51 DOSSIER: SETOR AERONÁUTICO A empresa de análise e consultoria Deloitte referiu recentemente[1] que a indústria aeroespacial tem potencial para adotar de forma generalizada diversas tecnologias, incluindo a inteligência artificial. Este cenário é inequívoco: a atual transição digital no setor vai muito além da eficiência operacional, abrindo caminho ao reforço da resiliência e à garantia de competitividade a longo prazo. A IA e os sistemas avançados de dados não só permitem otimizar a produção, como também ajudam as empresas a antecipar disrupções, assegurar a rastreabilidade integral e reforçar a fiabilidade da cadeia de abastecimento. Paralelamente, as ferramentas digitais promovem a inovação contínua, permitindo uma adaptação mais ágil às exigências dos clientes e a introdução progressiva de soluções mais inteligentes, seguras e sustentáveis. Do ponto de vista da minha empresa, participamos ativamente em diversas iniciativas tecnológicas orientadas para a indústria do futuro e temos vindo a intensificar, já há algum tempo, os nossos esforços de digitalização. Este percurso levou-nos a recorrer à robótica e às tecnologias de informação para automatizar processos produtivos, monitorizar o progresso do fabrico e armazenar registos detalhados, incluindo registos fotográficos associados à rastreabilidade dos produtos. Um dos principais objetivos desta transformação é otimizar os processos produtivos, assegurando uma recolha e análise de dados contínuas e fiáveis, com impacto direto no planeamento, monitorização e rastreabilidade. Neste contexto, a nossa solução interna KeyProd tem desempenhado um papel fundamental, permitindo a recolha de dados de produção em tempo real. Para mim, e para outros gestores de empresas industriais, esta transformação proporciona informação extremamente valiosa, essencial para a tomada de decisões e melhoria contínua. A análise destes dados permite identificar áreas de otimização adicionais com elevado grau de precisão. Além disso, através do nosso gémeo digital, conseguimos simular diferentes cenários e otimizar os fluxos de produção e entrega. Ainda assim, persiste uma grande assimetria no setor: muitas empresas continuam sem acesso estruturado aos seus próprios dados. Quando estes não se encontram centralizados e devidamente arquivados para permitir análise retrospetiva, torna-se inviável tirar partido eficaz da inteligência artificial. As empresas que já dispõem de capacidades avançadas de análise de dados estão melhor posicionadas para otimizar o planeamento da produção, aumentar a eficiência na utilização de materiais e reduzir desperdícios, contribuindo simultaneamente para uma gestão mais eficiente do consumo energético. No nosso caso, isto traduz-se não só numa maior eficiência operacional, mas também numa contribuição concreta para a sustentabilidade e para os objetivos de descarbonização. A digitalização deixou de estar associada apenas à produtividade, assumindo igualmente um papel central na responsabilidade ambiental, assegurando que a indústria aeroespacial evolui em alinhamento com as metas ambientais. Na minha experiência, a digitalização ultrapassa claramente o perímetro da fábrica, estendendo-se a todo o ecossistema industrial. A capacidade de partilhar dados de forma segura entre fabricantes, fornecedores e clientes promove maior transparência e confiança ao longo de toda a cadeia de abastecimento. Tenho observado diretamente como esta capacidade reforça a colaboração entre parceiros, melhora a antecipação de riscos e contribui para sistemas produtivos mais resilientes. Num setor onde atrasos ou disrupções podem ter impactos significativos, este nível de integração constitui uma verdadeira transformação estrutural. [1] Perspetivas do setor aeroespacial e de defesa para 2025. As ferramentas digitais promovem a inovação contínua, permitindo às empresas adaptarem-se mais rapidamente às necessidades em constante evolução dos clientes
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