BO11 - EngeObras

SETOR | OPINIÃO 14 Mercado imobiliário: dinamismo e desafios Em 2024, o Setor da Construção e do Imobiliário em Portugal voltou a evidenciar a sua capacidade de adaptação e resiliência, superando obstáculos como a escassez de mão de obra qualificada, a burocracia nos processos de licenciamento e contratação pública e a instabilidade nos preços dos materiais, energia e matérias-primas. As estimativas indicam que o Valor Bruto da Produção (VBP) do Setor da Construção atingiu cerca de 22,1 mil milhões de euros, refletindo um crescimento real de 3%, face ao ano anterior. Manuel Reis Campos, presidente da CPCI e da AICCOPN No mercado imobiliário, assistiu-se a uma recuperação significativa nas transações de alojamentos. Com efeito, de acordo com os dados disponíveis, entre janeiro e setembro de 2024, o número de transações de habitações familiares cresceu 8,5%, totalizando 111.111 imóveis, e o montante ultrapassou os 23,6 mil milhões de euros, um aumento de 13,6%, face ao mesmo período anterior. A recuperação nas transações refletiu-se numa valorização do imobiliário, apurando-se um aumento de 9,8% do Índice de Preços da Habitação no terceiro trimestre do ano, evidenciando o impacto da procura no crescimento dos preços. Paralelamente, o valor mediano da habitação para efeitos de avaliação bancária atingiu os 1.747€ por metro quadrado em dezembro, refletindo um crescimento de 13,7%, em termos homólogos. Esta dinâmica foi acompanhada por um aumento de 37% no financiamento bancário para aquisição de habitação, que totalizou 17.792 milhões de euros. No que concerne ao licenciamento municipal, assistiu-se também a uma evolução favorável em 2024, com um aumento global de 7,6% nas licenças emitidas e de 4,9% no número de fogos licenciados em novas construções que totalizaram 34.117 alojamentos. Para 2025, as previsões apontam para a continuidade do crescimento, com uma estimativa de aumento do VBP entre 1,5% e 3,5% no segmento dos edifícios residenciais. Estas projeções dependem da estabilidade da economia, do avanço dos investimentos previstos no PRR e no Portugal 2030 e da evolução das taxas de juro. No entanto, apesar do cenário positivo, persistem desafios importantes. É essencial agilizar a execução dos investimentos públicos em habitação previstos, promover uma maior disponibilização de mão de obra, continuar

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