18 INDÚSTRIA 5.0 DA AUTOMAÇÃO À COLABORAÇÃO A Indústria 4.0 ficou marcada pela introdução de tecnologias digitais nas fábricas: sensores, sistemas ciber-físicos, Internet Industrial das Coisas (IIoT) e plataformas de análise de dados. Este modelo permitiu que máquinas e sistemas produtivos comunicassem entre si e tomassem decisões descentralizadas para otimizar a produção. Apesar dos avanços alcançados, a implementação destas soluções revelou-se desigual. Muitas empresas industriais ainda enfrentam dificuldades na adoção plena das melhores práticas de digitalização, seja por limitações de investimento, lacunas de competências ou complexidade tecnológica. A Indústria 5.0 surge precisamente para responder a esses desafios. Em vez de colocar a tecnologia no centro da transformação industrial, o novo paradigma procura equilibrar tecnologia, pessoas e sustentabilidade. Se a Indústria 4.0 foi essencialmente sobre automação, a Indústria 5.0 é sobretudo sobre colaboração. Máquinas inteligentes, robôs colaborativos e sistemas digitais continuam a desempenhar um papel central, mas agora atuam em estreita articulação com os operadores humanos, aproveitando as capacidades complementares de ambos. Neste modelo, tarefas repetitivas ou de elevado esforço são automatizadas, enquanto os trabalhadores se concentram em atividades de maior valor acrescentado, como análise, tomada de decisão ou inovação de processos. UMA INDÚSTRIA MAIS HUMANA E MAIS SUSTENTÁVEL Outro elemento central da Indústria 5.0 é o seu foco na sustentabilidade e responsabilidade ambiental. Este aspeto assume especial importância na indústria dos plásticos, frequentemente associada a desafios ambientais complexos, desde a gestão de resíduos até à pressão regulatória crescente sobre materiais e processos produtivos. O novo paradigma industrial procura integrar tecnologia e conhecimento humano para encontrar soluções equilibradas entre competitividade e responsabilidade ambiental. Isso significa, por exemplo: • otimizar o consumo de energia nas linhas de produção; • reduzir desperdícios de material; • melhorar a reciclabilidade dos produtos; • desenvolver novos polímeros ou aplicações com menor impacto ambiental. Neste contexto, os trabalhadores assumem um papel cada vez mais ativo nas decisões operacionais. Equipas de produção passam a ter acesso a informação detalhada sobre processos, materiais e eficiência energética, permitindo-lhes ajustar parâmetros e identificar oportunidades de melhoria ao longo de toda a cadeia produtiva. A função do operador evolui assim de executor de tarefas para participante ativo na gestão e otimização do processo produtivo. TRANSPARÊNCIA NA FÁBRICA DIGITAL À medida que os sistemas industriais se tornam mais complexos, a comunicação entre pessoas, máquinas e sistemas torna-se um fator crítico. Um dos pilares da Indústria 5.0 é precisamente a criação de ambientes produtivos mais transparentes, onde a informação circula de forma A INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS PORTUGUESA PERANTE O DESAFIO DA INDÚSTRIA 5.0 Portugal tem vindo a reforçar a digitalização do seu setor de plásticos, particularmente através de projetos colaborativos entre empresas, centros tecnológicos e universidades. Iniciativas ligadas ao Pólo de Inovação em Engenharia de Polímeros (PIEP), ao Cluster Engineering & Tooling, ao Centro Tecnológico da Indústria de Moldes, Ferramentas Especiais e Plásticos (CENTIMFE), ao INEGI ou ao INESC TEC têm promovido a integração de tecnologias como sensores industriais, análise de dados de produção e sistemas de monitorização em tempo real. Nas empresas transformadoras, são cada vez mais as empresas que investem em aplicações de manufatura inteligente, incluindo sistemas MES, análise de eficiência energética, manutenção preditiva e monitorização digital das máquinas de injeção, incluindo sistemas de apoio à produção que ajudam a otimizar todo o processo. Ao mesmo tempo, projetos ligados à economia circular e à reciclagem avançada reforçam a ligação entre digitalização e sustentabilidade — dois dos pilares centrais da Indústria 5.0. Embora o nível de maturidade digital varie entre empresas, o setor português beneficia de um ecossistema industrial fortemente integrado, com competências em moldes, automação e engenharia de produto. Essa base poderá facilitar a adoção gradual dos princípios da Indústria 5.0, consolidando o posicionamento internacional da indústria nacional de plásticos.
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