BA27 - Agriterra

42 MERCADO HORTOFRUTÍCOLA O preço na produção tem tendência para uma redução em algumas frutas de verão devido ao aumento sazonal da oferta e à estabilidade na maioria das hortícolas, com oscilações associadas às condições meteorológicas. Segundo o Observatório de Preços Agroalimentar, os preços no consumidor, e relativamente às frutas, apresentam, em média, uma tendência de estabilização nos últimos períodos. Verifica-se ainda a maior transmissão das oscilações da oferta para os preços ao produtor do que para os preços no consumidor, onde a variação é geralmente mais moderada. IMPACTO DAS CONDIÇÕES CLIMÁTICAS, DA DISPONIBILIDADE DE ÁGUA, DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO E DA MÃO DE OBRA NA COMPETITIVIDADE DAS EXPLORAÇÕES As condições meteorológicas continuam a ser um dos principais fatores de risco para a produção hortofrutícola. As alterações climáticas têm vindo a aumentar a frequência dos fenómenos extremos, obrigando os produtores a adaptar calendários culturais, escolher variedades mais resilientes e investir em tecnologias de proteção das culturas. A água permanece o principal fator estratégico para a competitividade das explorações. Embora as precipitações registadas durante o inverno e a primavera tenham permitido recuperar parcialmente as reservas hídricas em várias bacias hidrográficas, a campanha continua dependente de uma gestão rigorosa da rega, destacando-se a necessidade de investimentos em sistemas de rega localizada, monitorização da humidade do solo e agricultura de precisão. As explorações com maior eficiência no uso da água apresentam maior estabilidade produtiva e melhor capacidade para enfrentar períodos de seca prolongada. Apesar da estabilização observada face aos aumentos registados nos últimos anos, os custos de produção continuam elevados, estando a campanha definitivamente afetada pela conjuntura geopolítica atual, que tem pressionado de forma significativa os custos de energia elétrica e combustíveis e fertilizantes. A disponibilidade de mão de obra continua a constituir um dos maiores constrangimentos da fileira hortofrutícola, persistindo dificuldades no recrutamento de trabalhadores sazonais para as colheitas, assegurar mão de obra especializada e ainda responder ao aumento do custo salarial decorrente da valorização do salário mínimo e da escassez de trabalhadores. Uma outra questão fundamental para a valorização da produção nacional passa pela organização da produção. O fortalecimento das organizações de produtores continua a ser determinante para concentrar a oferta, melhorar o poder negocial, planear a produção, reduzir custos logísticos e facilitar o acesso aos mercados internacionais. As organizações representativas do setor, tal como o COTHN-CC, a FNOP e a Portugal Fresh, identificaram como prioridades, no seu estudo estratégico para a fileira hortofrutícola, os seguintes aspetos: • aumentar o valor acrescentado da produção nacional; • reforçar a competitividade das exportações; • reduzir a dependência da competição baseada no preço; • melhorar a organização da oferta; • investir em inovação e susten- tabilidade; • reforçar a promoção da origem ‘Portugal’; • apoiar a internacionalização das empresas hortofrutícolas. Visita à Organização de produtores BelÓrta, na Bélgica, no âmbito do projeto PRR Demo-net sobre o reforço da importância das organizações de produtores.

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