5 Mercados agrícolas da UE resistem à incerteza, mas fertilizantes continuam a pressionar produtores Os mercados agrícolas da União Europeia (UE) deverão manter-se resilientes em 2026, apesar da subida dos custos da energia e dos fertilizantes, da persistência das tensões geopolíticas e da incerteza económica. Nas perspetivas de curto prazo para os mercados agrícolas, divulgadas pela Comissão Europeia, Bruxelas prevê uma produção de cereais próxima da média dos últimos cinco anos, um aumento da produção de oleaginosas e uma ligeira recuperação da produção portuguesa de azeite, num contexto em que os custos de produção continuam a condicionar a atividade agrícola. Segundo a Comissão Europeia, o contexto económico permanece marcado pela incerteza. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da UE deverá abrandar para 1,1% em 2026, enquanto a inflação deverá atingir 3,1%, impulsionada sobretudo pelos preços da energia, na sequência das tensões no Médio Oriente. A instituição alerta que um agravamento da situação geopolítica ou novos constrangimentos nas exportações energéticas e no transporte marítimo podem manter elevados os preços do petróleo e do gás, com reflexos na inflação e nos custos de produção agrícola. Os custos globais dos fatores de produção estabilizaram ao longo de 2025, mas voltaram a aumentar no primeiro trimestre deste ano. A energia registou uma subida de 5,6% e os fertilizantes de 4,2%, tendência que pode prolongar-se durante o resto de 2026. Embora a disponibilidade de fertilizantes azotados seja atualmente suficiente, a dependência europeia das importações mantém o setor vulnerável à evolução dos mercados internacionais. Ainda assim, Comissão Europeia antecipa um setor agrícola resiliente em 2027. EDITORIAL A agricultura nacional enfrenta um momento decisivo. À pressão crescente sobre os recursos hídricos e o aumento do preço dos custos de produção somam-se a necessidade de reforçar a competitividade, a adaptação às alterações climáticas, a renovação geracional, a digitalização das explorações e a criação de condições para que a tecnologia chegue efetivamente ao terreno. É neste contexto que a Agriterra apresenta uma edição centrada nos desafios e nas oportunidades que marcarão o futuro do setor. A Feira Nacional de Agricultura voltou a afirmar-se como o principal ponto de encontro dos profissionais da fileira e, nesta edição, ouvimos o secretário-geral da CAP, numa entrevista em que analisa as prioridades da produção agrícola, das políticas públicas à competitividade das explorações, passando pelo papel determinante da inovação e do investimento. A não perder. A reportagem dedicada aos expositores da FNA 26 mostra, por sua vez, um setor dinâmico, onde empresas e produtores apresentam soluções tecnológicas, equipamentos e serviços orientados para uma agricultura mais eficiente e sustentável. Em paralelo, a Conferência Técnica da Vinha, organizada pela Agriterra, reuniu especialistas para debater temas incontornáveis, da gestão da escassez de água à inteligência artificial, evidenciando que a vitivinicultura do futuro dependerá da capacidade de integrar conhecimento, tecnologia e sustentabilidade. Ainda neste último número antes das férias, o dossier ‘Regadio e Rega Sustentável’ aprofunda uma das questões mais estratégicas para a agricultura portuguesa. Da modernização das infraestruturas à eficiência na utilização da água, passando pelas novas tecnologias de rega, pela digitalização e pela gestão inteligente dos recursos, os artigos que preparámos para o leitor demonstram que produzir mais com menos água deixou de ser um objetivo para se tornar uma exigência. Em destaque, o artigo assinado pelo presidente da FENAREG, que enquadra os desafios do regadio nacional e sublinha a sua importância para a segurança alimentar, a coesão territorial e a adaptação às alterações climáticas. Nesta edição leia ainda um dossier dedicado ao ‘Mercado Hortofrutícola’, onde são analisadas as principais tendências de produção, exportação e inovação. Entre os vários contributos, é de assinalar a análise da secretária-geral do COTHN, que oferece uma leitura aprofundada da evolução do setor, reforçando a necessidade de apostar na diferenciação, na eficiência e na criação de valor ao longo de toda a cadeia. Boas férias e boa leitura. O tempo das decisões na agricultura portuguesa
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