68 GESTÃO FLORESTAL quanto à exposição a cheias, ao seu estatuto de Reserva Ecológica Nacional (REN) ou a qualquer outra coisa que se interponha entre o proprietário e a ação. A âncora nunca muda (a parcela de terra específica) e cada perspetiva acrescenta mais uma camada de clareza. O ponto crucial não são os mapas, mas o que eles tornam possível: transformar dados que apenas especialistas conseguem ler em respostas sobre as quais um proprietário pode agir. Se trabalha a sua terra, nada disto é problema alheio. A parcela abandonada ao lado da sua é o seu risco. É por onde o fogo entra e onde se concentram riscos e problemas, mas é também o terreno que poderá um dia arrendar ou comprar para fazer crescer o seu património. A fragmentação, as fronteiras incertas, as classificações, os deveres de gestão de combustível e os licenciamentos constituem uma fricção diária para o produtor ativo, não apenas para o herdeiro distante. Vista dessa forma, a clareza focada no proprietário é simplesmente um apoio à decisão: perceber onde a temporada está mais crítica, que parcela vizinha existe e quem a detém, que obrigações se aplicam a um determinado campo e como colocar em produção um canto disperso ou herdado, em vez de o ver transformar-se em combustível. E há a questão que qualquer proprietário enfrenta mais tarde ou mais cedo: quem assume a terra a seguir, e como. Facilitar esse processo faz parte do mesmo trabalho, assim como ajudar a que o tipo de terra que necessita de um cuidado, paciente e prático (seja um montado, sistemas agroflorestais ou uso misto), se mantenha trabalhada em vez de resvalar para o abandono. Simplificando, este projeto também foi construído para as pessoas que trabalham a terra, e não apenas para as que a deixaram. A PONTE MAIS IMPORTANTE O que me move não é o desenvolvimento do software. É o que se encontra em cada uma das suas extremidades. O verdadeiro trabalho é construir pontes: entre dados dispersos e uma decisão clara; entre um proprietário em Lisboa e uma comunidade no interior; entre a terra que silenciosamente se torna combustível e a terra que volta a ganhar valor... pastagens, cortiça, produtos e um motivo para as pessoas ficarem na sua terra. Somos otimistas, mas não ingénuos. Nada disto é alcançado por uma única empresa; exige proprietários, municípios, cooperativas, cientistas e produtores a avançarem na mesma direção. O nosso papel é deliberadamente focado, mas rigoroso, e coloca-se ao lado da parte que costuma ser deixada para o fim: o proprietário. O que espero é algo maior do que qualquer mapa: que a terra deixe de ser um fardo para quem a herda e passe a ser novamente o que foi para o meu avô: uma fonte de propósito. Para uma geração que procura significado entre ecrãs, há muito para encontrar em algo que não pode ser totalmente controlado, que nunca está terminado e que, como o meu avô sabia, nos deixa com histórias para contar. n A história completa dos dados, análise regional e mapas interativos estão disponíveis em: perspetiva.aminhaterra.pt A checklist está disponível em: proteger.aminhaterra.pt
RkJQdWJsaXNoZXIy Njg1MjYx