ENTREVISTA 52 evitar a geração de microplásticos persistentes e aproveitar os resíduos da colheita, é necessária uma adaptação às características intrínsecas dos materiais que tornam isso possível, e não compará-los com os que foram concebidos para permanecer no ambiente. Um dos principais obstáculos continua a ser a perceção errada sobre as limitações técnicas dos biopolímeros em comparação com os materiais convencionais, especialmente em aspetos como resistência mecânica ou processabilidade. No entanto, essa perceção evoluiu consideravelmente desde os primeiros materiais desenvolvidos há anos. Produtos como o ecovio foram concebidos para substituir materiais convencionais com desempenho comparável, acrescentando ainda a vantagem de um fim de vida orgânico. Com o ecovio é possível alcançar compostagem industrial, compostagem doméstica e até mesmo biodegradação no solo. Também persiste uma certa falta de informação clara para os utilizadores finais. No setor agrícola, no entanto, observa-se uma comunicação cada vez maior entre os agricultores, que partilham resultados positivos na utilização destes materiais para manter a qualidade do solo. O passaporte digital do produto pode ajudar a diferenciar claramente esses materiais nos fluxos de fim de vida? O passaporte digital do produto irá reunir informações verificáveis sobre a composição, a origem das matérias- -primas, as certificações ambientais e as instruções de fim de vida de cada material. Graças a dados padronizados e interoperáveis, será possível identificar a biodegradabilidade certificada dos materiais e o seu tratamento adequado nos sistemas de gestão de resíduos. Este nível de transparência deverá aumentar a competitividade dos materiais com melhor desempenho ambiental, bem como a pressão sobre os polímeros fósseis com maior impacto. Além disso, o sistema irá incentivar o ecodesign e favorecer decisões de compra mais responsáveis por parte dos consumidores e da distribuição. Também irá melhorar a eficiência da reciclagem e da compostagem, reduzindo a contaminação nos fluxos de resíduos. Nesse cenário, é previsível que as empresas centradas na circularidade se destaquem em relação às demais. Nos próximos cinco ou dez anos, que tendências serão mais determinantes para a consolidação dos biopolímeros? Nos próximos cinco ou dez anos, vários fatores irão convergir para favorecer a consolidação dos biopolímeros na agricultura e em outras indústrias. O mercado de acolchoamento biodegradável deverá crescer aproximadamente 10% entre 2025 e 2029, impulsionado pela inovação, regulamentação e procura por soluções com menor impacto ambiental. A visibilidade dos custos reais da reciclagem de plásticos agrícolas, o maior controlo sobre a qualidade do solo e as políticas de economia circular na Europa deverão acelerar a substituição de materiais convencionais. Na agricultura, os filmes de cobertura biodegradáveis, os grampos e as estacas compostáveis permitirão evitar a poluição plástica e melhorar a eficiência produtiva. O seu desempenho no campo e a sua conformidade regulamentar serão fatores-chave. Ao mesmo tempo, a pressão para reduzir as emissões e demonstrar a rastreabilidade impulsionará materiais compostáveis certificados como ecovio em aplicações onde a reciclagem mecânica não é viável. A evolução normativa, uma maior disponibilidade de infraestruturas de compostagem e ferramentas como o passaporte digital do produto facilitarão a sua adoção. Por fim, a coordenação de toda a cadeia de valor será essencial para permitir uma implantação em grande escala. Para terminarmos, que mensagem gostaria de deixar aos industriais ibéricos que estão a considerar integrar estes materiais nas suas cadeias de valor? Os plásticos biodegradáveis-compostáveis, ou BioComs, e a sua ampla gama de aplicações representam uma oportunidade de crescimento económico numa região tão dinâmica como a Península Ibérica, fortemente ligada ao mercado internacional através das exportações. Os biopolímeros e os materiais biodegradáveis-compostáveis não são apenas uma alternativa sustentável. Representam também uma oportunidade para se diferenciar, antecipar a regulamentação e aportar um valor acrescentado real. Com as soluções adequadas, é possível combinar desempenho técnico, eficiência económica e sustentabilidade. A chave reside na adoção de uma abordagem colaborativa entre fabricantes, transformadores, marcas, agricultores e gestores de resíduos. n Ecovio e ecoflex são marcas registadas, propriedade da BASF.
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