BM20 - InterMETAL

ENTREVISTA 18 mitem manter as máquinas a funcionar sem operador. Estes dois aspetos, da digitalização e da automatização, são fundamentais para que possamos continuar a crescer (e a ser competitivos) e estão, de facto, interligados: não nos vale de muito ter apenas os processos automatizados se não conseguirmos medi-los. São áreas em que vamos, certamente, continuar a apostar. No meio de toda a tecnologia disponível, o fator humano continua a ter um papel central na indústria, com muitas empresas a relatarem falta de mão de obra qualificada. Também é o vosso caso? Sim, as pessoas são o fator central de qualquer empresa, por muito automatizada e digitalizada que esta esteja. A tendência é de passarmos a deixar que sejam as máquinas a fazer os processos mais repetitivos, de forma a libertarmos as pessoas para tarefas mais interessantes, que exijam alguma cognição e que tenham maior valor acrescentado. A falta de pessoal é um problema que afeta bastante o nosso setor, pelo qual a AMOB também passa, e é uma das razões para termos investido tanto em automatização. Felizmente, esta falta tem estado a ser colmatada por alguma imigração muito qualificada que nos tem chegado, principalmente de países como o Brasil, a Índia e o Paquistão. Posso dizer-lhe que, neste momento, temos dez técnicos brasileiros a trabalhar na AMOB, todos eles muito bem preparados e a executarem tarefas diferenciadas. Se quisermos fazer crescer as nossas empresas, vamos ter de ser capazes de atrair esta mão de obra qualificada. Para tal, Portugal tem de se tornar atrativo, quer em termos fiscais quer nas condições de vida que dá às pessoas. Além deste, que outros desafios terá a indústria metalomecânica portuguesa de enfrentar nos próximos anos? Acho que a mão de obra é mesmo o principal desafio. Se tivermos pessoas competentes, capazes, motivadas e felizes, facilmente enfrentamos qualquer desafio. Agora, é preciso que as pessoas possam ser bem renumeradas e que não vejam metade do seu rendimento a ser absorvido por impostos. Era importante que elas pudessem levar mais dinheiro para casa e acho que vamos ter dificuldade em encontrar trabalhadores qualificados se assim não for. Não nos podemos esquecer que concorremos com países onde os salários são muito superiores e que também têm a mesma falta de gente. Para terminar, como vê o futuro desta indústria? Vejo um futuro muito risonho… se conseguirmos reter o talento em Portugal. Acho que a indústria metalomecânica portuguesa é muito resiliente. Não tenho dúvidas de que somos tecnicamente melhores do que 99% dos países que têm indústria metalomecânica. Agora, precisamos dar às pessoas as condições necessárias para que possam ter vidas dignas. Temos de criar essas condições. Se o fizermos, temos todos os ingredientes necessários para crescer. n A AMOB tem vindo a investir na otimização do software de controlo das máquinas, que é hoje mais intuitivo e completo. A AMOB emprega atualmente 165 trabalhadores na sua fábrica em Louro, Vila Nova de Famalicão

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