53 REGADIO E REGA SUSTENTÁVEL 2028–2034, passando o seu financiamento a ser integrado no conjunto dos restantes fundos estruturais e a competir com todas as restantes infraestruturas. Isto é particularmente sensível para os países do Sul da Europa, mais expostos à seca e às alterações climáticas. Um verdadeiro paradoxo, já que a Europa reconhece o regadio como essencial para a resiliência agrícola e para a segurança alimentar. No entanto, a PAC prepara-se para deixar de o financiar. É por isso que a ‘Água que Une’ nunca foi, para a FENAREG, uma estratégia entre outras, mas antes a única via para garantir a concretização do investimento no regadio público e privado. A FENAREG, na prossecução da sua missão, já tinha em abril deste ano identificado 57 projetos prontos para avançarem para obra, num investimento global de 900 milhões de euros já aprovados pela Autoridade Nacional do Regadio. Também temos vindo a alertar repetidamente, e ao longo dos dois últimos anos, para o custo da inação: adiar a execução da Estratégia ‘Água que Une’ na agricultura, ao longo de uma década, significa perdermos mais de 5.4 mil milhões de euros - um valor superior ao investimento total previsto na própria Estratégia até 2030. No debate que promovemos em abril, levantámos três questões simples e essenciais: quem vai gerir a ‘Água que Une’? Como será financiada? E que lugar será reservado à agricultura na estrutura de decisão? Passados menos de dois meses, começámos a ter uma primeira resposta parcial. A 24 de junho foram publicadas em Diário da República duas peças legislativas fundamentais: a Resolução do Conselho de Ministros n.º 133/2026, que aprova formalmente a Estratégia Nacional ‘Água Que Une’, e o Decreto-Lei n.º 123/2026, que atribui à AdP AQUA - Gestão Ambiental de Recursos Hídricos - as competências de gestão, execução e coordenação da Estratégia. A ‘Água que Une’ passa, assim, a ter uma base legal e uma entidade executora identificada, mas este passo não é, por si só, uma execução no terreno. Ter entidade gestora definida é um passo, mas continuam por definir e clarificar os meios financeiros para a executar. Foi com esse espírito que, a 15 de julho, a FENAREG entregou à nova liderança da Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, um levantamento consolidado e atualizado dos projetos de execução do regadio público. O documento sistematiza e atualiza agora a informação para 111 projetos de aproveitamentos hidroagrícolas, reportados pelas associações de beneficiários e demais entidades promotoras, num investimento total estimado de 1.100 milhões de euros - cerca de 200 milhões de euros acima dos 900 milhões de euros que a Federação tinha apresentado em abril, na Ovibeja. Destes 111 projetos, 35, no valor de 534 milhões de euros, já têm o projeto de execução concluído, ou seja, têm condições para avançar de imediato para obra. Num contexto em que os fundos estruturais nacionais vão competir com todas as outras prioridades do país, a resposta que a FENAREG defende, há mais de um ano, é uma abordagem multifundos, que permita mobilizar, a par do FEADER, os fundos estruturais, o Fundo Ambiental, o financiamento do BEI e do BCE e as parcerias privadas, de forma a garantir que não dependemos apenas de um único instrumento financeiro. Este modelo exigirá o empenho de toda a administração pública, do governo às autarquias, passando pelas comissões de coordenação regional, envolvendo os ministérios da Agricultura e do Ambiente, das Finanças, do Planeamento e das Infraestruturas. Outro aspeto fundamental é a governança da água, incluindo a participação dos utilizadores e o reforço institucional do regadio, com uma Autoridade Nacional do Regadio com autonomia e meios adequados. A gestão integrada dos recursos hídricos exige uma coordenação efetiva entre as diferentes entidades da administração pública, as associações de regantes, os agricultores, a comunidade científica e os restantes utilizadores. As associações de regantes têm demonstrado, ao longo de décadas, a sua capacidade de gerir de forma eficiente sistemas coletivos de distribuição de água e constituem parceiros essenciais na implementação desta Estratégia. A execução da Estratégia terá impactos distintos nas diferentes regiões do A gestão integrada dos recursos hídricos exige uma coordenação efetiva, com uma Autoridade Nacional do Regadio Sem regadio, não há agricultura competitiva, não há coesão territorial e não há segurança alimentar
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