BA27 - Agriterra

ENTREVISTA | MAQUINARIA AGRÍCOLA 74 Além disso, estamos a avançar no desenvolvimento de tratores autónomos capazes de realizar múltiplas tarefas. No entanto, é importante distinguir entre autonomia e automatização. A autonomia ajuda a resolver problemas como a escassez de mão de obra, mas é a automatização que realmente gera valor. Por exemplo, tecnologias como o Smart Apply não só permitem operar sem condutor, como também aplicar fatores de produção de forma precisa, em função da densidade da vegetação. A combinação de ambas – autonomia e automatização – é a chave para o futuro. Olhando para os próximos cinco a dez anos, o que vai definir a competitividade nas culturas de alto valor? Ao contrário das culturas extensivas, neste caso não importa apenas o rendimento, mas também a qualidade: sabor, valor nutricional ou características específicas do produto. A agricultura continuará a ser imprevisível, mas os agricultores vão ter à disposição melhores ferramentas para detetar, analisar e agir perante os problemas. A competitividade será determinada pela capacidade de utilizar dados, inteligência artificial e mecanização avançada para tomar decisões mais rápidas e precisas. Se tivesse de apontar uma tecnologia transformadora para a próxima década, qual seria? Mais do que uma tecnologia concreta, diria que será a automatização avançada apoiada na autonomia. O desafio não é apenas desenvolver tecnologia, mas garantir a sua utilização. Muitas soluções já existem, mas nem sempre são adotadas. A verdadeira mudança vai ocorrer quando a tecnologia for tão intuitiva que a sua utilização se torne natural, tal como aconteceu com a fotografia nos smartphones. O canal de distribuição está preparado para esta transformação? O concessionário é a face da John Deere junto do cliente, e o seu papel é fundamental. Como em qualquer organização, a evolução não é uniforme, mas, de um modo geral, estão a incorporar novas competências: integração tecnológica, análise de dados e aconselhamento especializado. O canal está a evoluir em paralelo com a empresa e será determinante para levar estas soluções ao agricultor. Estamos a realizar esta entrevista no âmbito do GOFAR Tour, realizado a em no Centro de Inovação da John Deere, em Parla (Madrid). Por que razão estas instalações são estratégicas para a empresa? Espanha é um mercado-chave para as culturas de alto valor. A adoção de maquinaria levou-nos a compreender melhor as necessidades reais dos agricultores e a desenvolver soluções adaptadas. Além disso, a diversidade agrícola e o enquadramento regulatório europeu tornam o país um local privilegiado para antecipar tendências. Também tirámos partido das infraestruturas existentes para desenvolver capacidades de I&D. Como é que a colaboração com agricultores, startups e centros de investigação influencia a vossa estratégia global? A inovação não é apenas interna. Muitas das nossas soluções resultam de colaborações ou aquisições, como a Guss ou a Smart Apply. Trabalhamos com empresas especializadas em sensorização, drones ou análise de dados para integrar as suas soluções no nosso ecossistema. O objetivo é avançar em três áreas-chave: sensorização, análise e ação. Paralelamente, estamos a explorar novas tecnologias, como o controlo mecânico ou a laser de ervas daninhas e sistemas avançados de apoio à decisão. n A entrevista foi realizada no Centro de Inovação da John Deere, em Parla (Madrid).

RkJQdWJsaXNoZXIy Njg1MjYx