BA27 - Agriterra

CONFERÊNCIA TÉCNICA DA VINHA 15 da viticultura dependerá cada vez mais da capacidade de transformar dados em decisões. “A tecnologia só é útil quando cria valor e melhora a nossa capacidade de decisão”, rematou. PRODUZIR MELHOR COM MENOS: A SUSTENTABILIDADE COMO FATOR DE COMPETITIVIDADE A primeira mesa-redonda da conferência colocou a sustentabilidade no centro da discussão, numa conversa moderada por Henrique Soares, presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal (CVRPS), que reuniu um grupo de oradores composto por Joaquim Miguel Costa, professor e investigador do Instituto Superior de Agronomia (ISA), Gonçalo Morais Tristão, diretor da Federação Nacional de Regantes de Portugal (FENAREG), Carlos Gabirro, CEO da Biostasia, e Filipa Saldanha, diretora de Sustentabilidade do Crédito Agrícola. Apesar das diferentes perspetivas representadas no painel, houve uma ideia que atravessou toda a discussão: a sustentabilidade deixou de ser apenas uma preocupação ambiental para se afirmar como uma condição essencial para a viabilidade económica das explorações vitícolas. Para Joaquim Miguel Costa, a crescente digitalização da agricultura só vai produzir resultados se for acompanhada por um conhecimento sólido da planta e do solo. O investigador notou que a recolha de dados, por si só, não resolve os problemas. “É preciso perceber a planta e perceber o solo”, disse, defendendo que a sensorização e a monitorização só têm valor quando os dados são corretamente interpretados. O especialista destacou, por isso, a importância da inventariação de consumos e recursos, considerando que sem métricas fiáveis não é possível melhorar a eficiência nem tomar decisões fundamentadas. “Se não houver essas métricas, não se pode gerir”, resumiu. A gestão da água dominou igualmente parte significativa do debate. Gonçalo Morais Tristão sustentou que o principal desafio nacional não está na falta de recursos hídricos, mas na sua gestão. “Portugal não tem falta de recursos hídricos”, assegurou peremtoriamente, sublinhando que o país retém apenas uma pequena parte da água que aflui às suas bacias hidrográficas. Para o responsável da FENAREG, aumentar a capacidade de armazenamento, modernizar infraestruturas e investir em eficiência são passos fundamentais para garantir a sustentabilidade futura da agricultura. Frisou ainda a importância da estratégia ‘Água que Une’ e da utilização de dados transparentes para apoiar decisões políticas e empresariais mais eficazes. Do lado empresarial, Carlos Gabirro centrou a sua intervenção na produção com resíduos zero e na evolução das exigências dos consumidores. Segundo o CEO da Biostasia, práticas mais sustentáveis já não são uma tendência de nicho, mas uma exigência crescente do mercado. Defendeu ser possível produzir de forma mais sustentável sem comprometer a rentabilidade, recorrendo a novas tecnologias e a abordagens agronómicas inovadoras. “É possível aumentar a produtividade e reduzir custos”, garantiu, e acrescentou também que a transição exige sobretudo uma mudança de mentalidade por parte dos produtores. A perspetiva financeira foi apresentada por Filipa Saldanha, que frisou o papel da banca no apoio à adaptação do setor agrícola às alterações climáticas. A responsável do Crédito Agrícola explicou que a instituição tem vindo a desenvolver soluções de financiamento orientadas para investimentos em eficiência hídrica, agricultura de precisão e práticas regenerativas, mas advertiu que o acesso ao financiamento vai depender, cada vez mais, da capacidade das empresas demonstrarem a sua preparação para os riscos climáticos. “Precisamos de dados granulares para proteger os nossos clientes e os nossos ativos”. Na sua visão, a recolha e gestão de informação sobre adaptação climática vão ser determinantes não apenas para melhorar a resiliência das explorações, mas também para facilitar o acesso ao crédito num contexto regulatório cada vez mais exigente. Do debate sobre tecnologia, financiamento e eficiência produtiva resultou uma mensagem clara do painel: a susA primeira mesa redonda foi dedicada ao tema ‘Produzir melhor com menos: sustentabilidade e eficiência na vitivinicultura’.

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