BM31 - InterMETAL

ELETROEROSÃO 46 O terceiro é a rotação contínua do elétrodo, que favorece uma distribuição mais uniforme do fluido e das descargas elétricas. O desgaste tende assim a distribuir-se de forma mais homogénea, contribuindo para melhorar a circularidade dos furos e reduzir as diferenças entre os diâmetros de entrada e de saída. A conjugação destes fatores permite produzir microfuros com elevada relação entre profundidade e diâmetro, sem transmitir esforços mecânicos significativos a componentes de paredes finas, como as pás das turbinas. A evolução dos equipamentos tem acrescentado funções de controlo destinadas a melhorar a repetibilidade e a fiabilidade do processo. Entre elas encontram-se a compensação do desgaste do elétrodo, a monitorização em tempo real e a deteção automática do momento em que o elétrodo atravessa a parede da peça, conhecida como Breakthrough Detection (BTD). Esta última função é particularmente importante para evitar a penetração excessiva e danos na parede oposta do componente. A tecnologia permite ainda produzir furos de geometria não cilíndrica, designados shaped holes. Entre estes encontram-se os fan-shaped holes, cuja saída em forma de leque favorece a dispersão do ar sobre a superfície da pá e pode melhorar a eficácia do arrefecimento por película. ONA HALLEY 4: UMA PLATAFORMA PARA INVESTIGAÇÃO APLICADA A incorporação de uma máquina ONA Halley 4 no Centro de Fabricação Avançada Aeronáutica (CFAA), associado à Universidade do País Basco (UPV/EHU), reforça a capacidade de investigação do centro nesta tecnologia. A infraestrutura destina-se ao estudo e à otimização da perfuração por eletroerosão, bem como ao desenvolvimento de soluções aplicáveis ao fabrico e à reparação de componentes críticos de turbinas. A máquina dispõe de uma configuração multieixo que permite posicionar e orientar as peças com precisão, incluindo em superfícies curvas e com ângulos de perfuração acentuados. Um sistema de apalpação por contacto permite referenciar automaticamente o componente antes da maquinação e compensar eventuais desvios de posicionamento. Além dos furos cilíndricos convencionais, o equipamento permite executar geometrias específicas, incluindo furos em forma de leque. Disponibiliza diferentes geometrias predefinidas e a possibilidade de programar perfis personalizados, adaptados às exigências aerodinâmicas e térmicas de cada aplicação. De acordo com as especificações divulgadas, a ONA Halley 4 trabalha com elétrodos tubulares de 0,3 a 6 mm de diâmetro e até 600 mm de comprimento. O sistema de alimentação do fluido dielétrico pode atingir 100 bar de pressão. Entre as funções disponíveis encontram-se o controlo do desgaste do elétrodo, a deteção da passagem através da parede da peça e a troca automática de elétrodos e guias. Estas funcionalidades ajudam a estabilizar a operação e a reduzir a intervenção do operador, contribuindo para a repetibilidade dos resultados. Exemplo de um BTD incorretamente ajustado, no qual o elétrodo danifica a parede oposta após a perfuração. Caracterização tridimensional de um furo de geometria especial (shaped hole) através do microscópio Alicona InfiniteFocus.

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