BM31 - InterMETAL

69 DOSSIER: CONTROLO DE QUALIDADE UMA ARQUITETURA ADAPTADA A COMPONENTES VOLUMOSOS A principal característica do GiantEye é a sua arquitetura de pórtico. A fonte de radiação e o detetor estão montados numa estrutura que roda verticalmente em torno do objeto, permitindo analisá-lo na sua orientação horizontal natural. Esta configuração reduz a necessidade de movimentar ou inclinar peças pesadas, volumosas ou sensíveis a esforços mecânicos. A solução poderá ser particularmente útil na inspeção de baterias de alta tensão para veículos elétricos, cujos componentes internos exigem condições de medição adequadas para que os raios X atravessem as zonas mais densas e permitam obter imagens fiáveis. A possibilidade de examinar estes conjuntos sem alterar a sua posição poderá facilitar a integração da tomografia nas fases de desenvolvimento e produção. Segundo Alexander Ennen, responsável pela área de Métodos e Sistemas para Aplicações Específicas do Fraunhofer IIS, a tecnologia poderá ser utilizada num ambiente de produção, nomeadamente nas fases iniciais de fabrico de sistemas de baterias de alta tensão complexos. RAIOS X DE 9 MEV E RESOLUÇÃO ATÉ 100 MICRÓMETROS O desempenho do GiantEye assenta em três componentes principais: um acelerador linear que produz raios X com uma energia de nove megaeletrões-volt (MeV), um sistema de movimentação de elevada precisão e um conjunto de deteção concebido para gerar imagens tridimensionais com resoluções até 100 micrómetros. A utilização de raios X de alta energia permite atravessar materiais espessos e densos, enquanto o controlo rigoroso da posição relativa entre a fonte, o objeto e o detetor contribui para a qualidade das reconstruções tridimensionais. O resultado esperado é uma maior capacidade para identificar defeitos internos e avaliar a integridade de componentes sem recorrer a métodos destrutivos. A arquitetura foi concebida para reduzir o tempo de preparação, encurtar as medições e melhorar a repetibilidade das inspeções. Estas características são relevantes em setores como a aeronáutica e a metalomecânica, onde a verificação de peças de geometria complexa e a deteção de descontinuidades internas são fundamentais. No fabrico aditivo, por exemplo, a tomografia permite identificar porosidade, inclusões e outros defeitos que não são visíveis à superfície. A tecnologia de grande escala tem igualmente potencial noutras áreas. Na engenharia civil, o sistema Gulliver CT, da Universidade Técnica de Kaiserslautern, tem permitido examinar tridimensionalmente vigas de betão sob carga. Na segurança pública, a tomografia poderá facilitar a análise de unidades de transporte fechadas sem necessidade de as abrir. PROCESSAMENTO DE DADOS E AUTOMATIZAÇÃO A disponibilização do GiantEye a parceiros industriais está prevista para o início de 2027. Até lá, o desenvolvimento centra-se também no aperfeiçoamento do processamento de dados e da automatização. A tomografia computorizada de alta energia gera grandes volumes de informação, que precisam de ser reconstruídos e interpretados com rapidez e fiabilidade. A capacidade de acelerar a geração de imagens tridimensionais e simplificar a avaliação dos resultados será essencial para integrar a tecnologia nas rotinas de controlo de qualidade. Giovanni Del Galdo, diretor do Fraunhofer IIS, destaca a arquitetura modular do sistema, concebida para adaptar a solução a diferentes tarefas de inspeção. Esta flexibilidade poderá facilitar a integração em processos industriais com requisitos distintos de dimensão, precisão e preparação das peças. Ao combinar aquisição de imagens, processamento de dados e automatização, o GiantEye pretende tornar a inspeção de grandes componentes mais simples e repetível. A tecnologia poderá contribuir para detetar problemas durante o desenvolvimento dos produtos, reduzir a necessidade de ensaios destrutivos e reforçar o controlo de qualidade ao longo do processo de fabrico. n Vista aérea do sistema de tomografia computorizada de alta energia GiantEye. Foto: Fraunhofer IIS.

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