BA27 - Agriterra

ENTREVISTA 38 Comparativamente a outras fileiras, os pequenos frutos são um setor em crescimento e com um grande nível de exportação. Estes fatores foram determinantes para a escolha da temática da presente edição da Feira Nacional da Agricultura (FNA 26)? A razão da escolha tem a ver exatamente com esse peso que os pequenos frutos têm nas exportações. Estamos a falar de 400 milhões de euros em 2025. E tem também a ver com o interesse que este cultivo tem despertado no público consumidor e com a sua introdução na dieta dos portugueses, registando-se um consumo cada vez maior. Graças à preocupação crescente pela alimentação saudável? Certo. Esta é uma feira que tem cerca de 200 mil visitantes e grande parte deles não são agricultores, são consumidores. É muito relevante comunicar com os consumidores, ter um tema que seja interessante para ambas as partes, e foi isso que levou a esta decisão. A nível das grandes temáticas debatidas nesta edição, o que é que destaca? A apresentação de um estudo sobre a instalação dos jovens agricultores durante 15 anos. É um tema muito relevante para a agricultura nacional, porque temos uma baixa percentagem de jovens instalados na agricultura. Não há melhorias na renovação geracional no setor? É uma das mais baixas da Europa, só temos 3,5% a 4,5% de jovens na agricultura, enquanto a média europeia se situa nos 11%, e há países com mais de 20%. Neste contexto, foram tiradas algumas conclusões do estudo que são relevantes, e eu espero que venham a condicionar a definição, no próximo quadro comunitário, das medidas relativas aos jovens agricultores. Uma tem a ver com a disponibilidade de terra, outra com o acesso ao crédito, e outra com a própria rapidez nas decisões dos projetos de jovem agricultor e com os licenciamentos (em que se esperam dois ou três anos por uma autorização). E tudo isso inviabiliza estes jovens de prosseguirem a atividade agrícola. Que grandes temas políticos, económicos e tecnológicos estão em debate e que mensagens pretende a CAP fazer chegar ao Governo e às instituições europeias? Para o Governo, que marca presença na feira, a grande mensagem é que o apoio ao setor agrícola tem sido muito reduzido. Tem chegado tarde e não é suficiente. Houve intempéries, o dinheiro não chega aos agricultores, há muita burocracia, há muitas regras. Por outro lado, vivemos esta crise dos combustíveis que levou ao aumento do seu preço, nomeadamente o gasóleo, mas também dos fertilizantes. Espanha atribuiu 500 milhões de euros para os fertilizantes, Portugal atribuiu 20% - é 4% do valor espanhol e, nestas circunstâncias, não há condições para ser competitivo. O que é facto é que os agricultores portugueses não têm condições de competitividade para vender os produtos ao mesmo preço que os espanhóis. E o Estado português não quis saber disso. Esqueceu-se da agricultura. E já se sentem esses efeitos? Já, claro que se sentem. Todas as semanas há mais de dois milhões de euros de aumento no custo dos combustíveis. É muito dinheiro. Há situações de setores que estão com grandes dificuldades porque realizaram contratos antes do aumento dos fertilizantes e dos combustíveis. O contrato estava assinado, os valores estão estabelecidos e agora têm que cumprir. Há um ano afirmou, em entrevista à Agriterra, que sem orçamento para a agricultura não há Política Agrícola Comum (PAC). Entretanto, avançaram as discussões sobre o próximo orçamento europeu e sobre a PAC pós-2027. Está hoje mais confiante de que a agricultura continuará a ter um orçamento próprio e suficientemente robusto para responder aos desafios da segurança alimentar e da competitividade europeia? A agricultura não tem ainda um orçamento robusto. Tem uma parte do orçamento, aquilo que foi disponibilizado, que são quase 400 mil milhões de euros, o que representa um corte de 20% face ao que existia no atual quadro. Não é suficiente, temos de continuar a lutar e a reivindicar. A proposta da Comissão foi rejeitada pelo Parlamento Europeu e, portanto, estou confiante que haja ainda uma correção dessa falha orçamental, sem a qual não há condições de competitividade para a agricultura europeia e, nomeadamente, a portuguesa. A digitalização, a inteligência artificial, a agricultura de precisão e as novas tecnologias estão a transformar rapidamente o setor. Na sua opinião, a agricultura portuguesa está preparada para esta revolução tecnológica, ou existe o risco de aumentar as desigualdades entre explorações mais e menos competitivas, isto é, grandes explorações e pequenos agricultores? Desde logo, há requisitos que são necessários para todos, nomeadamente a cobertura 5G no território rural, fundamental para que parte destas tecnologias possam aí funcionar. Depois, não nego que as explorações com maior capacidade económica, com maior dimensão, possam colocar essas tecnologias em funcionamento mais rapidamente. Mas também é verdade que face a estas tecnologias, que requerem maquinarias mais caras e operadores mais sofisticados, aquilo que se tem verificado é que surgem empresas de prestação de serviços que

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