BM29 - InterMETAL

Como colmatar o fosso produtivo na indústria aeroespacial europeia A indústria aeroespacial europeia está em rápida expansão. Tão rápida que os fornecedores têm dificuldade em acompanhar o ritmo. O problema está na subutilização dos equipamentos, na escassez de mão de obra qualificada e na ineficiência de alguns processos, fatores que limitam a produção. A automatização de sistemas de eletroerosão oferece uma via realista para libertar capacidade, reduzir prazos de entrega e reforçar a base de fornecimento da Europa. Hakan Aydogdu, diretor-geral da Tezmaksan Robot Technologies A eletroerosão (EDM, ou Electrical Discharge Machining, no termo em inglês) é fundamental para muitos dos componentes mais exigentes do setor, desde pás de turbinas a injetores de combustível. Ao contrário da maquinagem convencional, que corta o metal mecanicamente com ferramentas rotativas, a eletroerosão remove material através de descargas elétricas controladas entre um elétrodo e a peça de trabalho submersa num fluido dielétrico. Isto permite maquinar metais extremamente duros em geometrias complexas com precisão micrométrica, evitando simultaneamente as tensões mecânicas associadas ao corte tradicional. No entanto, o processo de EDM tende a ser lento, intensivo em mão de obra e difícil de escalar. Embora não seja o único estrangulamento produtivo, continua a ser uma das áreas onde a automatização pode libertar capacidade significativa. Se a Europa quiser manter a competitividade global, é necessário tornar as células de EDM mais autónomas, rastreáveis e repetíveis. PORQUÊ AGORA? A pressão do mercado é real. De acordo com a Associação Europeia das Indústrias Aeroespaciais e de Defesa (ASD), o volume de negócios do setor aeroespacial e de defesa europeu atingiu 290,4 mil milhões de euros em 2023, representando 1,03 milhões de postos de trabalho e um crescimento homólogo superior a 10%. A procura está a aumentar, mas a capacidade produtiva não acompanha esse ritmo. Na Alemanha, as receitas do setor aeroespacial atingiram 52 mil milhões de euros em 2024, um aumento de 13% face ao ano anterior, sendo que a aviação civil contribuiu com 39 mil milhões de euros (+18%). No Reino Unido, verificam-se atrasos significativos na produção de aviões comerciais e motores, com vários milhares de unidades do motor Trent da Rolls-Royce ainda por entregar, num contexto em que a produção continua limitada pela escassez de mão de obra e pela lentidão dos processos manuais. Em Espanha, o volume de negócios da indústria aeroespacial ultrapassou os 12 mil milhões de euros, sendo que só a Andaluzia gerou 2,9 mil milhões de euros em 2024, segundo a Andalucía Aerospace. A mensagem é clara: a procura existe, mas a disponibilidade de mão de obra e a capacidade instalada tornaram- -se os principais estrangulamentos. A sua resolução exigirá processos mais inteligentes, e não apenas mais recursos humanos. 58 DOSSIER: SETOR AERONÁUTICO

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