BP28 - InterPLAST

PLÁSTICOS NA INDÚSTRIA MÉDICA 43 Também ao nível dos dispositivos médicos utilizados na prática clínica diária, a engenharia de polímeros permite desenvolver soluções que simplificam procedimentos e aumentam a segurança do doente. O projeto Seringa EasyFlush, desenvolvido por um consórcio liderado pela Moliporex e que integra o PIEP, a Escola Superior de Enfermagem de Coimbra e a Escola Superior de Enfermagem de Lisboa, insere-se neste contexto. O objetivo central é o desenvolvimento de uma seringa de câmara dupla inovadora que permite a administração de fármacos, o flushing e o locking num único dispositivo, simplificando drasticamente a manutenção de cateteres venosos. Esta solução visa aumentar a segurança do doente ao reduzir o número de manipulações do acesso vascular em cerca de 30% a 50%, combatendo complicações comuns como a oclusão do cateter e infeções da corrente sanguínea. Ao contrário das soluções atuais, a SEF permite o carregamento in situ e independente das câmaras, oferecendo aos profissionais de saúde total controlo sobre os volumes e a técnica de administração. A viabilização técnica deste dispositivo assenta em competências avançadas de engenharia de polímeros, focando- -se na modelação 3D detalhada e na seleção de materiais biocompatíveis e transparentes de grau médico. O processo de desenvolvimento utiliza simulações computacionais FEA e CFD para prever o comportamento mecânico e otimizar o fluxo de líquidos no interior das câmaras. Estas ferramentas são cruciais para garantir a estanquicidade e a total separação física entre as soluções, evitando contaminações cruzadas. O projeto contempla ainda a otimização do processo de moldação por injeção de alta precisão e a avaliação do desempenho ambiental do produto através da metodologia de ACV, assegurando que a inovação clínica é acompanhada por eficiência industrial e sustentabilidade. Complementando estas abordagens centradas em dispositivos e materiais, o projeto europeu Sustronics (www.sustronics.eu) explora novas estratégias para a integração de eletrónica em componentes poliméricos, abrindo caminho para dispositivos médicos mais compactos e sustentáveis. O projeto, liderado pela Philips (Países Baixos), visa melhorar a forma como os produtos eletrónicos são concebidos, produzidos, utilizados e recuperados, promovendo abordagens mais sustentáveis ao longo de todo o seu ciclo de vida. O projeto integra dez pilotos, dos quais oito estão diretamente relacionados com a área da saúde. O PIEP lidera o WP1 – Desenvolvimento de Materiais e participa no Piloto 2.1 – Eletrónica embebida para monitorização de eletroencefalografia (EEG), desenvolvido em colaboração com a empresa portuguesa PLUX Biosignals. Neste piloto, o PIEP é responsável pelo desenvolvimento de uma nova geração de sensores para aquisição de sinais de EEG baseada na substituição da tradicional placa de circuito impresso (PCB) pela tecnologia Laser Direct Structuring (LDS). Esta tecnologia permite integrar diretamente os circuitos eletrónicos na superfície de peças poliméricas, possibilitando soluções mais compactas, leves e altamente integradas, características particularmente relevantes no desenvolvimento de dispositivos médicos portáteis e vestíveis. Os resultados iniciais da ACV indicam que o protótipo do sensor desenvolvido com tecnologia LDS apresenta uma redução de cerca de 40% na pegada ambiental do produto quando comparado com a solução atualmente baseada em PCB. Estes resultados evidenciam o potencial da integração de eletrónica em substratos poliméricos como estratégia para reduzir o impacto ambiental dos dispositivos eletrónicos e, simultaneamente, promover soluções médicas mais eficientes e sustentáveis. Em conjunto, estes projetos demonstram a diversidade de abordagens através das quais os materiais poliméricos contribuem para a inovação no setor da saúde, desde o desenvolvimento de novos materiais sustentáveis e soluções têxteis avançadas até à conceção de dispositivos médicos personalizados e à integração de eletrónica em componentes poliméricos. Esta visão integrada reforça o papel da engenharia de polímeros como elemento chave na evolução dos dispositivos médicos do futuro, conciliando desempenho clínico, eficiência industrial e sustentabilidade ambiental. n

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