22 ESTUDO DE MERCADO formadores adotaram uma posição conservadora e, em geral, só avançaram com investimentos quando existiam projetos concretos assegurados”, num contexto influenciado pela fragilidade da economia europeia e pela pressão no setor automóvel. Também Hugo Brito, diretor-geral da Equipack, sublinha que “2025 acabou por ser uma continuação de 2024”, com pouca variação no número de máquinas vendidas e sinais de saturação em determinados segmentos de equipamentos standard. Neste enquadramento, Rui Folhadela, sócio-gerente da Folhadela Rebelo, reforça que “2025 foi marcado por um contexto exigente”, destacando o impacto direto da quebra na indústria automóvel europeia, a volatilidade dos custos de matérias-primas e energia e a crescente pressão regulatória. Ainda assim, sublinha a capacidade de adaptação do setor, que tem vindo a responder com maior foco na eficiência, sustentabilidade e inovação. Já Tiago Coelho, gerente da Augusto Guimarães & Irmão (AGI), caracteriza o período como um “ano de consolidação”, com evolução desigual entre setores, onde aplicações como embalagem ou energia mantiveram maior dinamismo do que o automóvel. EFICIÊNCIA, TCO E SERVIÇO: O NOVO CENTRO DA DECISÃO Uma das conclusões mais consistentes entre os participantes no estudo prende-se com a mudança no comportamento de compra. Muitos concordam que o investimento deixou de estar centrado no equipamento em si para passar a privilegiar o desempenho global do processo. Segundo Alex Freixa, diretor comercial da Netstal, “o cliente já não compra uma máquina, compra um resultado em produtividade, estabilidade e custo por peça”, com crescente foco no TCO (Total Cost of Ownership) e na eficiência energética. Esta visão é corroborada por vários intervenientes, que destacam a importância crescente de serviços associados, como manutenção preventiva, formação e suporte técnico. Hugo Brito refere mesmo um aumento significativo na procura por manutenção preventiva, o que reflete uma maior maturidade do mercado na gestão dos ativos industriais, e por ações de formação, enquanto resposta à falta de mão de obra qualificada. TECNOLOGIA COM APLICAÇÃO PRÁTICA NO CHÃO DE FÁBRICA A digitalização, a automação e a monitorização em tempo real continuam “Num contexto de incerteza económica e pressão sobre os preços, as decisões de investimento tornaram-se mais seletivas e estão fortemente dependentes de projetos concretos que garantam retorno e competitividade” — Martin Cayre, diretor-geral da Arburg “A indústria atravessa um momento exigente, marcado pela pressão regulatória e pelos custos, mas também por uma crescente necessidade de eficiência, sustentabilidade e inovação, que está a redefinir a forma como as empresas competem” — Rui Folhadela, sócio-gerente da Folhadela Rebelo
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