CONFERÊNCIA TÉCNICA DA VINHA 17 aconselhamento agrícola em toda a União Europeia para identificar, testar e divulgar práticas capazes de reduzir o risco e a utilização de produtos fitofarmacêuticos. Segundo a responsável, o objetivo é selecionar e disseminar abordagens já testadas em contexto real, mas ainda longe de uma adoção generalizada, facilitando a sua replicação noutros territórios e sistemas produtivos. A vertente prática da sessão foi assegurada por Luís Constantino, responsável de viticultura da Herdade dos Grous, que apresentou um caso de estudo assente na integração de ovinos na gestão das vinhas em modo de produção biológico. Numa exploração localizada no Baixo Alentejo, com 123 hectares de vinha e solos pobres em matéria orgânica, a estratégia surgiu como alternativa ao controlo mecânico do coberto vegetal e enquadra-se numa abordagem de agricultura regenerativa. “Temos que aprender um bocadinho com aquilo que já foi feito”, disse o técnico, resumindo uma filosofia que combina conhecimento tradicional com novas formas de gestão. Atualmente, cerca de duas mil ovelhas são utilizadas para gerir a biomassa produzida nas culturas permanentes, promovendo simultaneamente a ciclagem de nutrientes e a melhoria da fertilidade do solo. Os resultados preliminares apontam para benefícios agronómicos e ambientais relevantes. Entre novembro e fevereiro, a exploração deixou de realizar três passagens anuais de maquinaria para controlo do coberto vegetal, o que representa uma redução estimada de cerca de 3.500 litros de gasóleo e de nove toneladas de emissões de CO₂. Paralelamente, registou-se um aumento de 0,5% do teor de matéria orgânica em várias parcelas ao longo dos últimos três anos, contribuindo para melhorar a retenção de água e a atividade biológica do solo. Apesar dos resultados encorajadores, Luís Constantino salientou que o modelo exige acompanhamento permanente, coordenação logística e adaptação contínua às condições de cada campanha. “Não é só pôr lá as ovelhas e esquecermo-nos delas”, referiu, defendendo que a observação e a flexibilidade são determinantes para o sucesso deste tipo de abordagem. FOCO EM SOLUÇÕES BIOLÓGICAS E REDUÇÃO DE QUÍMICOS NA PROTEÇÃO DA VINHA Para encerrar o ciclo de apresentações técnicas, Marisa Morgado Saias, da Biostasia, considerou que a produção agrícola sem químicos deve ser encarada não como uma restrição, mas como um sistema de produção completo, capaz de conciliar produtividade, rentabilidade e sustentabilidade. A responsável enquadrou esta evolução num contexto de crescente exigência regulamentar e de mercado, referindo que “o consumidor se preocupa cada vez mais com aquilo que recebe no seu prato” e que a agricultura está a ser progressivamente conduzida para soluções mais ecológicas. Com mais de 15 anos de atividade na área do controlo biológico, a empresa desenvolve soluções assentes na regeneração dos solos, na nutrição orgânica e na proteção biológica das culturas. Segundo a oradora, a abordagem passa por trabalhar “desde o início da produção até garantir que o fruto chegue ao prato”, recorrendo a produtos de origem natural e estratégias adaptadas a cada exploração. Na vinha, a empresa concentra a sua atuação na regeneração biológica, na nutrição orgânica e em soluções naturais que reforçam a resiliência das plantas perante diferentes fatores de stress. “Não há uma solução ótima. Há a capacidade de adequar a cada momento”, sublinhou Marisa Morgado Saias, reforçando a importância de ajustar as recomendações às condições específicas de cada cultura. A responsável apresentou ainda o caso de uma vinha conduzida ao longo de uma campanha exclusivamente com soluções ecológicas, afirmando que foi possível obter produção e qualidade sem recorrer a químicos. Segundo os A Biostasia defendeu as vantagens da produção e fertilização em modo ecológico. "A competitividade da fileira começa na vinha" - Francisco Toscano Rico
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