BM26 - InterMETAL

43 METROLOGIA O coração do ITER é o Tokamak, o reator de fusão nuclear que, com 23.000 toneladas de peso e quase 30 metros de altura, será o maior já construído até ao momento e ocupará o centro de um complexo de 180 hectares, que também incluirá instalações e equipamentos auxiliares. Mas o que se espera do ITER e quais são os objetivos dos seus promotores? Demonstrar que as reações de fusão podem produzir uma quantidade de energia muito maior do que a fornecida para iniciar o processo de reação, o que resultará num ganho global de energia. Os Tokamak utilizam uma combinação de sistemas caloríficos, ímanes potentes e outros dispositivos para criar reações de fusão em plasmas extremamente quentes e, assim, libertar energia. Os campos magnéticos resultantes mantêm as partículas carregadas unidas e fazem-nas girar dentro do reator, para que possam fundir-se e produzir energia de fusão. Mas para a instalação de cada uma das peças que compõem o Tokamak do ITER, os técnicos não se podem desviar nem um milímetro, como explica David Wilson, engenheiro-chefe de metrologia do ITER: “O alinhamento dos ímanes é de 1 mm, a interface onde unimos os condutores é de 100 mícrons”. UMA TECNOLOGIA COM IMPACTO REAL NA VIDA QUOTIDIANA Como expôs Benoît Coudray, diretor de Vendas da Hexagon Manufacturing Intelligence França: “A Hexagon está envolvida em projetos de I&D em vários setores, desde o aeronáutico até ao automóvel ou energético, todos eles relacionados com o dia a dia dos cidadãos e com o objetivo de desenvolver inovação para tornar as ideias realidade”, sob o lema 'Qualidade para a vida real'. No entanto, o responsável admite que, muitas vezes, a metrologia é uma grande desconhecida “e não torna evidente o impacto real que tem na vida quotidiana”. OBJETIVO: CRIAR UMA ESTRELA NA TERRA Para simplificar, o projeto ITER pretende aproveitar a energia da fusão nuclear, a mesma fonte de energia que alimenta o sol, para dar início a uma nova era energética para o planeta. No entanto, os desafios não são pequenos. Para começar, a experiência deve criar um ambiente muito mais quente do que o núcleo do Sol, que irá gerar um plasma e permitir que os isótopos de hidrogénio, deutério e trítio, se fundam e formem hélio. Ao fazê-lo, irá libertar grandes quantidades de energia; espera-se que muitas vezes mais do que a que foi investida no processo. Este tipo de experiência implica criar uma estrela na Terra, o que exige um nível de habilidade e precisão sem precedentes. Mas no final desta colossal empreitada está a oportunidade de obter energia abundante, segura e sustentável para melhorar a qualidade de vida de todos os habitantes do planeta. É o que explica Alain Becoulet, cientista-chefe do ITER, resumindo a magnitude dessa visão: “A qualidade de vida depende da energia. E, no entanto, a energia é um dos maiores desafios que enfrentamos. Precisamos de uma energia mais limpa, mais eficiente e mais confiável do que qualquer outra fonte. Para torná-la realidade, estamos a criar um sol aqui, no planeta Terra”. A energia de fusão oferece várias vantagens importantes em relação à fissão nuclear tradicional e aos combustíveis fósseis. Ao contrário da fissão, a fusão não produz resíduos altamente radioativos e de longa duração, e não acarreta risco de fusão. Como explica Alain Becoulet, "a vantagem da fusão em relação à fissão é que, com a fusão, não pode haver uma reação em cadeia e não é possível perder o controlo”. Além disso, o combustível utilizado - isótopos de hidrogénio como o deutério e o trítio - é abundante e amplamente distribuído por todo o planeta. Esta abundância, juntamente com o impacto ambiental mínimo da fusão, torna-a uma solução energética atraente para o futuro e é por isso que a experiência do ITER é tão importante para todos os habitantes do planeta. Benoît Coudray, diretor de vendas da Hexagon Manufacturing Intelligence França (à esquerda) e Wandrille Vallet, vice-presidente global para Novas Indústrias da Hexagon Manufacturing Intelligence, compartilharam com a imprensa os dados mais relevantes tanto da empresa quanto a motivação para participar do ITER.

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