52 DOSSIER: SETOR AERONÁUTICO O FATOR HUMANO Apesar de todos os avanços tecnológicos, a tecnologia, por si só, nunca será suficiente. Para maximizar o seu potencial, a digitalização deve ser integrada de forma eficaz com o fator humano. A indústria aeroespacial assenta na precisão, na experiência e na confiança, pelo que é essencial que os colaboradores se sintam seguros e apoiados na utilização destas novas ferramentas. Uma implementação adequada da tecnologia permite alcançar este equilíbrio. Ao automatizar tarefas repetitivas ou de baixo valor acrescentado, as empresas podem libertar recursos humanos para funções de maior impacto, promovendo simultaneamente o desenvolvimento de competências e valorizando o contributo da capacidade de decisão humana. Assim, a digitalização não se limita à eficiência: assume-se como um verdadeiro catalisador de crescimento, potenciando o contributo individual e promovendo uma força de trabalho mais qualificada, motivada e resiliente. Do ponto de vista empresarial, a valorização das competências e a progressão para funções de maior valor acrescentado contribuem também para a retenção de talento. Neste contexto, a digitalização de determinados processos produtivos pode ajudar a mitigar a escassez de mão de obra qualificada que afeta o setor. A requalificação de trabalhadores para funções mais especializadas torna-se uma solução eficaz. Na nossa experiência, isso levou-nos, por exemplo, a reconverter colaboradores anteriormente afetos a tarefas de montagem para funções como a soldadura especializada. Na JPB Système, reconhecemos há muito que investir em formação, requalificação e envolvimento das equipas é tão importante como investir em tecnologia. É expectável que a digitalização continue a impulsionar a procura de novas competências em áreas como análise de dados, manutenção de sistemas robotizados e otimização de processos – competências que vão moldar o futuro da indústria. Esta combinação entre tecnologia e desenvolvimento humano reforça a competitividade e aumenta a capacidade de atração de talento num mercado exigente. Para muitos profissionais, trabalhar num ambiente tecnologicamente avançado, alinhado com os princípios da Indústria 5.0, constitui um fator diferenciador face a organizações menos evoluídas neste domínio. As empresas que apostam na digitalização posicionam-se, assim, com uma vantagem competitiva na atração e retenção de talento, com impacto direto na sua produtividade. Ainda que a digitalização possa contribuir para atenuar dificuldades de recrutamento em determinadas funções, não substituirá integralmente a necessidade de recursos humanos qualificados. Na prática, a experiência da JPB Système demonstra precisamente o contrário: sempre que integramos novos sistemas robotizados, reforçamos também as nossas equipas. É um equilíbrio claro – os humanos precisam dos robôs, e os robôs precisam dos humanos. n Katarzyna Kalisz é diretora de operações para a Europa Oriental da JPB Système, fabricante internacional de soluções tecnológicas para melhoria da eficiência nos setores aeroespacial e industrial.
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