OPINIÃO 80 cia energética e à rigidez — motivo pelo qual é comum vermos placas de metal em torno deles. VANTAGENS DO VIDRO A adoção do vidro como principal material permite múltiplas vantagens, tais como elevada planicidade (o quanto uma peça é plana), maior rigidez, estabilidade das dimensões e maiores resistências térmica e mecânica, aspectos essenciais quando falamos de áreas como servidores e data centers, em que há uso pesado dos chips e um nível bem elevado de calor. No entanto, a tecnologia tem seus próprios desafios, que são mencionados pela patente, começando pelas Through Glass Vias (TGVs, ou vias através do vidro). Sendo uma espécie de caminho vertical por onde dados e energia passam, as TGVs vão exigir novos métodos de fabricação, com o uso de lasers e até de instalação por campos magnéticos estando entre as soluções possíveis. Outras dificuldades são a implantação das camadas de redistribuição, por onde passam as trilhas que transmitem os dados e eletricidade para diferentes partes do processador. A expectativa é que essas camadas continuem a utilizar cobre e materiais orgânicos, mas agora só poderão ser instaladas de um lado do substrato, também exigindo novas técnicas de fabricação. Seguindo a alegoria de uma casa, as TGVs e as camadas de redistribuição seriam como os encanamentos e as estruturas necessárias para que esses canos sejam instalados. Um dos pontos mais inovadores da patente é um método de empilhamento de substratos de vidro com uma ligação elétrica de cobre (copper bonding), em vez de pontos de solda, permitindo uma junção mais limpa e uniforme das placas, e o uso do substrato de vidro em inúmeras aplicações, incluindo processadores mobile (notebooks, tablets, etc.), o que significa que a técnica deve ser aplicada em chips para consumidores. A AMD é a única entre todas as companhias que trabalharam nos estudos do vidro em substratos a não fabricar os próprios processadores, dependendo maioritariamente da TSMC. Há diversas explicações para isso: ao obter a patente, a gigante evita ser enquadrada por rivais que possuam tecnologias similares. Além disso, a empresa possui um laboratório interno de pesquisa para personalização de processos de fabricação de parceiras, caso do próprio 3D V-Cache de CPUs como o Ryzen 7 9800X3D. CHIPS DE VIDRO EM CENTROS DE DADOS Um dos principais campos de utilização no futuro de chips de vidro serão os centros de dados. Estes representam atualmente cerca de 1% a 1,5% do consumo mundial de eletricidade, de acordo com a Agência Internacional de Energia. Na Irlanda, são atualmente responsáveis por mais de 20% de todo o consumo de eletricidade. A agência sublinhou ainda que, até 2026, os centros de dados de todo o mundo poderão consumir cerca de 1000 terawatts-hora por ano, o que equivale aproximadamente ao consumo total de eletricidade do Japão. Neste momento, a gigante tecnológica Google é a única empresa que utiliza a tecnologia fotónica à escala, o que já reduziu o consumo de energia dos centros de dados em 40%. Este facto permitiu à empresa poupar dinheiro, sobretudo no que diz respeito aos custos de instalação da infraestrutura de rede. No entanto, a Google utiliza atualmente chips de silício, mas os chips de vidro podem ser cerca de 20 vezes mais eficientes em comparação com a principal tecnologia de fabrico de chips atualmente existente no mercado. Isto porque o vidro tem uma propriedade especial: é o mesmo material de que é feita a fibra ótica. Ao utilizar o mesmo material, minimiza-se o tipo de perda de sinal que ocorre quando se junta fibra ótica a um chip. Os chips de vidro da Ephos funcionam à temperatura ambiente, o que reduz significativamente a energia necessária para o arrefecimento dos centros de dados. A eliminação de requisitos rigorosos sobre a refrigeração também se reflete numa limitação geográfica menor para as empresas. "Cerca de 10% do custo energético de um centro de dados é gasto em redes e cerca de 40% em refrigeração. Ou seja, podemos reduzir cerca de 50% do custo com a utilização de tecnologias fotónicas, como a que é fabricada pela Ephos", sublinhou Rocchetto, CEO da Ephos. O mercado mundial da fotónica valia aproximadamente 983,5 mil milhões de dólares (906,6 mil milhões de euros) em 2024 e espera-se que este valor aumente para 1.642,6 mil milhões de dólares (1.514,1 mil milhões de euros) até 2032, de acordo com a Fortune Business Insights. Os chips fotónicos usam a luz, ao invés da eletricidade, para transportar e processar dados, e são utilizados em vários setores. Estes incluem os serviços de saúde, a comunicação de dados e a engenharia, assim como a condução autónoma e os dispositivos ‘lab-on-a-chip’. Mais uma vez, a ciência e a inovação ajudam a resolver os problemas da Humanidade. n
RkJQdWJsaXNoZXIy Njg1MjYx