES Ao longo da manhã, os diferentes painéis e intervenções reforçaram a necessidade de criar condições para que o setor continue a crescer de forma sustentável. O presidente da Câmara Municipal de Odemira, Hélder Guerreiro, defendeu que a revisão das estimativas populacionais do concelho obriga o Estado a reforçar o investimento em habitação, saúde, educação e acessibilidades, enquanto o presidente da CCDR Alentejo, Ricardo Pinheiro, apelou a um "lobbying justo", que permita adequar os investimentos públicos à realidade do território. Na intervenção de abertura dos trabalhos da manhã, Miguel Morgado, professor da Universidade Católica Portuguesa, lançou uma reflexão sobre a necessidade de a Europa recuperar ambição económica: “na Europa só se fala de resiliência e nunca de crescimento e desenvolvimento”, afirmou, defendendo uma mudança da cultura pública que permita voltar a colocar o crescimento económico no centro das políticas europeias. No painel dedicado ao impacto dos choques climáticos, Carlos Vicente, da Vitacress, Helena Cortes Cavaco, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDR Alentejo), Luís Souto Barreiros, do Instituto de Financiamento da Álvaro Mendonça e Moura, presidente da CAP - Confederação dos Agricultores de Portugal. O Plano de Gestão Ambiental da Lusomorango, apresentado no VIII Colóquio Hortofrutícola, pretende melhorar o desempenho ambiental das explorações e reforçar a competitividade do setor
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