www.interplast.pt 2026/1 28 Preço:11 € | Periodicidade: 4 edições por ano | Janeiro, Fevereiro, Março 2026 Inovação que molda o futuro. Serviço Pós-Venda Assistência Técnica Peças de Reposição
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SUMÁRIO Edição, Redação e Propriedade INDUGLOBAL, UNIPESSOAL, LDA. Avenida Defensores de Chaves, 15, 3.º F 1000-109 Lisboa (Portugal) Telefone (+351) 215 935 154 E-mail: geral@interempresas.net NIF PT503623768 Gerente Aleix Torné Detentora do capital da empresa Grupo Interempresas Media, S.L. (100%) Diretora Luísa Santos Equipa Editorial Luísa Santos, Esther Güell, Nerea Gorriti Marketing e Publicidade Frederico Mascarenhas, Nuno Canelas redacao_interplast@interempresas.net www.interplast.pt Preço de cada exemplar 11 € (IVA incl.) Assinatura anual 44 € (IVA incl.) Registo da Editora 219962 Registo na ERC 127297 Depósito Legal 455414/19 Distribuição total +2.000 envios. Distribuição digital a +1.300 profissionais. Tiragem +700 cópias em papel. Edição Nº 28 - Janeiro, Fevereiro, Março 2026 Estatuto Editorial disponível em https://www.interplast.pt/EstatutoEditorial.asp Impressão e acabamento Lidergraf Rua do Galhano, n.º 15 4480-089 Vila do Conde, Portugal www.lidergraf.eu Os trabalhos assinados são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. É proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos editoriais desta revista sem a prévia autorização do editor. A redação da InterPLAST adotou as regras do Novo Acordo Ortográfico. ATUALIDADE 4 EDITORIAL 5 Tendências económicas para 2026: um ano de transformação e resiliência industrial 10 Entrevista com Manuel Oliveira, secretário-geral da Cefamol 14 Para além da automação: como a Indústria 5.0 está a redefinir a produção de plásticos 17 5.º Estudo de Mercado de Máquinas de Injeção revela um setor estável, apesar do contexto adverso 20 Engel constrói a maior máquina de injeção do mundo e redefine os limites do grande formato 26 KraussMaffei apresenta inovações para construção leve e tecnologia de superfícies na JEC World 28 Aloft aposta na tecnologia MuCell para criar componentes para calçado de alto desempenho 30 Autoinjetores: um mercado em expansão com oportunidades para a indústria de plásticos 34 Parceria entre Dukane e Muroplás otimiza processos críticos na produção de dispositivos médicos 37 Do material ao dispositivo: como os polímeros estão a redefinir a engenharia de dispositivos médicos 40 Soluções em polímeros para responder aos desafios regulatórios e técnicos do setor médico 44 Mercado global de bioplásticos poderá atingir 12 mil milhões de dólares em 2034 46 Entrevista com Antonella Pizzolante, diretora de marketing global de Agro Solution Biopolymers na BASF 48 Investigadores japoneses criam plástico à base de celulose que desaparece no mar sem deixar rasto 54 Consórcio alemão desenvolve fibras de carbono a partir de microalgas 56 Equiplast 2026 será maior, mais internacional e mais focada na economia circular 58 JEC divulga vencedores dos Innovation Awards 2026 60 Extrusora de duplo eixo paralelo Mikrosan 65
4 ATUALIDADE MAIS NOTÍCIAS DO SETOR EM: WWW.INTERPLAST.PT • SUBSCREVA A NOSSA NEWSLETTER Indústria europeia dos plásticos alerta para “situação de emergência†no setor Comissão Europeia clarifica regras do novo regulamento de embalagens A Comissão Europeia publicou novas orientações para apoiar a aplicação do Regulamento de Embalagens e Resíduos de Embalagem (PPWR), com o objetivo de garantir uma implementação uniforme e reforçar a sustentabilidade no setor. O regulamento estabelece que todas as embalagens colocadas no mercado europeu deverão ser recicláveis até 2030, incluindo metas para incorporação de material reciclado e redução do uso excessivo. As novas orientações clarificam conceitos-chave, como a definição de produtor de embalagens, os produtos abrangidos e as obrigações associadas. O documento detalha ainda a aplicação de metas de reutilização, a responsabilidade alargada do produtor e a implementação de sistemas de depósito e retorno. Inclui igualmente esclarecimentos sobre restrições a embalagens de uso único e o controlo de substâncias como os PFAS. A Comissão vai traduzir o guia para todas as línguas oficiais da UE e acompanhar a aplicação do regulamento, preparando atos complementares sobre registo e relatórios harmonizados, etiquetagem, reciclabilidade e conteúdo reciclado em plásticos, em cooperação com Estados-Membros e operadores do setor. Para apoiar as empresas, foi disponibilizado um conjunto de FAQs, que será atualizado regularmente. A European Plastics Converters (EuPC) alertou para as dificuldades que os transformadores de plásticos europeu estão a sofrer devido ao aumento dos preços da energia e das matérias-primas, na sequência da escalada das tensões no Médio Oriente. Segundo a associação, a volatilidade nos mercados de petróleo e gás está a provocar fortes perturbações na cadeia de abastecimento de polímeros, afetando diretamente mais de 50 mil empresas europeias do setor, que empregam 1,6 milhões de pessoas e geram mais de 300 mil milhões de euros. As empresas enfrentam aumentos súbitos de custos, instabilidade no fornecimento e dificuldades crescentes no planeamento da produção, num contexto já exigente marcado pela transição para a economia circular. O presidente da EuPC, Benoit Hennaut, admite que os aumentos terão de ser repercutidos ao longo da cadeia de valor. A associação alerta ainda para o risco de redução ou suspensão de produção, apelando à implementação de medidas urgentes, como limites aos preços da energia.
5 Empresas do setor têm até 31 de maio de 2026 para reportar emissões de microplásticos Os fabricantes e utilizadores industriais de micropartículas de polímeros sintéticos devem comunicar anualmente as emissões de microplásticos para o ambiente, devendo o primeiro reporte ser submetido até 31 de maio de 2026, lembrou a Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Como esclarece a APA, a obrigação resulta da alteração ao Regulamento (CE) n.º 1907/2006 – Regulamento REACH (Registo, Avaliação, Autorização e Restrição de Produtos Químicos) – introduzida pelo Regulamento (UE) n.º 2023/2055, de 25 de setembro de 2023, que integrou a restrição das micropartículas de polímeros sintéticos na entrada 78 do Anexo XVII. A exigência aplica-se a fabricantes e a utilizadores industriais a jusante que utilizem estas micropartículas, designadamente sob a forma de pellets, flocos ou pós, como matéria-prima na produção de plástico em instalações industriais. O primeiro relatório anual incide sobre as emissões estimadas relativas ao ano de 2025. A submissão deve ser efetuada junto da Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA), através da plataforma REACH-IT, utilizando o formato IUCLID (Base de Dados Internacional Uniforme sobre Informação Química). De acordo com a APA, a ECHA disponibiliza guias e manuais de apoio à preparação e entrega do relatório, incluindo um conjunto de dados IUCLID pré-preenchido para facilitar a elaboração do dossiê. Para esclarecimentos adicionais, as entidades abrangidas podem contactar o Serviço Nacional de Assistência para o REACH e CLP (Classificação, Rotulagem e Embalagem) ou a própria ECHA. EDITORIAL O início de 2026 confirma um contexto exigente para a indústria europeia dos plásticos, marcado por custos energéticos elevados, pressão regulatória e instabilidade na cadeia de valor. Ainda assim, o setor continua a demonstrar resiliência e capacidade de adaptação. O 5.º Estudo de Mercado de Máquinas de Injeção, da InterPlast, em destaque nesta edição, reflete essa realidade: apesar das incertezas, o setor mantém-se estável, sustentado por investimento seletivo e pela evolução tecnológica dos equipamentos, cada vez mais eficientes e digitalizados. A transformação não abranda — ajusta-se. Esta capacidade de resposta é particularmente evidente na indústria médica, tema central desta edição. Os polímeros continuam a assumir um papel crítico na produção de dispositivos mais seguros, leves e funcionais. Mas a sua relevância vai além do material: depende de processos altamente controlados, validação rigorosa e engenharia especializada. Num setor onde a margem de erro é inexistente, a exigência técnica é determinante. A reportagem dedicada à Aloft ilustra este posicionamento. Num contexto adverso, a empresa destaca-se pela aposta na engenharia e em segmentos de elevado valor acrescentado, demonstrando que a competitividade passa por diferenciação e não apenas por escala. Paralelamente, a sustentabilidade mantém-se no centro da agenda. Projetos de investigação em curso apontam para novos materiais, incluindo plásticos biodegradáveis em ambiente marinho e fibras de carbono desenvolvidas a partir de algas. Mais do que alternativas, estas soluções representam uma mudança de paradigma no desenvolvimento de materiais. Esta evolução ganha maior relevância face ao crescente escrutínio sobre os microplásticos. A obrigatoriedade de reporte de emissões vem reforçar a necessidade de controlo de processos e transparência, colocando novas exigências às empresas do setor. Neste enquadramento, a perspetiva da BASF sublinha um ponto essencial: os materiais devem ser avaliados ao longo de todo o seu ciclo de vida. A biodegradabilidade e a compostabilidade dependem de condições específicas e não podem ser analisadas de forma isolada. Uma nota final para a edição deste ano da Equiplast, que volta a afirmar-se como um espaço estratégico para acompanhar esta transformação, reunindo inovação, indústria e debate em torno da economia circular. Apesar das pressões atuais, o setor mostra sinais claros de evolução sustentada. A combinação entre inovação tecnológica, novas soluções materiais e maior maturidade na abordagem à sustentabilidade aponta para um futuro em que a indústria dos plásticos continuará a ser não apenas relevante, mas parte ativa da solução. Boa leitura. Entre a pressão e a reinvenção: os plásticos na encruzilhada de 2026
6 ATUALIDADE MAIS NOTÍCIAS DO SETOR EM: WWW.INTERPLAST.PT • SUBSCREVA A NOSSA NEWSLETTER PRS Europe 2026 centra-se na recuperação da indústria de reciclagem europeia O Plastics Recycling Show Europe (PRS Europe) 2026, que se realiza a 5 e 6 de maio no RAI de Amesterdão, terá como tema central a recuperação da competitividade da indústria europeia de reciclagem de plásticos. A sessão de abertura contará com Jessika Roswall e Ton Emans, que abordarão os desafios estruturais do setor e as medidas necessárias para reforçar a sua posição no atual contexto. O programa inclui conferências, mesas redondas e sessões técnicas sobre regulamentação, inovação e mercados, com a participação de empresas como Ikea, Seat, Procter & Gamble e Ineos. Em destaque estarão temas como investimento, procura sustentável, acesso a resíduos e combate ao greenwashing. O evento integra ainda os Plastics Recycling Awards Europe. Segundo a organização, o setor europeu representa mais de 8,6 mil milhões de euros e 30.000 empregos. Selenis duplica capacidade em Portalegre para acelerar produção de poliésteres circulares A Selenis anunciou um investimento estratégico na sua unidade de Portalegre que permitirá duplicar a capacidade produtiva até ao terceiro trimestre de 2027, reforçando a aposta em poliésteres circulares e de baixo carbono. A expansão inclui novas tecnologias industriais orientadas para maior eficiência energética e redução de emissões, alinhando-se com o aumento da procura por materiais sustentáveis e com as exigências regulatórias europeias. O projeto prevê a produção reforçada de copolímeros de base biológica, materiais de grau médico e soluções recicladas, consolidando a posição da empresa na economia circular dos polímeros. No centro da iniciativa está a instalação de uma nova plataforma de polimerização contínua, que permitirá maior eficiência e consistência produtiva, complementada por sistemas avançados de vácuo e maior eletrificação dos processos. A expansão responde diretamente ao novo regulamento europeu para embalagens (PPWR), que exige reciclabilidade total até 2030, bem como ao reconhecimento crescente da reciclagem química. A Selenis antecipa esta evolução ao reforçar a produção de materiais reciclados certificados. Com este investimento, a empresa pretende garantir fornecimento em escala para setores como o alimentar, saúde e têxtil, posicionando-se como referência na produção de poliésteres sustentáveis.
7 ATUALIDADE MAIS NOTÍCIAS DO SETOR EM: WWW.INTERPLAST.PT • SUBSCREVA A NOSSA NEWSLETTER Portugal lança Plano de Ação para a Economia Circular 2030 alinhado com metas europeias Foi publicado o novo Plano de Ação para a Economia Circular 2030 (PAEC 2030), que define a estratégia nacional para promover a utilização eficiente de recursos, reduzir resíduos e acelerar a transição para um modelo económico circular. O plano, que sucede ao anterior (2017–2020), alinha-se com as políticas europeias e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. O documento surge num contexto em que Portugal apresenta ainda níveis de circularidade inferiores à média europeia, identificando a necessidade de reforçar medidas estruturais. O PAEC 2030 assenta em cinco objetivos: preservação de recursos naturais, prevenção e gestão de resíduos, redução da poluição, geração de valor económico e reforço da sensibilização. A implementação organiza-se em três níveis — macro, meso e micro — e inclui ações como financiamento à inovação, desenvolvimento de cadeias de valor prioritárias (incluindo plásticos, construção e têxtil) e promoção de iniciativas locais, como cidades circulares. A execução será acompanhada por um modelo de governança com estruturas de coordenação e monitorização, prevendo relatórios anuais e uma avaliação intermédia em 2028. O acesso a financiamento será determinante para a concretização das medidas, com identificação de instrumentos de apoio ao investimento. … para economizar energia e proteger o seu molde Na produção em série, as forças de fecho são frequentemente escolhidas com base na experiência do operador da máquina com o produto. Contudo, selecionar forças excessivamente altas pode danificar o molde e desperdiçar energia. O iQ clamp control determina a força de fecho ideal de forma totalmente automática e, assim, garante segurança com consumo mínimo de energia. O resultado – produção em série estável e eficiente. Be the first ... Get connected – com as soluções da ENGEL Usando o iQ clamp control, podemos reduzir a força de fecho da máquina até 33%. Dirk Krines, Manager Factory e-Chain Systems na Igus, Alemanha engelglobal.com/iq-clamp-control
8 ATUALIDADE MAIS NOTÍCIAS DO SETOR EM: WWW.INTERPLAST.PT • SUBSCREVA A NOSSA NEWSLETTER CIE Automotive conclui aquisição da Aludec A CIE Automotive concluiu a compra da Aludec, especialista em peças decorativas de plástico e metal para veículos. Com oito fábricas em quatro países e cerca de 1.300 colaboradores, a empresa passa a integrar uma nova divisão de componentes estéticos do grupo. O valor da transação, totalmente pago em numerário com fundos disponíveis em caixa, foi de 200 milhões de euros, o que representa cerca de cinco vezes o EBITDA estimado para o ano corrente. A aquisição fortalece a estratégia de diversificação da CIE Automotive, permitindo-lhe oferecer uma gama mais ampla de produtos decorativos a clientes em todo o mundo. Com presença em Portugal, Espanha, México e Estados Unidos, a Aludec registou vendas de aproximadamente 160 milhões de euros em 2025 e destaca-se pelo elevado nível de geração de caixa e rentabilidade sólida, características alinhadas com os padrões da CIE Automotive. Sabic vende ativos europeus e americanos a empresas alemãs A Sabic assinou duas operações estratégicas de desinvestimento que visam a alienação do seu negócio de petroquímica na Europa e da sua divisão de termoplásticos de engenharia nas Américas e na Europa, num valor conjunto de 950 milhões de dólares. A atividade petroquímica europeia será adquirida pela Aequita por 500 milhões de dólares, enquanto o negócio de termoplásticos de engenharia será vendido à Mutares por 450 milhões. As operações visam concentrar recursos em áreas com maior valor acrescentado e reforçar a geração de caixa. A Sabic mantém, no entanto, o acesso estratégico aos mercados europeu e americano através de exportações. Os ativos vendidos incluem unidades industriais em vários países europeus e americanos, abrangendo produtos como poliolefinas, policarbonato, PBT e ABS. As transações estão sujeitas a aprovação regulatória e decorrem em paralelo com outras iniciativas de desinvestimento iniciadas pela empresa desde 2022. Polymers for Europe Alliance coloca à prova os produtores de polímeros e o seu compromisso com a Europa A Polymers for Europe Alliance anunciou o lançamento dos Prémios aos Produtores de Polímeros 2025, este ano subordinados ao tema ‘Compromisso com o Mercado Europeu’. A iniciativa pretende destacar o investimento, a inovação e o desenvolvimento industrial dos fornecedores na Europa. A votação decorre entre 16 de fevereiro e 5 de maio, sendo aberta a todos os utilizadores de polímeros no continente. A avaliação terá por base critérios como fiabilidade de entrega, qualidade, comunicação, inovação, circularidade e, com especial relevância nesta edição, o compromisso com o mercado europeu — incluindo investimento local e garantia de fornecimento. Segundo Ron Marsh, presidente da Aliança, o setor enfrenta desafios crescentes, como custos energéticos elevados, pressão regulatória e risco de deslocalização industrial, o que poderá fragilizar a cadeia de abastecimento europeia. Os vencedores serão anunciados em junho de 2026, em Bruxelas, durante o encontro anual da EuPC.
9 ATUALIDADE MAIS NOTÍCIAS DO SETOR EM: WWW.INTERPLAST.PT • SUBSCREVA A NOSSA NEWSLETTER FIP 2026 reforça papel como ponto de encontro da indústria do plástico em França A feira FIP – France Innovation Plasturgie 2026 realiza-se de 2 a 5 de junho, em Lyon, consolidando-se como um dos principais eventos dedicados à indústria do plástico, compósitos e borracha no mercado francês. O certame reunirá todo o ecossistema do setor, com enfoque na inovação, sustentabilidade e desenvolvimento tecnológico. Inovação portuguesa em embalagens distinguida no iF Design Award 2026 A Oliveira da Serra e a Vêgê, do grupo Sovena, foram distinguidas com o iF Design Award 2026, na categoria Packaging Design, pelo desenvolvimento de soluções focadas na sustentabilidade e na eficiência de materiais. As garrafas foram concebidas em colaboração com o Logoplaste Innovation Lab e destacam-se pela integração de princípios de economia circular e inovação no design. A garrafa de azeite Oliveira da Serra destaca-se por ser produzida integralmente em RPET e por eliminar o rótulo frontal, integrando a identidade da marca diretamente na embalagem. Esta abordagem garante reciclabilidade total e contribui para a redução de emissões e consumo energético. Já a embalagem Biomimicry Vegetable Oil Bottle, da marca Vêgê, inspira-se na geometria do girassol para otimizar a distribuição de material, combinando leveza, resistência e eficiência no uso de recursos. Os prémios refletem a aposta conjunta na economia circular e no design funcional. O iF Design Award distingue projetos com base em critérios como inovação, sustentabilidade e impacto, sendo uma referência internacional na área do design. A organização prevê mais de 10.000 visitantes e cerca de 800 expositores, além de um programa com 34 conferências e workshops técnicos. O evento funcionará também como plataforma de ligação entre fabricantes e utilizadores finais de setores como transporte, médico, embalagem, construção, energia e bens de consumo. A exposição abrangerá tecnologias e soluções que vão desde materiais e aditivos até moldes, equipamentos, software e serviços. Destaque ainda para áreas temáticas dedicadas à economia circular, materiais avançados e decoração de plásticos. O programa inclui sessões técnicas e partilha de boas práticas, reforçando a componente de conhecimento e networking do evento.
10 TENDÊNCIAS NA INDÚSTRIA Tendências económicas para 2026: um ano de transformação e resiliência industrial Entre um crescimento económico moderado, cadeias de valor sob pressão e uma aceleração tecnológica sem precedentes, 2026 afirma-se como um ano de decisões críticas para a indústria. Mais do que antecipar cenários, as empresas são chamadas a transformar tendências estruturais em vantagem competitiva num contexto marcado por maior seletividade económica. Marta Clemente O início de 2026 encontra o tecido industrial europeu num momento de estabilização frágil, após vários anos de choques sucessivos – pandemia, inflação elevada, conflitos geopolíticos e disrupções logísticas. Embora os indicadores macroeconómicos apontem para alguma normalização, subsistem condicionantes estruturais que limitam o crescimento e impõem maior rigor nas decisões de investimento. Neste contexto, temas como sustentabilidade, digitalização, reorganização das cadeias de abastecimento e governação tecnológica deixam de ser abordagens prospetivas e passam a integrar o núcleo da estratégia empresarial. CRESCIMENTO CONTIDO E INCERTEZA ESTRUTURAL As perspetivas para a economia global em 2026 apontam para um crescimento moderado. De acordo com o mais recente relatório da Crédito y Caución, o PIB mundial deverá crescer cerca de 2,6%, refletindo um abrandamento, ainda que com uma recuperação ligeira projetada para 2027. Na Zona Euro, a recuperação deverá situar-se em torno dos 0,9%, penalizada pela lenta retoma industrial e pelos efeitos prolongados das tensões comerciais. Ainda assim, países como Portugal, Espanha, Itália e Grécia deverão beneficiar do dinamismo do setor dos serviços – em particular turismo, logística e serviços técnicos – com impacto indireto sobre a atividade industrial, quer através da procura interna, quer pelo estímulo ao investimento e à modernização de infraestruturas. Para a indústria, este enquadramento traduz-se num ambiente mais seletivo, marcado por maior rigor no acesso ao financiamento e pressão sobre margens, exigindo foco na eficiência operacional e na diferenciação. COMÉRCIO INTERNACIONAL: DESACELERAÇÃO E RECONFIGURAÇÃO Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que as empresas exportadoras nacionais perspetivam um aumento nominal de 5,1% nas exportações de bens em 2026, com destaque para as exportações de máquinas e outros bens de capital, que deverão crescer 12,2%. A redução da procura global de contentores e a descida dos custos de transporte aliviam algumas pressões conjunturais, mas não eliminam riscos estruturais, nomeadamente a dependência de matérias-primas críticas e a volatilidade dos preços da energia, que continuam a condicionar setores industriais intensivos em capital e exportação. Neste cenário, ganham relevância estratégias de diversificação de for-
11 TENDÊNCIAS NA INDÚSTRIA necedores, regionalização produtiva e investimento em rastreabilidade ao longo da cadeia de valor, como resposta a um comércio internacional mais fragmentado e exigente. SUSTENTABILIDADE: DE REPORTE A DECISÃO ESTRATÉGICA A sustentabilidade consolida-se em 2026 como um eixo central da decisão empresarial. Esta foi uma das mensagens-chave do webinar ‘Tendências ESG 2026 e mais além’, promovido pelo BCSD Portugal, que reuniu especialistas das áreas de foresight, tecnologia e consultoria estratégica. Durante a sessão, Rafael Popper, diretor da área de consultoria da Futures Capacity Academy (FCA), académico, investigador e reconhecido consultor internacional especializado em foresight, sublinhou que o essencial não está em prever o futuro, mas em preparar as organizações para diferentes cenários possíveis, transformando incerteza em opções estratégicas. Na mesma linha, Manuel Mota, partner da EY e líder da área de sustentabilidade para Portugal, Angola e Moçambique, destacou que muitas empresas estão a adotar voluntariamente quadros de referência de sustentabilidade, mesmo não estando abrangidas por obrigações formais de reporte, reconhecendo vantagens competitivas ao nível da reputação e do acesso a financiamento. A simplificação recente de alguns enquadramentos regulatórios, embora alivie encargos para determinadas empresas, levanta desafios em matéria de comparabilidade e governação, reforçando a responsabilidade das organizações na definição de critérios consistentes e credíveis.
12 TENDÊNCIAS NA INDÚSTRIA TECNOLOGIA AO SERVIÇO DA INDÚSTRIA A aceleração tecnológica mantém- -se em 2026 como um dos principais motores de transformação industrial. A maturidade crescente da Inteligência Artificial, a consolidação de modelos de cloud híbrida e multicloud e o reforço das exigências em cibersegurança estão a redefinir prioridades de investimento. De acordo com análises da Colt Technology Services, a IA entra numa fase em que o foco deixa de ser a experimentação e passa a centrar-se na geração efetiva de retorno. Após investimentos significativos, o desafio passa por integrar estas soluções nos processos industriais, assegurando ganhos mensuráveis de eficiência, fiabilidade e previsibilidade. A expansão do edge computing, impulsionada pela necessidade de processamento em tempo real e pela soberania dos dados, terá impacto particular em ambientes industriais, permitindo suportar automação avançada e monitorização contínua ao aproximar a capacidade de computação do chão de fábrica. Em paralelo, 2026 será marcado pela entrada em vigor de novos quadros regulatórios europeus, como o AI Act e o Cyber Resilience Act, com impacto significativo na indústria e exigindo uma abordagem mais estruturada à governação tecnológica, nomeadamente em sistemas de OT (Operational Technology). IMPACTOS NA INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS Para a indústria do plástico, 2026 deverá ser um ano de consolidação de tendências já em curso. A pressão para reduzir a pegada ambiental, aumentar a circularidade e responder a exigências regulatórias mais rigorosas mantém-se elevada. Neste contexto, a inovação em materiais, o ecodesign e a integração de dados ao longo do ciclo de vida do produto tornam-se fatores críticos de competitividade, sobretudo num ambiente marcado por custos energéticos e matérias-primas voláteis. DECIDIR EM CONTEXTO DE INCERTEZA Mais do que um ano de rutura, 2026 afirma-se como um ano de decisões exigentes. Como foi salientado no encontro do BCSD Portugal, sustentabilidade, tecnologia e inovação não são apenas temas para comunicar, mas prioridades que requerem execução coordenada entre empresas, governos e sociedade. Num ambiente marcado por crescimento moderado, disrupção tecnológica e pressão regulatória, a vantagem competitiva dependerá da capacidade de interpretar sinais, integrar diferentes dimensões da estratégia e transformar incerteza em ação informada. Para a indústria, construir resiliência, flexibilidade e visão de longo prazo deixa de ser opcional e passa a ser condição de sobrevivência. n
Inovação que molda o futuro. Serviço Pós-Venda Assistência Técnica Peças de Reposição
ENTREVISTA 14 MANUEL OLIVEIRA, SECRETÁRIO-GERAL DA CEFAMOL "A indústria de moldes tem uma notável capacidade de adaptação, inovação e resposta a contextos adversos†A Associação Nacional da Indústria de Moldes (Cefamol) representa um dos setores mais estratégicos da indústria transformadora portuguesa: a indústria de moldes. Com forte concentração nas regiões da Marinha Grande e Oliveira de Azeméis, o setor ocupa o terceiro lugar no pódio europeu e assume um papel determinante nas cadeias de valor internacionais, em particular no segmento automóvel, mas também na embalagem, eletrodomésticos e dispositivos médicos. A recente passagem da tempestade Kristin pela região Centro, com especial incidência na Luísa Santos Marinha Grande, veio introduzir um novo fator de instabilidade num setor que já enfrentava desafios significativos: pressão competitiva da Ásia, desaceleração da indústria automóvel europeia, aumento dos custos de produção e escassez de mão de obra qualificada. Nesta entrevista à InterMetal, Manuel Oliveira, secretário-geral da Cefamol, faz um ponto de situação detalhado sobre o impacto no terreno, avalia os apoios anunciados pelo Governo e analisa os desafios estruturais que colocam à prova a histórica resiliência da indústria portuguesa de moldes.
ENTREVISTA 15 A metalomecânica nacional bateu, em 2025, um novo recorde de exportações. Qual é, atualmente, o peso da indústria de moldes no setor? A indústria portuguesa de moldes registou, em 2025, um valor de exportação na ordem dos 635 milhões de euros, consolidando um posicionamento de excelência a nível internacional, sendo o terceiro maior produtor europeu. Estes dados demonstram um crescimento das exportações de 2,2% face ao ano transato, o que representa um dos segmentos com maior incorporação tecnológica, intensidade exportadora e valor acrescentado nesta área industrial. A Marinha Grande continua a ser o epicentro desta indústria? Digamos que a indústria de moldes, em Portugal, tem dois epicentros: a Marinha Grande e Oliveira de Azeméis, estendendo-se esta presença a vários dos concelhos limítrofes em cada uma das regiões. Podemos afirmar que o setor, a nível nacional, concentra cerca de 90% da sua produção num raio de 150km. Qual é a real dimensão dos danos causados pela tempestade Kristin nas empresas da região? A depressão Kristin provocou danos significativos em muitas empresas da região Marinha Grande/Leiria. De uma forma geral, todas as empresas foram, com maior ou menor impacto, afetadas. Houve danos registados nas estruturas e coberturas das unidades fabris, em equipamentos produtivos sensíveis e de alta tecnologia, agravados pelas chuvas intensas, pelas interrupções energéticas, por limitações ao nível das comunicações, as quais, obviamente, implicaram paragens produtivas. Para algumas unidades, os prejuízos diretos e indiretos ascendem a muitas centenas de milhares de euros, com impactos adicionais decorrentes de atrasos na produção e relações contratuais com clientes. Os apoios prometidos pelo Governo são suficientes para garantir a recuperação plena dessas empresas? Os apoios anunciados são um sinal positivo e necessário, mas, em muitos casos, não serão suficientes para assegurar uma recuperação plena. A natureza altamente tecnológica do setor implica custos elevados de reposição e recuperação de estruturas e equipamentos, bem como perdas associadas na interação com cadeias de fornecimento internacionais. Por outro lado, seria importante que os apoios não se limitassem à criação de maior endividamento das empresas. Que medidas adicionais seriam necessárias? Seria muito importante reforçar o apoio a fundo perdido nas linhas existentes, quer para reposição de equipamentos críticos, quer para reforço de tesouraria. Deveriam ser equacionados mecanismos de compensação por paragens produtivas em função da falta de energia e de comunicações, suportando os custos com o aluguer e utilização de geradores. Por outro lado, a simplificação e aceleração dos processos de candidatura e pagamento são imperativos, pedindo-se o mesmo às entidades seguradoras. Numa fase seguinte, mas imediata, é muito importante termos um apoio à retoma da atividade exportadora e reforço da presença em mercados internacionais. Para o efeito, deve apostar-se numa campanha de imagem e promoção internacional forte e articulada com a AICEP. Em termos setoriais, o desenvolvimento e implementação de um plano de ação estruturado e desenvolvido a médio prazo, que atue ao nível do posicionamento e diversificação de mercados, da diferenciação por via da inovação e I&D, não esquecendo áreas relacionadas com a gestão, os ganhos de escala e dimensão, a implementação de novos modelos de negócio e integração de novas competências será fundamental para relançar a indústria numa nova senda de sucesso. Existe uma estimativa de quando será possível reestabelecer completamente a operacionalidade das unidades afetadas? Não é fácil estipular uma data, uma vez que a recuperação varia de empresa para empresa. Algumas unidades conseguiram já retomar a atividade plena, outras estão no caminho, enquanto outras poderão necessitar de várias semanas ou meses, especialmente quando estão em causa infraestruturas e a operacionalização de equipamentos de elevada precisão. Uma recuperação plena do conjunto das empresas afetadas poderá estender-se até ao final do primeiro semestre de 2026. Que fatores podem condicionar a recuperação? Principalmente, a capacidade financeira e a tesouraria das empresas para suportar custos imediatos que podem derivar da rapidez na atribuição dos apoios públicos e da ativação dos mecanismos das seguradoras. Também o restabelecimento por completo, e sem oscilações, das redes elétricas e de comunicações são fundamentais. Devemos também ter em conta outros fatores, como o tempo de reposição ou substituição de equipamentos danificados, tendo igualmente em conta a manutenção da confiança dos clientes internacionais. Para além da tempestade, que outros fatores estão a pressionar a indústria de moldes? O setor enfrenta hoje um conjunto de desafios estruturais que encontram expressão máxima nas atuais condições de negócio impostas pelos clientes que conjugam bai-
ENTREVISTA 16 xos preços de venda com longos ciclos de pagamento, criando limitações ao nível da tesouraria e financiamento. Por outro lado, é fundamental lembrar a forte e aguerrida concorrência internacional, nomeadamente a que tem origem fora da Europa. Em paralelo, a atual instabilidade geopolítica global, a incerteza no crescimento dos nossos principais mercados geográficos (Europa) e setoriais (automóvel), promovendo uma reconfiguração das suas cadeias de fornecimento, originam instabilidade e uma dificuldade acrescida para definir uma intervenção consolidada e estabelecida fora do curto prazo. A escassez de mão de obra continua a ser um problema? Sim, continua a ser um dos constrangimentos críticos. A dificuldade em atrair e manter talento qualificado, sobretudo em áreas técnicas especializadas, condiciona a capacidade de crescimento e inovação. A renovação geracional, a integração de novos quadros, a formação e a valorização das carreiras profissionais no setor são desafios a ter em conta nas prioridades das empresas. Que iniciativas concretas está a Cefamol a desenvolver para apoiar as empresas neste momento? No que diz respeito aos efeitos da tempestade, a Cefamol tem vindo a fazer um levantamento sistemático dos danos nas empresas, articulando com entidades públicas ações que permitam ultrapassar as condicionantes imediatas relacionadas com a retoma da atividade produtiva (reconstrução, energia, comunicações, acessibilidades). Foi também promovida uma ‘Bolsa de Disponibilidade’, que permitiu que as empresas não afetadas prestassem apoio produtivo às demais. Em paralelo, junto do Governo, foi reforçada a representação institucional para identificar e ajustar as medidas e programas de apoio às reais necessidades da indústria. Neste sentido, realizaram-se várias reuniões e apresentaram-se propostas, algumas das quais em colaboração e coordenação com outras associações empresariais. Mais estruturalmente, e em função dos desafios mais alargados que enfrentamos, temos vindo a colocar em marcha um plano de intervenção que, ao nível do mercado, contempla a imagem e promoção internacional, bem como a diversificação de mercados, incluindo a abordagem a novas geografias e áreas de negócio. Reforçamos a formação de quadros e técnicos das empresas, e promovemos encontros e sessões para análise e debate de novos fatores de competitividade, como sejam o posicionamento e relação com os clientes, novos modelos de negócio, 'governance', cooperação empresarial, novos instrumentos de financiamento e capitalização, entre muitos outros. A próxima fase passará por dinamizar programas de capacitação e implementação de competências nestas áreas dentro das empresas. Apesar do contexto adverso, vê sinais de confiança no futuro da indústria portuguesa de moldes? Claro que sim! É verdade que, atualmente, os desafios são grandes - e agora agravados por esta situação inesperada - mas o setor tem uma notável capacidade de adaptação, inovação e resposta a contextos adversos. A aposta em inovação, tecnologia, digitalização e sustentabilidade, aliada à conquista de novos mercados com base numa reputação internacional construída ao longo de décadas, dá-nos uma perspetiva de confiança no futuro. Que mensagem gostaria de deixar às empresas da região neste momento particularmente exigente? De confiança e cooperação. A história da indústria de moldes em Portugal demonstra uma extraordinária capacidade de superação e adaptação às circunstâncias do mercado. Este é um momento exigente, mas também uma oportunidade para reforçar a coesão do setor, acelerar a modernização organizacional e produtiva, abordar e conquistar novos mercados e áreas industriais e afirmar, com ainda mais força, a excelência das nossas competências, do nosso know-how, da nossa competitividade no panorama internacional. n “A aposta em inovação, tecnologia, digitalização e sustentabilidade, aliada à conquista de novos mercados com base numa reputação internacional construída ao longo de décadas, dá-nos uma perspetiva de confiança no futuroâ€
17 INDÚSTRIA 5.0 Para além da automação: como a Indústria 5.0 está a redefinir a produção de plásticos Durante a última década, o conceito de Indústria 4.0 tornou-se um dos pilares da modernização industrial. A digitalização das fábricas, a interligação de máquinas e a utilização intensiva de dados permitiram aumentar a eficiência, a rastreabilidade e a automatização dos processos produtivos. Contudo, uma nova fase começa agora a ganhar forma: a Indústria 5.0. Mais do que uma evolução tecnológica, trata-se de uma mudança de paradigma que coloca a colaboração entre humanos e máquinas no centro da produção industrial — uma transformação particularmente relevante para setores que exigem elevada precisão e capacidade de adaptação, como o da transformação de plásticos.
18 INDÚSTRIA 5.0 DA AUTOMAÇÃO À COLABORAÇÃO A Indústria 4.0 ficou marcada pela introdução de tecnologias digitais nas fábricas: sensores, sistemas ciber-físicos, Internet Industrial das Coisas (IIoT) e plataformas de análise de dados. Este modelo permitiu que máquinas e sistemas produtivos comunicassem entre si e tomassem decisões descentralizadas para otimizar a produção. Apesar dos avanços alcançados, a implementação destas soluções revelou-se desigual. Muitas empresas industriais ainda enfrentam dificuldades na adoção plena das melhores práticas de digitalização, seja por limitações de investimento, lacunas de competências ou complexidade tecnológica. A Indústria 5.0 surge precisamente para responder a esses desafios. Em vez de colocar a tecnologia no centro da transformação industrial, o novo paradigma procura equilibrar tecnologia, pessoas e sustentabilidade. Se a Indústria 4.0 foi essencialmente sobre automação, a Indústria 5.0 é sobretudo sobre colaboração. Máquinas inteligentes, robôs colaborativos e sistemas digitais continuam a desempenhar um papel central, mas agora atuam em estreita articulação com os operadores humanos, aproveitando as capacidades complementares de ambos. Neste modelo, tarefas repetitivas ou de elevado esforço são automatizadas, enquanto os trabalhadores se concentram em atividades de maior valor acrescentado, como análise, tomada de decisão ou inovação de processos. UMA INDÚSTRIA MAIS HUMANA E MAIS SUSTENTÁVEL Outro elemento central da Indústria 5.0 é o seu foco na sustentabilidade e responsabilidade ambiental. Este aspeto assume especial importância na indústria dos plásticos, frequentemente associada a desafios ambientais complexos, desde a gestão de resíduos até à pressão regulatória crescente sobre materiais e processos produtivos. O novo paradigma industrial procura integrar tecnologia e conhecimento humano para encontrar soluções equilibradas entre competitividade e responsabilidade ambiental. Isso significa, por exemplo: • otimizar o consumo de energia nas linhas de produção; • reduzir desperdícios de material; • melhorar a reciclabilidade dos produtos; • desenvolver novos polímeros ou aplicações com menor impacto ambiental. Neste contexto, os trabalhadores assumem um papel cada vez mais ativo nas decisões operacionais. Equipas de produção passam a ter acesso a informação detalhada sobre processos, materiais e eficiência energética, permitindo-lhes ajustar parâmetros e identificar oportunidades de melhoria ao longo de toda a cadeia produtiva. A função do operador evolui assim de executor de tarefas para participante ativo na gestão e otimização do processo produtivo. TRANSPARÊNCIA NA FÁBRICA DIGITAL À medida que os sistemas industriais se tornam mais complexos, a comunicação entre pessoas, máquinas e sistemas torna-se um fator crítico. Um dos pilares da Indústria 5.0 é precisamente a criação de ambientes produtivos mais transparentes, onde a informação circula de forma A INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS PORTUGUESA PERANTE O DESAFIO DA INDÚSTRIA 5.0 Portugal tem vindo a reforçar a digitalização do seu setor de plásticos, particularmente através de projetos colaborativos entre empresas, centros tecnológicos e universidades. Iniciativas ligadas ao Pólo de Inovação em Engenharia de Polímeros (PIEP), ao Cluster Engineering & Tooling, ao Centro Tecnológico da Indústria de Moldes, Ferramentas Especiais e Plásticos (CENTIMFE), ao INEGI ou ao INESC TEC têm promovido a integração de tecnologias como sensores industriais, análise de dados de produção e sistemas de monitorização em tempo real. Nas empresas transformadoras, são cada vez mais as empresas que investem em aplicações de manufatura inteligente, incluindo sistemas MES, análise de eficiência energética, manutenção preditiva e monitorização digital das máquinas de injeção, incluindo sistemas de apoio à produção que ajudam a otimizar todo o processo. Ao mesmo tempo, projetos ligados à economia circular e à reciclagem avançada reforçam a ligação entre digitalização e sustentabilidade — dois dos pilares centrais da Indústria 5.0. Embora o nível de maturidade digital varie entre empresas, o setor português beneficia de um ecossistema industrial fortemente integrado, com competências em moldes, automação e engenharia de produto. Essa base poderá facilitar a adoção gradual dos princípios da Indústria 5.0, consolidando o posicionamento internacional da indústria nacional de plásticos.
19 INDÚSTRIA 5.0 clara e acessível entre todos os níveis da organização. A transparência não se limita à visibilidade operacional. Inclui também rastreabilidade, responsabilidade e acesso partilhado à informação. Quando operadores, técnicos e gestores trabalham com a mesma base de dados e indicadores em tempo real, reduzem-se erros, melhoram-se decisões e aumenta-se a eficiência global da produção. Neste contexto, ganham relevância as soluções de Real-time Operational Intelligence (RtOI) — plataformas que recolhem dados diretamente das máquinas e sistemas de produção e os transformam em informação operacional em tempo real. Estas ferramentas permitem acompanhar cada etapa do processo produtivo, identificar desvios de desempenho e apoiar decisões rápidas na linha de produção. Ao mesmo tempo, criam canais de comunicação bidirecionais: não só a gestão recebe informação da fábrica, como os operadores podem fornecer feedback e propor melhorias. O DESAFIO DAS COMPETÊNCIAS A transição para a Indústria 5.0 coloca também novos desafios às empresas, especialmente no que diz respeito às competências da força de trabalho. Se a Indústria 4.0 exigia sobretudo competências digitais e tecnológicas, o novo paradigma exige uma combinação mais ampla de capacidades: conhecimento técnico, compreensão dos processos produtivos, análise de dados e capacidade de colaboração com sistemas automatizados. Para muitas empresas industriais, o maior desafio não é tecnológico, mas humano. A adoção bem-sucedida destas novas abordagens depende da criação de equipas capazes de integrar tecnologia e experiência prática. Formação contínua, programas de qualificação e o desenvolvimento de ‘embaixadores digitais’ dentro das organizações tornam-se, por isso, fatores decisivos para acelerar a transformação industrial. O PAPEL DA INTELIGÊNCIA OPERACIONAL EM TEMPO REAL No ecossistema da Indústria 5.0, os sistemas de inteligência operacional em tempo real desempenham um papel cada vez mais relevante. Funcionando como ponte entre sensores, máquinas e operadores, estas plataformas permitem transformar grandes volumes de dados industriais em informação útil para a tomada de decisão. Para os transformadores de plásticos, isto pode traduzir-se em vantagens concretas: • resposta mais rápida a variações na produção; • otimização de parâmetros de processo; • melhoria da qualidade e redução de desperdícios; • maior flexibilidade para responder às exigências do mercado. Num setor onde margens, qualidade e eficiência energética são fatores críticos, a capacidade de monitorizar e ajustar processos em tempo real pode tornar-se uma vantagem competitiva significativa. PREPARAR A INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS PARA A PRÓXIMA DÉCADA À medida que o setor industrial evolui, a indústria de transformação de plásticos enfrenta uma dupla pressão: aumentar a eficiência produtiva e, simultaneamente, responder a exigências ambientais e regulatórias cada vez mais rigorosas. A Indústria 5.0 surge como uma resposta a esse desafio, propondo um modelo industrial mais equilibrado, onde tecnologia avançada, competências humanas e sustentabilidade caminham lado a lado. Para as empresas do setor, a adoção destas novas abordagens não significa abandonar o caminho da digitalização iniciado com a Indústria 4.0. Pelo contrário, trata-se de aprofundar essa transformação, tornando-a mais acessível, mais centrada nas pessoas e mais alinhada com os objetivos de sustentabilidade. Num setor tão dinâmico como o dos plásticos, esta convergência entre inovação tecnológica e conhecimento humano poderá ser determinante para garantir competitividade e crescimento nas próximas décadas. n
20 ESTUDO DE MERCADO UMA INDÚSTRIA CADA VEZ MAIS ORIENTADA PARA A EFICIÊNCIA E A TECNOLOGIA 5.º Estudo de Mercado de Máquinas de Injeção revela um setor estável, apesar do contexto adverso Realizado pela primeira vez no Porto, o Estudo de Mercado de Máquinas de Injeção de Plásticos da InterPlast voltou a reunir os principais fornecedores para uma leitura conjunta da evolução do mercado nacional. A 5.ª edição do encontro, que decorreu a 26 de fevereiro, na Associação ANJE, confirmou a relevância crescente desta iniciativa enquanto espaço de partilha estratégica, num momento em que a indústria enfrenta desafios estruturais e redefine prioridades de investimento. Luísa Santos O Estudo de Mercado de Máquinas de Injeção de 2026 realizou-se, pela primeira vez, no Porto.
21 ESTUDO DE MERCADO A análise surge num cenário internacional de crescimento sustentado do mercado de plásticos injetados, que deverá ultrapassar os 400 mil milhões de dólares até ao final da década, impulsionado por setores como embalagem, saúde e bens de consumo, segundo a Fortune Business Insights. Paralelamente, a The Business Research Company aponta para uma evolução positiva suportada pela inovação tecnológica e pela incorporação de materiais reciclados, ainda que condicionada por fatores como os custos energéticos, a volatilidade das matérias-primas e a pressão regulatória. É neste enquadramento que o estudo de mercado da InterPlast ganha particular relevância, ao permitir uma leitura concreta e fundamentada da realidade portuguesa, cruzando dados de vendas com a visão estratégica dos principais players da indústria. PONTO DE ENCONTRO ESTRATÉGICO O estudo assenta numa metodologia colaborativa e confidencial, baseada na recolha direta de dados de vendas do ano anterior junto dos fabricantes e representantes presentes no mercado nacional. O objetivo passa por construir uma leitura rigorosa da evolução do parque instalado, identificar tendências por áreas geográficas, segmentos de mercado e tonelagem e compreender a dinâmica de investimento da indústria transformadora. Participaram nesta edição as empresas AGI (Fanuc), Arburg, Equipack (Engel), Folhadela Rebelo (KraussMaffei), Inautom (Tederic e JSW), Mapril (Boy e Billion), Netstal, Tecnofrias (Wittmann Group) e Jucatec (Yizumi). Entre os principais resultados — de caráter confidencial — destacam-se dois indicadores: entre 2024 e 2025 registou-se um aumento pouco significativo no número de máquinas vendidas, e o setor automóvel mantém-se como principal cliente da tecnologia de injeção. UM SETOR ENTRE ESTABILIDADE E PRESSÃO COMPETITIVA De forma transversal, os participantes descrevem 2025 como um ano de continuidade face ao período anterior, marcado por alguma contenção no investimento e forte pressão sobre os preços. Para Martin Cayre, diretor-geral da Arburg Portugal e Espanha, “os transA InterPlast é responsável pela organização deste estudo de mercado. O evento contou, mais uma vez, com a presença da maior parte dos principais fornecedores de máquinas de injeção.
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