66 GESTÃO FLORESTAL A importância de colocar o proprietário em primeiro lugar A Minha Terra, desenvolvida pela Land OS, é uma plataforma portuguesa dedicada aos proprietários de terrenos, ajudando-os a compreender, gerir e agir sobre as suas propriedades. Desenvolvida para responder à fragmentação do mercado fundiário em Portugal, a plataforma permite que cada proprietário tenha uma visão clara do que possui e do que pode fazer com o seu terreno. Os serviços incluem o registo de terrenos, a resolução de heranças, a gestão do risco de incêndio e a ativação de terrenos. Alexander Griekspoor, CEO e cofundador da Land OS “Alex, esta é a terra da nossa família.” O meu avô português disse-o enquanto me entregava uma folha A4 com dez números de quatro dígitos... os artigos matriciais das parcelas que a nossa família possui em Sameiro e em Manteigas. Foram das palavras mais orgulhosas que alguma vez me dirigiu, e só mais tarde é que senti o seu verdadeiro peso. Devo confessar que não sou agricultor, nem sou português. Formei-me em biologia e passei a minha carreira a desenvolver software. Cheguei a esta terra através da família que me acolheu quando conheci a minha esposa. Os meus avós ‘emprestados’ falavam apenas português, ensinaram-me a língua e, com ela, deram-me um verdadeiro sentido sobre o que a terra significa neste país. Para a geração do meu avô, esse significado era evidente. Deixaram o interior para procurar outra vida, mas nunca deixaram a terra que os moldou; ela trazia-lhes um propósito. Os seus filhos cresceram numa cidade, regressando apenas como visitantes, e algo silenciosamente se inverteu. A terra deixou de ser uma fonte de propósito e passou a ser uma fonte de problemas: partilhas, disputas familiares, burocracia. Esta mudança não se deveu a uma perda de afeto. Foi uma perda de ferramentas. Portugal tornou-se num país de proprietários ausentes sem nunca ter construído nada para eles. Esse vazio foi a razão pela qual criei a Land OS. A terra negligenciada não espera pacientemente: ela envelhece, fragmenta-se e, num verão seco, transforma-se em combustível. E o que se abandona nunca é apenas a terra... é o campo de trabalho e são as comunidades que se vão esvaziando um pouco mais a cada parcela abandonada. Reconectar os proprietários
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