BF10 - iAlimentar

33 INDÚSTRIA CONSERVEIRA A resina obtida pelos especialistas reveste o interior de embalagens metálicas de alimentos, latas de conserva e bebidas, entre outros. Foto: Isabel Díaz. Para conseguir a união das moléculas da mistura e obter a resina, os especialistas aplicaram calor. “Submetemos a laca a uma temperatura de duzentos graus durante um período muito curto, entre dez e sessenta minutos, e assim obtivemos a resina”, conta Heredia. Como conclusão, os especialistas verificaram que a resina de bagaço de tomate é hidrofóbica, ou seja, repele a água. Além disso, possui uma elevada capacidade de aderência ao metal da lata que reveste. “Caso o recipiente caia, sofra pancadas ou seja sujeito a algum impacto como consequência do transporte, por exemplo, num camião de distribuição, a resina atua como barreira protetora entre os alimentos e o metal”, refere o investigador de “La Mayora”. Juntamente com estas qualidades, também apresenta uma elevada capacidade anticorrosiva contra o sal e qualquer líquido. “Os compostos desta laca não passam para os alimentos e, portanto, não contaminam o produto contido na lata, como acontece com a resina de BPA”, acrescenta Heredia. TESTES COM ALIMENTOS SIMULADOS Para corroborar todas estas propriedades, os especialistas realizaram testes com simuladores de alimentos, tal como estabelecido pela regulamentação da União Europeia para plásticos em contacto com alimentos. “Utilizamos produtos que imitam o comportamento de um grupo de alimentos que têm características parecidas. Por exemplo, utilizamos soluções de etanol como se fossem sopas, óleos como cremes e polímeros absorventes como alimentos secos”, detalha Heredia. Para além de identificarem as características da resina de bagaço de tomate como revestimento do interior das embalagens, os especialistas avaliaram o impacto ambiental do fabrico desta resina. Para isso, analisaram todo o processo de fabrico, desde a extração da matéria-prima, à produção da laca e à sua utilização final. Também compararam estes resultados com o mesmo processo, em caso de utilização de resina de BPA e o que acontece em caso de eliminação do bagaço de tomate queimando-o diretamente na indústria. “Esta análise mostra que a obtenção da resina de bagaço de tomate produz menos dióxido de carbono do que a de BPA. E caso não se utilize o bagaço de tomate e este seja eliminado através de queima, a poluição que produz também é maior do que a reutilização como resina”, especifica Heredia. Em paralelo, também identificaram e quantificaram os efeitos que a produção desta resina provoca na saúde humana. “Os níveis de impacto são escassos em comparação com a incidência que tem a utilização de BPA em produtos de uso diário”, adverte o investigador de La Mayora. Após a realização de ensaios com simuladores de alimentos, o passo seguinte é verificar a reação da resina com alimentos reais. “Utiliza-se molho de tomate, de atum, esteriliza-se, conserva-se e verificamos se aguenta as condições reais”, enumera Heredia. Este estudo contou com o financiamento do Ministério da Ciência e Inovação (Espanha), da Secretaria Regional do Ensino Superior, Investigação e Inovação da Junta da Andaluzia e dos fundos do FEDER. n A resina de bagaço de tomate atua como barreira protetora entre os alimentos e o metal

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