ENTREVISTA 49 Antonella, como descreve o estado atual do mercado global de biopolímeros e materiais certificados como compostáveis? O primeiro ponto que importa clarificar é a confusão gerada pelas designações ‘biopolímeros’, ‘bioplásticos' e ‘biodegradáveis-compostáveis’. O elemento verdadeiramente diferenciador é o seu fim de vida. No caso dos materiais de que falamos, trata-se de um fim de vida orgânico, suportado por certificações específicas. Em Espanha, foi inclusive adotado o termo BioComs para os distinguir. O mercado global de biopolímeros e materiais compostáveis atravessa uma fase de forte dinamismo. A conjugação de três fatores — regulamentação ambiental, pressão para reduzir a geração de microplásticos e procura por parte das gerações mais jovens — está a impulsionar um crescimento contínuo. As empresas mais inovadoras desenvolveram aplicações hoje escaláveis e integráveis na cadeia de valor. Observa-se uma transição clara de soluções convencionais para materiais que oferecem funcionalidade e melhor comportamento no fim de vida, especialmente em setores como agricultura, embalagens de alimentos e diversos artigos de consumo. Persistem, contudo, diferenças regionais ao nível das normas, infraestruturas de compostagem e ritmos de adoção. Quais são, na sua opinião, as principais diferenças entre o mercado europeu e o mercado ibérico na adoção de biopolímeros? A Europa Central tem sido pioneira na adoção de materiais compostáveis, beneficiando de infraestruturas de recolha orgânica mais consolidadas e enquadramentos regulamentares mais maduros. Países como Itália destacam-se também pelos sistemas avançados de responsabilidade alargada do produtor (EPR). No mercado ibérico existem diferenças entre Portugal e Espanha. Em Espanha, a sensibilização tem aumentado significativamente devido à nova legislação que impõe a recolha separada em sacos compostáveis certificados segundo a norma EN 13432. No entanto, a implementação depende da disponibilidade de compostagem industrial, que varia entre comunidades autónomas. No setor agrícola espanhol, tradicionalmente orientado para a produtividade, verifica-se uma abertura crescente às soluções biodegradáveis e compostáveis, visando preservar a qualidade do solo e valorizar os resíduos das colheitas como matéria-prima para compostagem. A utilização de filmes de cobertura biodegradáveis, clips, fitas tutoras e ráfias compostáveis — como as aplicações com ecovio — tem ganho tração pelo seu valor agronómico e redução de resíduos plásticos. Como evoluiu o enquadramento regulamentar europeu nesta matéria e qual o impacto esperado junto dos vossos clientes? A União Europeia integrou determinados produtos biodegradáveis no solo no Regulamento dos Produtos Fertilizantes (FPR) 1009/2019, incluindo filmes de cobertura biodegradáveis, agentes de revestimento e polímeros de retenção de água, classificados na CMC 9 (‘Outros polímeros’). O ecovio cumpre a regulamentação que define os critérios de biodegradabilidade para que estes materiais sejam considerados como aditivos orgânicos que contribuem para manter as propriedades químicas do solo. O filme de cobertura ecovio não gera microplásticos persistentes. Isto é muito importante. A partir de agora, será necessário trabalhar região a região para definir uma política agrícola comum que permita adotar estas soluções como uma prática inteligente. No domínio das embalagens, a evolução regulamentar — nomeadamente o regulamento europeu relativo a embalagens e resíduos de embalagens (PPWR) — poderá permitir a permanência no mercado de determinados produtos até agosto de 2026 apenas se forem compostáveis. O modo como os Estados-Membros transpuserem e aplicarem estas disposições será determinante. Como avalia a recetividade dos clientes ibéricos aos biopolímeros e às soluções compostáveis da BASF? Permita-me que me concentre nas soluções biodegradáveis-compostáveis. Em materiais como o ecovio da BASF, observamos uma recetividade claramente positiva entre os clientes ibéricos. A nossa experiência na região mostra que existem inúmeros parceiros interessados. Os transformadores demonstram Os biopolímeros e materiais biodegradáveis-compostáveis representam uma oportunidade para a indústria se diferenciar, antecipar a regulamentação e agregar valor
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