BP28 - InterPLAST

PLÁSTICOS NA INDÚSTRIA MÉDICA 42 rização de compostos poliméricos até à avaliação do desempenho em escala protótipo e piloto, evidenciando a capacidade de combinar engenharia de polímeros, processamento avançado e validação técnica orientada para a aplicação industrial. Ao nível do desempenho funcional, as soluções desenvolvidas apresentam toque suave e acabamento superficial fosco, características relevantes para aplicações em têxteis técnicos onde conforto e aspeto visual são determinantes. O desempenho hidrostático supera os requisitos mínimos de comercialização. A incorporação de polímeros de base biológica decorreu sem constrangimentos ao nível da processabilidade, mantendo-se a estabilidade térmica e comportamento reológico compatíveis com os equipamentos. Estes resultados evidenciam o potencial dos novos materiais poliméricos para substituir soluções convencionais mais intensivas em recursos, contribuindo simultaneamente para a inovação funcional e para a sustentabilidade dos produtos. Para além da inovação ao nível dos materiais, os projetos desenvolvidos pelo PIEP exploram igualmente novas abordagens de conceção e fabrico de dispositivos médicos, integrando tecnologias digitais, modelação avançada e personalização do produto. Um exemplo disso é o projeto SereniOxy, um projeto cofinanciado pelo Compete 2030, com um consórcio composto pelo PIEP, Ensoorigins, Plastar e Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, liderado pela NM3D Ibérica. O projeto aposta no desenvolvimento de máscaras VNI (Ventilação Não Invasiva) com CPAP (Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas), adaptadas ao rosto de cada paciente, de modo a aumentar o conforto e a eficácia das terapias respiratórias não invasivas, combatendo taxas de adesão que variam apenas entre 30% e 60% devido ao desconforto das soluções convencionais. A solução tecnológica baseia-se num conceito híbrido onde a estrutura principal é produzida por injeção, enquanto a almofada de contacto é personalizada através de manufatura aditiva a partir de uma digitalização facial via aplicação móvel, utilizando tecnologia LiDAR e visão por computador. O envolvimento do PIEP é fundamental para a viabilização técnica e científica do dispositivo, focando-se na seleção e caracterização mecânica de polímeros de grau médico, visando uma resistência à fluência e uma vida útil da almofada 30% superior às opções atuais de mercado. O desenvolvimento de produto recorre a modelação avançada e simulações de dinâmica de fluidos computacional (CFD) e análise de elementos finitos (FEA) para otimizar a distribuição de pressões faciais e o fluxo de ar interno, assegurando o máximo desempenho clínico e conforto. Paralelamente, o projeto incorpora princípios de sustentabilidade através da ACV, permitindo identificar oportunidades de redução de impacto ambiental e de otimização do consumo de matérias-primas ao longo do processo produtivo. “A engenharia de polímeros está a transformar a medicina, e o PIEP é um catalisador dessa inovação sustentável”

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