BI336 - O Instalador

70 ANÁLISE DE DADOS A importância de dados fidedignos no combate à desinformação Numa realidade em que cada vez mais a verdade pode ser subjetiva, os dados representam um fator determinante para averiguar a veracidade das afirmações e contrapor mensagens sensacionalistas, e não para o correto e fundamentado desenvolvimento dos setores. João Tomaz e Ricardo Ferreira (APREN) No setor energético, os dados (e a sua análise) são fundamentais para retirar conclusões, perceber como se comporta o sistema, que metas se devem estabelecer e que direção tomar para as atingir. No entanto, existem três grandes barreiras: a recolha de dados do sistema; a correta leitura e interpretação dos mesmos e a disseminação imparcial e completa da informação do setor. Em Portugal, existem várias entidades responsáveis, com funções e responsabilidades distintas, pela recolha e publicação dos dados do setor da energia – DGEG, ERSE, REN, OMIP – entre outras. Cada uma publica dados diferentes, mas complementares para retirar conclusões precisas sobre o setor. Ora, aqui levanta-se a primeira barreira: recolher a informação de todas as entidades e correlacioná-la. Além de se tratarem, muitas vezes, de dados com granularidade diferente, a informação está distribuída por várias fontes, com diferentes intervalos de atualização e publicação, e até mesmo por várias páginas, dentro da mesma entidade. Acrescendo a isto, a recolha e interpretação de toda a legislação, sendo igualmente complexa, complementa muitos dos dados publicados. O setor está em constante desenvolvimento, em prol de um sistema mais eficiente e descarbonizado, como resposta à ambição europeia e nacional para uma economia mais robusta, e com maior independência energética. Isto leva à publicação de um elevado número de peças legislativas, normalmente extensas e de leitura minuciosa. BARREIRA À COMPREENSÃO DO FUNCIONAMENTO DO SISTEMA ENERGÉTICO Num setor que requer cada vez mais conhecimentos multidisciplinares – engenharia, direito, gestão, finanças, entre outras -, esta complexidade traduz-se num grande volume de recolha e análise de dados e informação e uma barreira à compreensão aprofundada do funcionamento do sistema energético. Mais do que os erros provenientes da recolha de informação, existe uma grande facilidade em tirar conclusões, no mínimo, incompletas, com base nos dados do setor. Usando um exemplo simplista, ao verificar o preço da eletricidade produzida por uma tecnologia, sem verificar a quantidade de eletricidade gerada pela mesma, pode-se obter conclusões erradas de que essa tecnologia contribuiu para um grande aumento do preço médio. Isto leva-nos a mais uma barreira: é imperativo examinar os obstáculos inerentes à disseminação de informação clara, precisa e transparente no setor renovável. A convergência de interesses económicos, a complexidade técnica intrínseca às novas tecnologias e a crescente proliferação de desinformação configuram um cenário desafiador que compromete a compreensão das dinâmicas do setor, e prejudica a tomada de decisões fundamentadas. Esta realidade afeta não apenas os profissionais especializados, mas também o público geral. BARREIRAS LINGUÍSTICAS A utilização de terminologia específica, como “garantias de origem”, “deslastre de produção” ou “tarifas feed-in” podem soar a palavrões exclusivos, o que cria uma lacuna entre especialistas e cidadãos. Essa barreira não só restringe o acesso ao conhecimento, mas constringe a participação ativa da sociedade no debate sobre política energética. Quando os cidadãos não conseguem interpretar corretamente os conceitos utilizados em estudos e

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