ENTREVISTA 12 inovação e demonstrar a transformação que o investimento permite alcançar. A simples substituição de equipamento não garante, por si só, esse enquadramento. O mais útil é conseguir explicar o antes e o depois: o que muda na produção, na qualidade, nos custos, na capacidade ou na resposta ao mercado. Vale a pena olhar para as oportunidades de melhoria da própria empresa. Um projeto bem fundamentado, construído a partir de uma necessidade real, pode ser um passo importante de crescimento. O reforço da capacidade industrial europeia no domínio da defesa está na ordem do dia. Que oportunidades concretas existem para as empresas portuguesas e que instrumentos de apoio podem facilitar a sua entrada nesta cadeia de valor, nomeadamente através da inovação, do investimento produtivo, da certificação e da internacionalização? Existe hoje uma oportunidade muito concreta. A Europa está a reforçar a sua capacidade industrial de defesa e isso abre espaço para empresas portuguesas que já possuem competências industriais relevantes, mesmo que até hoje não tenham trabalhado diretamente para este mercado. A metalomecânica portuguesa tem competências em maquinação de precisão, engenharia, estruturas, componentes, automação e produção de elevada exigência que podem ser aplicadas nestas novas cadeias de fornecimento. E estão já a surgir instrumentos especificamente dirigidos a esta prioridade. No Portugal 2030 temos já previsto o Investimento Empresarial Produtivo para a Defesa, especificamente no Alentejo 2030, e orientado para o reforço das capacidades industriais neste domínio. Ao nível europeu existem também oportunidades crescentes. O novo programa AGILE dispõe de 115 milhões de euros e pretende, já no início de 2027, apoiar PME, incluindo startups e empresas em expansão, no desenvolvimento de tecnologias de defesa emergentes e disruptivas, designadamente aproximando a inovação da capacidade operacional e facilitando também ensaios e certificação. Isto mostra que existe espaço para Portugal. Mas entrar na cadeia de valor da defesa exige mais do que capacidade produtiva. Exige qualidade, certificação, rastreabilidade, capacidade tecnológica, segurança e capacidade para trabalhar em cadeias de fornecimento internacionais. Por isso, a oportunidade não deve ser vista apenas como a possibilidade de aceder a um novo apoio. Deve ser encarada como uma oportunidade para qualificar a indústria portuguesa e posicioná-la em cadeias europeias de maior exigência e valor acrescentado. Os centros tecnológicos e as universidades têm um papel importante no apoio à inovação industrial. Como pode o IAPMEI ajudar as PME a aproximarem-se destes parceiros de I&D? O primeiro passo é a empresa conseguir formular o desafio que pretende resolver. Pode ser desenvolver um material, melhorar um processo, testar uma solução ou criar um produto. Quanto mais claro for esse desafio, mais fácil será identificar as competências necessárias. O IAPMEI pode ajudar a orientar essa procura e a enquadrar as possibilidades de colaboração e de apoio. A proximidade às empresas é importante precisamente porque permite começar pela necessidade empresarial. A experiência das Agendas Mobilizadoras mostra também uma evolução importante na forma como esta cooperação pode acontecer. Recordo que estamos a falar de 51 Agendas, perto de 900 empresas e mais de 200 outras entidades, incluindo universidades e centros tecnológicos. São consórcios que juntam competências em torno de objetivos comuns de desenvolvimento, demonstração e industrialização. Essa experiência tem também aprendizagens que importa aproveitar para tornar a colaboração mais acessível a outras empresas. Nem todas as PME precisam de integrar um consórcio desta dimensão. Os instrumentos de I&D Empresarial permitem explorar outras formas de colaboração. Uma empresa não precisa de reunir todo o conhecimento dentro de portas. Precisa de saber o que procura e de ter capacidade para trabalhar com quem a pode ajudar. Quais são os principais critérios que determinam a elegibilidade de um projeto industrial? Para além da dimensão do investimento e da situação económico-financeira da empresa, que fatores podem fazer a diferença na avaliação de uma candidatura? Eu distinguiria duas dimensões: cumprir as condições de acesso e demonstrar o mérito do projeto. As condições de elegibilidade dizem respeito à empresa e ao investimento e estão definidas nos regulamentos e nos avisos. Devem ser verificadas desde o início, para que a preparação assente num enquadramento adequado. O mérito deve ser demonstrado através de uma relação clara entre o diagnóstico, os objetivos, os investimentos
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