5 Empresas do setor têm até 31 de maio de 2026 para reportar emissões de microplásticos Os fabricantes e utilizadores industriais de micropartículas de polímeros sintéticos devem comunicar anualmente as emissões de microplásticos para o ambiente, devendo o primeiro reporte ser submetido até 31 de maio de 2026, lembrou a Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Como esclarece a APA, a obrigação resulta da alteração ao Regulamento (CE) n.º 1907/2006 – Regulamento REACH (Registo, Avaliação, Autorização e Restrição de Produtos Químicos) – introduzida pelo Regulamento (UE) n.º 2023/2055, de 25 de setembro de 2023, que integrou a restrição das micropartículas de polímeros sintéticos na entrada 78 do Anexo XVII. A exigência aplica-se a fabricantes e a utilizadores industriais a jusante que utilizem estas micropartículas, designadamente sob a forma de pellets, flocos ou pós, como matéria-prima na produção de plástico em instalações industriais. O primeiro relatório anual incide sobre as emissões estimadas relativas ao ano de 2025. A submissão deve ser efetuada junto da Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA), através da plataforma REACH-IT, utilizando o formato IUCLID (Base de Dados Internacional Uniforme sobre Informação Química). De acordo com a APA, a ECHA disponibiliza guias e manuais de apoio à preparação e entrega do relatório, incluindo um conjunto de dados IUCLID pré-preenchido para facilitar a elaboração do dossiê. Para esclarecimentos adicionais, as entidades abrangidas podem contactar o Serviço Nacional de Assistência para o REACH e CLP (Classificação, Rotulagem e Embalagem) ou a própria ECHA. EDITORIAL O início de 2026 confirma um contexto exigente para a indústria europeia dos plásticos, marcado por custos energéticos elevados, pressão regulatória e instabilidade na cadeia de valor. Ainda assim, o setor continua a demonstrar resiliência e capacidade de adaptação. O 5.º Estudo de Mercado de Máquinas de Injeção, da InterPlast, em destaque nesta edição, reflete essa realidade: apesar das incertezas, o setor mantém-se estável, sustentado por investimento seletivo e pela evolução tecnológica dos equipamentos, cada vez mais eficientes e digitalizados. A transformação não abranda — ajusta-se. Esta capacidade de resposta é particularmente evidente na indústria médica, tema central desta edição. Os polímeros continuam a assumir um papel crítico na produção de dispositivos mais seguros, leves e funcionais. Mas a sua relevância vai além do material: depende de processos altamente controlados, validação rigorosa e engenharia especializada. Num setor onde a margem de erro é inexistente, a exigência técnica é determinante. A reportagem dedicada à Aloft ilustra este posicionamento. Num contexto adverso, a empresa destaca-se pela aposta na engenharia e em segmentos de elevado valor acrescentado, demonstrando que a competitividade passa por diferenciação e não apenas por escala. Paralelamente, a sustentabilidade mantém-se no centro da agenda. Projetos de investigação em curso apontam para novos materiais, incluindo plásticos biodegradáveis em ambiente marinho e fibras de carbono desenvolvidas a partir de algas. Mais do que alternativas, estas soluções representam uma mudança de paradigma no desenvolvimento de materiais. Esta evolução ganha maior relevância face ao crescente escrutínio sobre os microplásticos. A obrigatoriedade de reporte de emissões vem reforçar a necessidade de controlo de processos e transparência, colocando novas exigências às empresas do setor. Neste enquadramento, a perspetiva da BASF sublinha um ponto essencial: os materiais devem ser avaliados ao longo de todo o seu ciclo de vida. A biodegradabilidade e a compostabilidade dependem de condições específicas e não podem ser analisadas de forma isolada. Uma nota final para a edição deste ano da Equiplast, que volta a afirmar-se como um espaço estratégico para acompanhar esta transformação, reunindo inovação, indústria e debate em torno da economia circular. Apesar das pressões atuais, o setor mostra sinais claros de evolução sustentada. A combinação entre inovação tecnológica, novas soluções materiais e maior maturidade na abordagem à sustentabilidade aponta para um futuro em que a indústria dos plásticos continuará a ser não apenas relevante, mas parte ativa da solução. Boa leitura. Entre a pressão e a reinvenção: os plásticos na encruzilhada de 2026
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