ENTREVISTA 11 que pretendem desenvolver novos produtos, automatizar operações, reduzir consumos ou entrar em novos mercados. Os instrumentos de ‘Inovação Produtiva’, ‘I&D Empresarial’, ‘Qualificação e Internacionalização das PME’ e os apoios à ‘Descarbonização e Eficiência Energética’ podem acompanhar diferentes dimensões desse percurso, de acordo com as condições de cada aviso. O ponto de partida deve ser o projeto e não o incentivo. O primeiro passo é perceber o que a empresa pretende alcançar. A partir daí, torna-se mais fácil identificar o instrumento adequado, o calendário e a forma de financiar o investimento. Pela proximidade às empresas e pelo conhecimento dos instrumentos, considero que o IAPMEI é um interlocutor preferencial para fazer a ponte entre as necessidades empresariais e as respostas das políticas públicas. A nossa Rede de Centros de Atendimento Empresarial, com presença descentralizada no país, é uma porta de entrada para essa conversa. Na descarbonização, eficiência energética e economia circular, onde estão as principais oportunidades para a metalomecânica? Estamos a falar de investimentos que podem melhorar simultaneamente o desempenho ambiental e a competitividade da empresa, logo existem oportunidades muito concretas. Na eficiência energética, isso pode passar pela otimização de motores, sistemas de ar comprimido, fornos ou produção de frio, pela recuperação de calor ou pela monitorização dos consumos. Conhecer melhor onde e como se utiliza a energia permite identificar desperdícios e fundamentar decisões de investimento. O Sistema de Incentivos à Transição Climática e Energética contempla apoios à eficiência energética e à descarbonização. O enquadramento de cada projeto depende das condições e dos períodos de candidatura dos avisos. Na economia circular, há também um potencial importante: utilizar melhor a matéria-prima, reduzir sucata e rejeições, recuperar componentes e prolongar a vida útil dos equipamentos. O apoio mais adequado dependerá da natureza da intervenção, que poderá envolver inovação, investimento produtivo ou qualificação. Logo diria que o diagnóstico assume um papel preponderante no processo, ajudando a construir um projeto com resultados claros e a procurar o enquadramento mais adequado. Tecnologias mais disruptivas, como o fabrico aditivo, a inteligência artificial, a robótica e os sistemas avançados de controlo, são cada vez mais vistas como determinantes para o aumento da competitividade. Que condições devem reunir os projetos para que sejam reconhecidos como investimentos com potencial de inovação e criação de valor? A tecnologia cria valor quando responde a uma necessidade da empresa e pode ser integrada na sua atividade. Uma solução pode ser muito avançada, mas o investimento deve fazer sentido para o produto, para o processo e para o mercado a que se destina. Começaria por três perguntas: que problema queremos resolver, o que esperamos melhorar e de que condições precisamos para o conseguir? Depois é importante perceber a maturidade da solução. Podemos estar perante um projeto que ainda exige investigação e desenvolvimento, uma tecnologia que precisa de ser testada ou uma solução já pronta para aplicação industrial. Cada situação pede um percurso diferente. Há também uma dimensão de capacitação que considero decisiva. A empresa precisa de pessoas preparadas para utilizar a tecnologia, organizar os dados, adaptar processos e assegurar a sua continuidade. É nessa combinação entre tecnologia, competências e organização que vejo maior potencial. O investimento deve traduzir-se em resultados: maior produtividade, melhor qualidade, menos desperdício, capacidade para produzir peças mais complexas ou uma resposta mais rápida ao cliente. Mas nem todos os investimentos representam uma inovação radical. Como podem os instrumentos de apoio acomodar projetos de modernização industrial que, embora incrementais, sejam determinantes para a produtividade e a competitividade das empresas? Há espaço para valorizar o percurso das empresas que querem melhorar progressivamente os seus processos. A inovação industrial acontece muitas vezes através de melhorias sucessivas que, em conjunto, transformam a capacidade competitiva da empresa. Uma empresa pode inovar ao integrar operações numa célula automatizada, introduzir novas tecnologias de fabrico, digitalizar o controlo da produção ou melhorar a rastreabilidade e a qualidade. Não será necessário inventar uma tecnologia para realizar um investimento inovador. O enquadramento depende, naturalmente, do instrumento. Na Inovação Produtiva, a empresa deve fundamentar a
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