BP28 - InterPLAST

55 SUSTENTABILIDADE na ordem dos 0,07 mm, mantendo resistência e integridade estrutural. DESEMPENHO COMPARÁVEL E POTENCIAL INDUSTRIAL O novo material, designado CMCSP, apresenta uma resistência comparável à dos plásticos convencionais de origem fóssil, mantendo simultaneamente características como transparência, processabilidade e reciclabilidade em circuito fechado. Outro fator relevante é a utilização de matérias-primas comuns, de baixo custo e já aprovadas para contacto alimentar, o que poderá facilitar a sua transição para aplicações industriais. Em testes laboratoriais, produtos fabricados com este material — como embalagens flexíveis — demonstraram capacidade de dissolução completa em água do mar artificial em poucas horas, sem formação de microplásticos. IMPLICAÇÕES PARA A INDÚSTRIA DOS PLÁSTICOS Este desenvolvimento surge num momento em que a indústria enfrenta uma crescente pressão regulatória e social para reduzir o impacto ambiental dos plásticos, particularmente em aplicações de uso único. A possibilidade de desenvolver materiais que se degradam de forma controlada em ambiente marinho, mantendo simultaneamente desempenho técnico, poderá abrir novas oportunidades, sobretudo em setores como embalagens, agricultura ou aplicações marítimas. Ainda que sejam necessários passos adicionais para validar a escalabilidade e viabilidade económica, este novo material representa um avanço significativo na procura de soluções que conciliem funcionalidade, segurança e sustentabilidade — um dos grandes desafios estruturais da indústria dos plásticos. n Esquema do processo através do qual a celulose e os iões de guanidínio derivados da polietilenimina se combinam em água para formar, inicialmente, uma película plástica transparente e rígida à base de celulose. Posteriormente, as suas propriedades mecânicas são ajustadas através da adição de cloreto de colina. Saco de plástico biodegradável de origem vegetal utilizado para acondicionar vegetais. Os seus componentes são comuns, económicos e aprovados pela FDA, e o material é obtido através da simples mistura desses componentes em água. Pode decompor-se totalmente em água do mar artificial em cerca de duas horas, sem deixar microplásticos. degradação efetiva em condições reais de utilização. UMA NOVA ABORDAGEM BASEADA EM LIGAÇÕES REVERSÍVEIS A equipa liderada por Takuzo Aida partiu de um conceito já explorado anteriormente: plásticos supramoleculares formados por polímeros ligados através de ‘pontes salinas’, ou seja, interações reversíveis entre cargas opostas. Em contacto com água salgada, estas ligações são quebradas, levando à desintegração do material. No entanto, as primeiras versões apresentavam limitações em termos de aplicabilidade industrial. O novo desenvolvimento introduz uma melhoria decisiva ao incorporar carboximetilcelulose — um derivado da polpa de madeira, biodegradável e aprovado para uso alimentar. Este componente é combinado com um agente de reticulação baseado em iões de guanidínio, derivados de polietilenimina, criando uma rede tridimensional estável quando misturados em água à temperatura ambiente. O resultado é um material resistente, cuja estrutura se mantém em condições normais, mas que se desagrega rapidamente em ambiente salino. AJUSTE DE PROPRIEDADES E PROCESSABILIDADE Um dos desafios iniciais deste material foi a sua rigidez e fragilidade, associadas à estrutura da celulose. Para ultrapassar esta limitação, os investigadores introduziram cloreto de colina — um aditivo alimentar também aprovado — como plastificante. Através do ajuste da sua proporção, foi possível modular as propriedades mecânicas do material, permitindo transitar de um comportamento rígido, semelhante ao vidro, para um material elástico, capaz de se alongar até 130% do seu comprimento original. O material pode ainda ser transformado em filmes finos, com espessuras

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