BA27 - Agriterra

OPINIÃO | REGADIO E REGA SUSTENTÁVEL 59 A narrativa recorrente de que o regadio moderno agrava a crise hídrica esbarra na tecnologia e nos dados de eficiência que transformaram o Baixo Alentejo num exemplo internacional. O olival em sebe e as modernas culturas da região recorrem a sistemas de gota-a-gota geridos por sensores de humidade e dados meteorológicos em tempo real, reduzindo drasticamente o consumo hídrico por quilo de alimento produzido. Num contexto geopolítico global instável, abdicar da soberania alimentar e transferir a produção para países terceiros com pegadas ecológicas massivas não é ecologia; é irresponsabilidade social. Torna-se, por isso, imperativo questionar a insistência neste alarmismo infundado. Quando as propostas apresentadas colidem de forma tão flagrante com a ciência, a engenharia e a vontade das populações locais, é legítimo indagar a quem serve esta agenda. Infelizmente, assistimos à conversão do ativismo numa indústria institucionalizada altamente rentável. Sob a capa do altruísmo ecológico, estas associações dependem vitalmente de uma máquina de financiamento público que, entre candidaturas ao Fundo Ambiental, protocolos diretos com o Estado e subvenções europeias, capta centenas de milhares de euros anualmente – somando largos milhões de euros na última década. Para estas estruturas, a perpetuação do conflito e a criação de falsas crises funcionam como uma indispensável ‘prova de vida’: o ruído mediático justifica a dotação de verbas que, em grande parte, se destinam a alimentar os ordenados, as avenças e a logística dos próprios aparelhos que as gerem. É uma agenda que garante o sustento de quem vive das subvenções no asfalto, mas que abandona à sua sorte quem efetivamente cuida e trabalha a terra. O restauro ecológico é um objetivo nobre quando aplicado com critério técnico e adaptado ao território. Porém, usá-lo como arma ideológica para travar infraestruturas vitais de armazenamento de água no sul da Europa é um erro histórico. Defendemos um Alentejo vivo, sustentável e tecnológico, onde a engenharia e a natureza cooperam para garantir que a água serve a vida, a biodiversidade e a soberania do país. Não permitiremos que o futuro de uma região inteira seja refém de uma agenda que confunde preservação com abandono. n

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