CONFERÊNCIA TÉCNICA DA VINHA 18 dados partilhados, os custos mantiveram-se alinhados com os sistemas convencionais, contrariando a perceção de que a produção em modo ecológico implica necessariamente maiores encargos. Entre as novidades da empresa está a introdução de serviços com drones para monitorização, fertilização e aplicação de produtos naturais. A PONTE ENTRE INVESTIGAÇÃO E PRÁTICA VITÍCOLA A conferência terminou com uma mesa-redonda que veio refletir sobre o papel da inovação tecnológica e digital na competitividade da vitivinicultura. Sob o mote ‘Inovação tecnológica e digital como motor da competitividade na vitivinicultura’, o debate foi moderado por Gonçalo Morais Tristão, presidente da Direção | COTR - Centro Operativo e de Tecnologia de Regadio, Centro de Competências para o Regadio Nacional. Da diversidade de visões colocadas em discussão, emergiu uma conclusão comum: a tecnologia é hoje uma ferramenta indispensável para responder aos desafios económicos, ambientais e produtivos que o setor enfrenta. Gonçalo Rodrigues, professor auxiliar do Instituto Superior de Agronomia, sublinhou que a viticultura tem de encontrar formas de produzir mais e melhor num contexto marcado pelo aumento dos custos de produção, da energia, dos fertilizantes e da pressão climática. Nesse sentido, considerou que o principal desafio já não é a existência de tecnologia, mas a sua disseminação junto de uma realidade agrícola muito heterogénea. “Temos de desmistificar que a tecnologia é um problema”, declarou, apelando depois a uma maior aproximação entre a academia e os produtores. Nesse sentido, o docente alertou para o que considera ser um afastamento crescente entre o conhecimento produzido nos centros de investigação e a sua aplicação prática no terreno. Na sua opinião, é necessário reforçar os mecanismos de transferência de conhecimento, melhorar a comunicação e recolher mais contributos dos agricultores para compreender as dificuldades reais de adoção das novas ferramentas. “Precisamos de conhecer as dificuldades de quem trabalha com estas questões no terreno”, salientou. Também Rui Costa Martins, investigador sénior do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), ressaltou a importância de tornar a tecnologia mais compreensível e útil para os produtores. Segundo explicou, muitas das soluções atualmente disponíveis fornecem indicadores e dados, mas nem sempre conseguem explicar de forma clara a relação entre esses dados e a fisiologia da planta. O caminho, defendeu, passa por desenvolver sistemas capazes de apoiar decisões mais precisas e fundamentadas, permitindo intervenções antecipadas e ajustadas às necessidades reais da cultura. Na sua intervenção, Rui Costa Martins rejeitou a ideia de uma agricultura totalmente automatizada e sem intervenção humana. Em vez disso, apontou para um futuro assente em ferramentas que ajudem a compreender melhor o A segunda mesa redonda centrou-se no tema ‘Inovação tecnológica e digital como motor da competitividade na vitivinicultura’.
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